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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Palavras Cruzadas com História

"Mistérios de Lisboa" é a solução do Passatempo que coloquei aqui há dias. A resolução destas Palavras Cruzadas era a seguinte:


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HORIZONTAIS: 1 – (…) Castelo Branco, escritor português (1825-1890); Estimar. 2 – Dividira com taipa. 3 – Preposição que designa lugar; São Miguel de (…), localidade onde morreu o escritor Camilo Castelo Branco; Nota musical. 4 – Grita; Passa; Descobria. 5 – Leste; Lírio. 6 – Supremo Tribunal Administrativo [sigla]; Preposição que designa ausência. 7 – Engane-se; Restos. 8 – Rezai; Retumbar. 9 – Ril; (…) Plácido, nome da mulher que foi a grande paixão da vida do escritor Camilo Castelo Branco; Altar cristão. 10 – Embaraço; Planta leguminosa; Avenida [abreviatura]. 11 – Vela de moinho; Descaramento [coloquial].

VERTICAIS: 1 – Natas; Atavia. 2 – Segredos. 3 – Meitnério [símbolo químico]; Uniram. 4 – Seguias; Graceja; Neste lugar. 5 - Ligues; Preposição que designa causa; Atmosfera. 6 – Misturas com ópio; Que durou ou durará um ano. 7 - Juntei; Aquelas; Mau cheiro. 8 – Unidade de medida de superfície; Aqueles; Ástato [símbolo químico]. 9 - Ruim; Eugénio (…), nome de um ensaísta e crítico literário português (1930 -   ). 10 - Desgraçaras. 11 – Desgastava; Endoidecia.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Morreu Ramos Rosa, o poeta que buscou a voz inicial


Morreu ontem em Lisboa aos 88 anos, o poeta António Ramos Rosa, um dos mais importantes da literatura portuguesa contemporânea, autor de vasta obra, desde “O Grito Claro” (1958), a sua célebre obra de estreia, até ao recente “Em Torno do Imponderável” (2012). 

Foi um exemplo de entrega total à escrita, sempre muito discreto. Nunca se afastou do seu caminho pessoal. 

Nasceu em Faro, no dia 17 de Outubro de 1924. Trabalhou algum tempo como empregado de escritório – experiência que terá inspirado o seu célebre Poema de Um Funcionário Cansado, incluído no seu livro de estreia – ao mesmo tempo que dava explicações de português, inglês e francês e traduzia autores estrangeiros.

Recebeu o Prémio Pessoa em 1988 e ainda quase todos os mais relevantes prémios literários portugueses, além  de vários prémios nacionais e internacionais, quer como poeta, quer como tradutor.

Poema dum Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só.

António Ramos Rosa, in Grito Claro

domingo, 22 de setembro de 2013

O esplendor do Outono

O equinócio do Outono de 2013 ocorre este domingo, 22 de setembro, às 21h44. A estação prolonga-se até 21 de dezembro, às 17h11.

O equinócio é o instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, corta o equador celeste. A palavra de origem latina significa "noite igual ao dia", pois nestas datas dia e noite têm igual duração.


O esplendor do Outono

«Exultai, filhos de Sião,
alegrai-vos no Senhor, vosso Deus,
porque Ele há-de mandar-vos
as chuvas do Outono no devido tempo
e fará cair sobre vós chuvas copiosas,
as chuvas do outono e da primavera,
como no princípio.
As eiras se encherão de trigo,
e os lagares transbordarão de vinho e azeite.» (Joel 2, 23-24)

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Palavras Cruzadas com História

A leitura recente de um romance de Camilo Castelo Branco levou-me à construção deste problema de Palavras Cruzadas. 

Depois do problema resolvido, encontrarás o nome dessa obra (3 palavras) nele inscrito.


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HORIZONTAIS: 1 – (…) Castelo Branco, escritor português (1825-1890); Estimar. 2 – Dividira com taipa. 3 – Preposição que designa lugar; São Miguel de (…), localidade onde morreu o escritor Camilo Castelo Branco; Nota musical. 4 – Grita; Passa; Descobria. 5 – Leste; Lírio. 6 – Supremo Tribunal Administrativo [sigla]; Preposição que designa ausência. 7 – Engane-se; Restos. 8 – Rezai; Retumbar. 9 – Ril; (…) Plácido, nome da mulher que foi a grande paixão da vida do escritor Camilo Castelo Branco; Altar cristão. 10 – Embaraço; Planta leguminosa; Avenida [abreviatura]. 11 – Vela de moinho; Descaramento [coloquial].

