A minha Lista de blogues

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Palavras Cruzadas com História

Depois do problema resolvido encontre o nome de um livro do escritor Eça de Queiroz (3 palavras.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
 
1
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

HORIZONTAIS: 1 - Crustáceo com concha calcária, que constitui marisco muito apreciado e vive agarrado aos rochedos ou ao costado dos navios; Par. 2 – Pronuncie em voz alta o que está escrito; Chão. 3 – Dispusera em camadas; Ente. 4 -Nome da décima sétima letra do alfabeto grego (ρ, Ρ), que corresponde ao r; Negra; Grande Prémio (Sigla). 5 – Aqui; Vitrina. 6 – Eliminei; Azedo. 7 – Pôr relha em; usa-se como forma de chamamento (Interj.). 8 – Érbio (símb. Químico); Praia; Ruim. 9 - Antecede um nome, indicando referência imprecisa e indeterminada (artigo indefinido); Olhar com espanto. 10 – Bolsa; Exposição sucinta. 11 – Guarnecia de asas; Pões em silêncio.

VERTICAIS: 1 – Personagem a quem se destina uma das cartas de Fradique Mendes em A Correspondência de Fradique Mendes; Fluxo de humores. 2 – Porco; Beiras. 3 – Dama de companhia; Nome vulgar do óxido de cálcio; Fila. 4 - Série de operações militares durante uma guerra; Avenida (Abrev.). 5 - Atmosfera; Espécie de sereia dos rios e dos lagos, na mitologia dos Índios do Brasil. 6 – Lavrem; Espécie de malha formada por um entrelaçado de fios, cordas, arames, ou outro material. 7 – Leva à toa; Amerício (Símb. Químico). 8 – Pessoa notável na sua especialidade; Nome da avó de Fradique Mendes em A Correspondência de Fradique Mendes. 9 – Isolados; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de três; Lista. 10 - Divertido; Assassina. 11 - Grosseiro; Curas.

 Clique Aqui para imprimir.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A Correspondência de Fradique Mendes

Hoje, terça-feira, foi dia do meu Grupo de Leitura se reunir e, como havíamos oportunamente combinado, falar da Correspondência de Fradique Mendes, de Eça de Queiroz.
 
O livro compõe-se de duas partes distintas: uma narrativa e outra epistolar (cartas).

A primeira parte, com o título de “Notas e Memórias”, faz a apresentação biográfica de um suposto intelectual português Fradique Mendes. Um narrador, que se presume ser Eça de Queiroz (repeitamos aqui a grafia da palavra tal como ele gostava), conta como, quando e onde conheceu “esse homem admirável”.

A segunda parte consta do epistolário (cartas) atribuído a Fradique, o qual se correspondia com vários amigos e eminentes intelectuais da época. Entre estes, pessoas reais (como Antero de Quental, Oliveira Martins, etc.) e personagens fictícias. 

Parece evidente que as cartas de Fradique não são cartas de um sujeito de moral tradicional. Eça consegue espicaçar a moral burguesa e bem comportada, com as suas atitudes de provocação. E consegue-o, porque até aqui neste ensaio, especialmente em duas cartas, a XI e XV, na Edição «Livros do Brasil», ficamos a esgrimir argumentos contra Fradique.

A primeira, destas duas cartas,  é dirigida a MR. Bertrand B., engenheiro, que projecta a construção de uma estrada na Palestina, entre Jericó e Jerusalém. Fradique, que critica a construção dessa estrada, desenvolve uma argumentação astuciosa e inteligente, embora errada, mas que quase convence. "Nada mais necessário na vida do que um restaurante: e todavia ninguém, por mais descrente ou irreverente, desejaria que se instalasse um restaurante, com as suas mesas, o seu tinir de pratos, o seu cheiro a guisados - nas naves de Notre Dame ou na Sé Velha de Coimbra. Um caminho-de-ferro é obra louvável entre Paris e Bordéus. Entre Jericó e Jerusalém basta a égua ligeira que se aluga por dois dracmas, e a tenda de lona que se planta à tarde, entre os palmares, à beira duma água clara, e onde se dorme tão santamente sob a paz radiante das estrelas da Síria.". Como é possível?

A segunda, dirigida a A Bento de S., director de jornal. Aqui, Fradique revela o seu cepticismo extremado quanto à forma de fazer jornalismo. Mas, fazer das críticas ao mau jornalismo a condenação do jornalismo parece totalmente injustificável. Repare-se neste exagero: "Todo o jornal destila intolerância, como um alambique destila álcool, e cada manhã a multidão se envenena aos goles com esse veneno capcioso." No entanto, Eça, estranhamente, foi por este caminho.

