A minha Lista de blogues

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Os Instrumentos de Tortura do Séc. XXI

Hoje, de manhã, fui ao Fitcenter fazer a minha sessão habitual de ginástica. Mas, hoje, cheguei a casa “de gatas”, feito num 88888888...
Há uns bons anos, acompanhado dos meus filhos, fui ao Palácio das Galveias, ao Campo Pequeno, em Lisboa, ver uma exposição sobre os Instrumentos de Tortura na Idade Média. Impressionante, arrepiante, pavoroso, assustador, terrível, sinistro, aterrador, horroroso, medonho, sanguinolento, cruciante, atroz, bárbaro, doloroso, severo, pungente, lancinante, feroz, horripilante, cruel, temeroso, desumano (faltam-me, ainda, outros adjectivos para descrever tal horror em toda a sua dimensão).
Bem, meus amigos, o ginásio, que frequento, está apetrechado com uns aparelhos que não são muito diferentes daqueles que eu vi na tal exposição: o garrote, a serra, a roda, o empalamento, as cunhas, os estiradores, os tirantes, o esmagador, as pinças, a forquilha, o emparedamento, o quebrador de joelhos, etc...
É tudo para o nosso bem, dizem os meus monitores, quais novos inquisidores da Idade Moderna.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O saco de figos

«...O salão era excessivamente grande para mim, os cães ladravam para o agouro das trevas, eu estava só no mundo. De longe, da minha infância perdida, veio a ternura da memória, a face cansada de minha mãe, a luz suave de tudo para nunca mais. E uma saudade densa caiu-me, como um peso, na alma. E chorei longamente, um choro recolhido, só choro para mim. Chorei quanto pude, até que a noite foi minha irmã e eu fui irmão da noite, um diante do outro, calados e de mãos dados. Então lembrei-me, por entre o pranto, de um pequeno saco de figos que minha mãe me dera à despedida. Procurei-o na saca da roupa, puxei-o para a cama. E o sabor deles, que me encheu a alma, trouxe-me a presença de um carinho morto, como se minha mãe ali me estivesse velando e houvesse ainda aldeia à minha volta...»


Vergílio Ferreira, in Manhã Submersa (pág. 30)

Ausência


Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breynner

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Confissão de Lúcio, de Mário de Sá-Carneiro (1)

Acabo de ler a CONFISSÃO DE LÚCIO de Mário de Sá-Carneiro. Quase de supetão. Parece que M. Sá-Carneiro mistura muito do que era a sua história com muito do que seria o seu futuro. Sem o saber? Será assim?. Este livro foi considerado por José Régio uma obra-prima, onde estão presentes três das suas obsessões: o suicídio, o amor e o anormal avançando até à loucura.
Obra complexa, a merecer, por isso, uma melhor análise. A Fundação das Casas de Fronteira e Alorna vai realizar, pelo Grupo de Leitura dedicado à Narrativa Portuguesa dos Princípios do Séc. XX, a leitura desta obra, o que acontecerá no dia 19 do corrente, pelas 21h30, no Palácio Fronteira.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O mundo de Sophia de Mello Breyner

Segundo notícias vindas a público, o espólio de Sophia de Mello Breyner será doado a 26 de Janeiro de 2011 pela família da escritora à Biblioteca Nacional. No mesmo dia, se inaugurará uma exposição sobre a sua vida e obra.
Nesse espólio, existem cadernos que contêm poemas escritos a lápis ou tinta permanente, datados da adolescência de Sophia, do período entre 1932 e 1941.
Revelam os esboços dos primeiros poemas de Sophia. Numa folha solta, dobrada de um desses cadernos, está mesmo o primeiro poema escrito, intitulado “Primeira noite de verão”.
«Comecei a escrever numa noite de Primavera, uma incrível noite de vento leste e Junho. Nela o fervor do universo transbordava e eu não podia reter, cercar, conter-nem podia desfazer-me em noite, fundir-me na noite.
No gume da perfeição, no imenso halo de luz azul e transparente, no rouco da treva, na quasi palavra de murmúrio da brisa entre as folhas, no íman da lua, no insondável perfume das rosas, havia algo de pungente, algo de alarme.Como sempre a noite de vento leste misturava extasi e pânico».
(Primeira noite de Verão, 9/5/1934).

Leio até me arderem os olhos

Ao entardecer, debruçado pela janela,
E sabendo de soslaio que há campos em frente,
Leio até me arderem os olhos
O Livro de Cesário Verde.

Alberto Caeiro, in O Guardador de Rebanhos

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

O Dia Original

                                                
                                           Há muitas coisas espantosas,
                                           mas nada há mais espantoso do que o homem.
                                           (Sófocles, in Antígona)