VERTICAIS: 1 – Natas; Atavia. 2 – Segredos. 3 – Meitnério [símbolo químico]; Uniram. 4 – Seguias; Graceja; Neste lugar. 5 - Ligues; Preposição que designa causa; Atmosfera. 6 – Misturas com ópio; Que durou ou durará um ano. 7 - Juntei; Aquelas; Mau cheiro. 8 – Unidade de medida de superfície; Aqueles; Ástato [símbolo químico]. 9 - Ruim; Eugénio (…), nome de um ensaísta e crítico literário português (1930 ). 10 - Desgraçaras. 11 – Desgastava; Endoidecia.

Clique Aqui para ver e imprimir.

domingo, 15 de setembro de 2013

Já Bocage não sou...

Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal, no dia 15 de Setembro de 1765. Há 248 anos, portanto! Poeta da emotividade, quase romântico. Um pré-romântico?  Deixou-nos a sua poesia em “Rimas” (Tomos I, II e III). Adorava a popularidade, mas acabou vítima da sua rebeldia. Andou pelo mundo. Esteve no Oriente (Goa). Desertou da Marinha, onde era oficial, e, mais tarde, volta a Portugal. Tem uma surpresa. A sua amada, Gertrudes, havia casado com o irmão. Boémio e mulherengo. Bocage é um animal à solta. Mas, boémia ou tertúlia? 

Entra para a Nova Arcádia, com o nome de Elmano Sadino. Porém, rapidamente se incompatibiliza com os seus confrades Acaba expulso. Em 1797, o intendente Pina Manique quer pôr ordem na cidade de Lisboa e, na onda, Bocage é encarcerado no Cadeia do Limoeiro. Ao fim de um ano, é internado no Real Hospício das Necessidades, dirigido pelos Padres Oratorianos. É tempo para acabar o Tomo II (talvez a melhor poesia), dedicado à amizade e aos amigos que o ajudaram a sair da cadeia.

De 1799 a 1801 trabalhou sobretudo com Frei José Mariano, um frade brasileiro, politicamente bem situado e nas boas graças de Pina Manique, que lhe deu muitos trabalhos para traduzir. Em 1804, é tempo de escrever o Tomo III, o menos conseguido talvez, numa altura em que estava já muito doente. Débil e acamado ditava para quem escrevia. Morreu de aneurisma, apenas com 40 anos. Vivia, desde 1801, em casa por ele arrendada no Bairro Alto, naquela que é hoje o n.º 25 da travessa André Valente, na companhia da irmã, em completa miséria. 

É deste tempo o poema de todas as contradições, o “ Já Bocage não sou!..." 

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Natália Correia, a Senhora da Rosa


Se fosse viva, a poetisa Natália Correia faria hoje 90 anos. A Senhora da Rosa, como lhe chamou Manuel Alegre. Escolhi o poema "A Defesa do Poeta", por causa da explicação, curiosa, que ela deu:  «Compus este poema para me defender no Tribunal Plenário de tenebrosa memória, o que não fiz a pedido do meu advogado, que sensatamente me advertiu de que essa minha insólita leitura no decorrer do julgamento comprometeria a defesa, agravando a sentença.» 


A Defesa do Poeta 

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto.

Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim.

Sou em código o azul de todos
(curtido coiro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes.

Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei.

Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em crianças que salvo
do incêndio da vossa lição.

Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis.

Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além.

Senhores três quatro cinco e sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa.

Sou um instantâneo das coisas
apanhadas em delito de perdão
a raiz quadrada da flor
que espalmais em apertos de mão.

Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever.
Ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.

Natália Correia, in "A Mosca Iluminada", Lisboa: Quadrante, 1972

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Aclarando a verdade


Existe na Ericeira uma editora, com o nome “Mar de Letras”, com pequena dimensão, e que se tem dedicado a publicar livros relacionados com a História da vila. 

A editora vive da carolice do Senhor António Carlos Serra, que tem uma livraria bem no centro da Vila, no conhecido Campo da Bola.

Hoje adquiri lá “Aclarando a Verdade”, de João Jorge Moreira de Sá, que nos apresenta uma narrativa sucinta do que se passou a bordo do iate “Amélia” na ida da Ericeira para Gibraltar, no dia 5 de Outubro de 1910. 