Mas, no final, e se calhar, acabámos por cair na armadilha que o Eça nos preparou. Porque Fradique Mendes não existe, é um bluff literário. Um bluff genial!  Apetece-nos dizer que Eça, antecipando-se uns anos a Fernando Pessoa, nos presenteia com um processo de heteronomia ou quase heteronomia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Diálogos poéticos: F.R. Lobo & Camões

Francisco Rodrigues Lobo nasceu em Leiria, onde tem uma estátua em lugar de destaque. Aliás, ele está muito presente na cidade de Leiria, mas não devo andar longe da verdade se disser que poucos são os leirienses que já leram sequer uma página daquilo que ele escreveu. Escrita difícil. Figura esquecida, hoje. Mesmo assim, quem não conhece o poema “Cantiga”: Descalça vai para a fonte/Leonor pela verdura/vai formosa e não segura. Mas isto é plágio ou não? Camões, cerca de 60 anos antes, escrevera um poema em que a primeira estrofe é igual. O drama de Rodrigues Lobo é que, depois de Camões, as coisas já estavam todas ditas. Privilegiou a forma em detrimento do conteúdo. Morreu afogado. Como era um Cristão-Novo, logo alguém, injusta e macabramente, escreveu “Morreu afogado, quando devia ter morrido queimado”.

Descalça vai para a fonte

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

Luís de Camões (1524-1580)


CANTIGA

Descalça vai para a fonte,
Leanor pela verdura;
Vai fermosa, e não segura.

A talha leva pedrada,
Pucarinho de feição,
Saia de cor de limão,
Beatilha soqueixada;
Cantando de madrugada,
Pisa as flores na verdura:
Vai fermosa, e não segura.

Leva na mão a rodilha,
Feita da sua toalha;
Com üa sustenta a talha,
Ergue com outra a fraldilha;
Mostra os pés por maravilha,
Que a neve deixam escura:
Vai fermosa, e não segura.

As flores, por onde passa,
Se o pé lhe acerta de pôr,
Ficam de inveja sem cor,
E de vergonha com graça;
Qualquer pegada que faça
Faz florescer a verdura:
Vai formosa, e não segura.

Não na ver o Sol lhe val,
Por não ter novo inimigo;
Mas ela corre perigo,
Se na fonte se vê tal;
Descuidada deste mal,
Se vai ver na fonte pura:
Vai fermosa, e não segura.

 Francisco Rodrigues Lobo (1580-1622)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Lágrimas

Lacrimosa dies illa,
Qua resurget ex favilla.
Judicandus homo reus:
Huic ergo parce, Deus.
Pie Jesu Domine,
Dona eis requiem. Amen.

Requiem de Mozart - Lacrimosa - Karl Böhm - Sinfónica de Viena  Clique Aqui para ouvir.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Palavras Cruzadas com História


 
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
1
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
5
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
11
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

HORIZONTAIS: 1 – Pancada com o taco; Apoquenta. 2 – Desmoronar-se; Comezainas. 3 – Pequena argola; Conserva na memória. 4 – Pedra de amolar; Gostou; Díodo semicondutor que emite luz quando uma corrente eléctrica passa por ele. 5 – Sois pachorrentos; Isolado. 6 - Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de ócio, lazer; Brilho. 7 – Ruim; Ambiciones. 8 – Pinote; Ociosidade; Artigo definido “o” (arc). 9 – Regato; Acrescentei. 10 - Danifique; Circulares. 11 – Combina; Aquosa.

VERTICAIS: 1 - Conjunto dos utensílios de cozinha; Água escura que escorre da tulha das azeitonas. 2 – Flautas; Princípio activo da semente da salsa. 3 - Manifestação do apetite sexual, nos animais, nas épocas próprias da reprodução; elemento de formação de palavras que exprime a ideia de ovo, óvulo; Desatei. 4 – Atmosfera; Baú; Existia. 5 – Perdoo. 6 – Aturde; Castas. 7 - Pertencente ou semelhante a águia. 8 – Gracejou; Cada um dos 114 capítulos do Alcorão; Circular. 9 - Substância azulada, usada como corante, que se obtém de algumas plantas; (…) Fernandes, personagem da Cidade e as Serras, de Eça de Queiroz; Anel. 10 – Regues; Securas. 11 – Alados; Macia.

Depois do problema resolvido encontre o nome de um escritor português (duas palavras).
 
Clique Aqui para ver e imprimir.

domingo, 18 de novembro de 2012

Partem tão tristes...

Passam hoje 40 anos. Logo, lá mais para a noite, por volta das 9 horas, eu vi, pela primeira, Lisboa lá do alto. As luzes das avenidas, dos barcos no rio, do Cristo-Rei. Eu subia cada vez mais para o alto e a cidade ficava cada vez mais para trás. Ia dentro de um avião, a caminho de Angola. Eu e os meus companheiros da 1ª Companhia do Batalhão de Infantaria nº 4611. O destino era a cidade de Luanda. Primeiro, no quartel do Grafanil, depois logo se saberia.

Foi uma partida difícil, a qual o tempo se encarregou de fazer esquecer. De tudo, a minha memória guarda aqueles breves segundos da subida do avião, deixando para trás a cidade de Lisboa. Não chorei porque um homem não chora (não chora mesmo?).

A tristeza não era tanto pela partida, mas sobretudo pelo regresso. Será que volto? Tive muita sorte, voltei. Outros companheiros, não.

Um dos que não voltou, foi o Alferes Sasso. Morreu, um dia, nas matas densas das terras de Dar es Salam, na Guiné. Quem conheceu o Alferes Sasso e conta a sua história é o Dr. Mendes Gomes, distinto Advogado na empresa onde trabalhei.

 
Poema em memória do Alferes Sasso

Estou a ver-te,
no regresso:
Alto, esguio,
óculos escuros.
Fato claro, de corte fino.
Tão vaidoso,
pelas tardinhas de Domingo,
calçada velha acima,
até ao quartel
da velha Évora.
De braço dado,
num corpo só,
com tua moça,
formosa companheira,
boa,
das noitadas do fado,
castiço,
de Lisboa...
de ambos vossa amante.
Que encanto!

Parecíeis mesmo
um casal americano,
tranquilo e tão ufano,
pelo meio do casario branco,
do coração alentejano!...

Que alegria!...
Que vontade de viver
de ti transparecia
pela semana inteira,
de olhos presos
à tua amada!...

Eras sempre o primeiro:
nas paradas,
secas, militares
e nos crosses atletas,
sem parar,
pelas estradas ermas,
e sem fim,
de sobreiros tristes,
através dos montes
do Alentejo...

Nos desafios permanentes,
pronto e voluntário,
prós exercícios
mais malucos....
Que pavor!...
da maluqueira militar.

Ora endiabrado trepador
daquele palanque,
alto e estreito,
de cimento...
ora dependurado,
na vertigem alucinante
da corda e da roldana...

Nas caminhadas nocturnas,
por aquele mundo,
de eremitério,
prás emboscadas perdidas,
nas veredas, ao luar,
prós golpes de mão,
temerosos, traiçoeiros,
mesmo a fingir,
tu levavas tão a sério...

Que exemplo vivo,
de vontade louca
de viver
o dia a dia,
tu me deste,
sem saberes!...

Quiseram as sortes
pra ti malvadas,
levar-nos a todos,
p'rá Guiné!...

Que romaria e arraial
havia sempre
à tua beira!...
Com a viola e o acordeão!

Tua voz rouca,
bem timbrada,
a retinir,
os fados todos
de Lisboa,
tão saudosa...
fazia dó!
Encantadora companheira
nas noitadas solitárias,
do Cachil e Catió...

Como lembro
tuas horas de desespero,
que vivias,
tão sincero,
em filosofia permanente,
à procura do sentido
da nossa dor,
e nossa vida, sobre a terra...

Que sentidos
desabafos me fizeste,
nas vésperas
da tua hora derradeira,
tão a sós,
em noitada de cavaqueira,
tão fraterna,
num duelo filosófico
e porfia verdadeira...
olhos presos,
bem abertos,
às belezas de paraíso,
das escravizadas terras africanas
e ao futuro da vida
que tanto amavas!...

Como suspiravas
encontrar
o caminho certo,
iluminado
do viver...

Eis que
no alvorecer duma aurora,
de suave e fresca neblina,
quando o sol
nascia em liberdade,
a oferecer mais um dia
ao mundo
e à desavinda humanidade,

depois duma noite,
sem sentido,
inteirinha
a caminhar,
por entre matas densas
das terras de Dar es Salam...
adormeceste,
para sempre,
como herói...
no regaço
dos teus irmãos,
ali ao pé!...

Nunca mais te esqueceremos!...
Ó eterno amigo,
Ó companheiro
Sempre nosso!...

Até à vista!
Querido Sasso!...

 
J.L. Mendes Gomes

sábado, 17 de novembro de 2012

Diálogos poéticos:João Roiz & Saramago

Dois poemas que, embora separados por cinco séculos, têm um tema comum: A separação amorosa.

João Roiz de Castel-Branco foi um cavaleiro nobre português, fidalgo português, fidalgo da casa Real, cortesão, e poeta humanista. Nasceu presumivelmente em Castelo Branco em meados do Século XV e faleceu na mesma cidade depois de 1515. Celebrizou-se como poeta, encontrando-se algumas de suas composições integradas no Cancioneiro Geral, de Garcia de Resende, publicado em 1516.

José Saramango dispensa apresentações.Não sei o ano do poema do Saramago, mas não admira que ele tenha prestado esta homenagem a João Roiz de Castelo Branco, um homem, como ele diz em Viagem a Portugal (1981), «que, pouco mais tendo feito que estes sublimes versos, há-de ser lembrado e repetido enquanto houver língua portuguesa». Uma justa homenagem!


Cantiga sua partindo-se

Senhora, partem tam tristes
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tam tristes, tam saudosos,
tam doentes da partida,
tam cansados, tam chorosos
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

Partem tam tristes os tristes,
tam fora d'esperar bem,
que nunca tam tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

João Roiz de Castelo-Branco (Séc. XV)



Lembrança de João Roiz de Castel´Branco

Não os meus olhos, senhora, mas os vossos,
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.

Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.

José Saramago (1922-2010)



sexta-feira, 16 de novembro de 2012

A trilogia de José Saramago


José Saramago, se fosse vivo, faria hoje 90 anos. Está entre os maiores escritores da Língua Portuguesa. E para tanto bastava-lhe ter escrito estes três livros: Levantado do Chão (1980), Memorial do Convento (1982) e O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984). E mais nada.