Moreira de Sá era o segundo comandante do iate real, com o posto de capitão de fragata, e veio a terreiro defender-se, em 1940, dos ataques de que foi alvo.

Concretamente, ele foi recorrentemente acusado, durante três décadas, de ter sido o responsável pela proclamação da república na cidade do Porto, ao desaconselhar que o iate rumasse em direcção a esta cidade.

A 2ª edição, que tenho nas mãos, deu à estampa, em 1995, com um prefácio do historiador Professor Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, o qual, de algum modo, credibiliza o testemunho do autor.

A bordo, a tese da ida para a cidade do Porto tinha a concordância do Rei D. Manuel II e das duas Rainhas e, ainda, de alguns conselheiros. Num segundo conselho, já noite adiantada, a opinião do Infante D. Afonso (tio do Monarca), do comandante e do imediato (o autor do livro) do iate "Amélia" de seguirem para Gibraltar impôs-se pela prudência dos argumentos.

O iate lá seguiu para Gibraltar aonde chegou no dia 9 de Outubro, tendo a família real desembarcado com todas as honras inerentes à sua alta hierarquia, sendo recebida no palácio do Governador de Gibraltar.

A discussão sobre o melhor rumo do iate real foi (e se calhar ainda é) tema de muita discussão. Os monárquicos sempre acharam que o rei deveria ter rumado em direcção à cidade do Porto.

Moreira de Sá presta o seu testemunho pessoal, mas a sua narrativa deve ser cotejada com outros relatos, de modo a a tentar reconstituir a complexa trama da verdade.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Mistérios de Lisboa

Acabo de lei “Mistérios de Lisboa” (Livro Primeiro), de Camilo Castelo Branco, livro que não estava nos meus planos ler, mas, num daqueles acasos que acontecem, chegou às minhas mãos. Foi o segundo romance escrito por Camilo Castelo Branco, em 1854. Como é sabido, Camilo foi imensamente influenciado por Almeida Garrett. Não me admira, por isso, que eu descubra aqui muitos pontos de contacto com “As Viagens na Minha Terra”, publicado uns anos antes, em 1848: o padre Dinis, a viagem a Santarém e o cenário da Guerra Civil entre Miguelistas e Liberais.

Narrativa é fácil de contar. São duas histórias que se fundem numa só. A história de Pedro (narrador da história na 1ª pessoa) só pode ser contada se não esquecermos a de Padre Dinis. Pedro é órfão de pai e mãe e é educado por um padre. A maior mágoa de Pedro é a sua condição de órfão e o facto de ser tão pobre. Mas Pedro não é órfão e muito menos pobre, é fruto de um amor proibido e motivo de uma grande tragédia. É filho de uma das maiores famílias Portuguesas. Foi gasto muito dinheiro para que ele morresse à nascença, mas foi gasto ainda mais para que ele vivesse. Viveu, conheceu a verdade, que o deixou ainda mais triste. Era órfão, deixou de ser e assistiu à morte da mãe e daqueles que mais amava.
E o padre Dinis? É alguém que trazia consigo a esperança e percorria o mundo a dar alento, paz e morte. Padre Dinis foi poeta, mendigo, missionário e conde, deu a vida sempre em favor dos outros. 

É um romance que nos conta uma história em “que os pecadores podem ascender à virtude, e a virtude se conquista através de sofrimentos e lágrimas". Puro romantismo. Não admira, estamos perante um livro do princípio da vida literária do escritor. Camilo, mais tarde, tentará apanhar o comboio da nova escola, a escola realista, mas fá-lo de uma maneira que não é isenta de chacota. Mas isso são contas de outro rosário...

sábado, 7 de setembro de 2013

David Mourão-Ferreira, o poeta do amor


Há dois dias, a RTP2 passou um documentário sobre o poeta David Mourão-Ferreira. Fiquei a conhecer vários aspectos da sua vida e da sua obra que desconhecia. Alguns surpreendentes. Já tenho ouvido várias definições para a Fé (se é que há), mas este poeta deixou-me uma bem curiosa. “Na dúvida, é melhor acreditar que Deus existe”. Esta aproximação a Deus deixou muitos dos seus amigos deveras impressionados. “Deu a volta”, comentavam. Eugénio de Lisboa, que o julgava saudavelmente agnóstico, um dia ficou surpreendido: “Não, Eugénio, eu mudei um bocadinho”, respondeu-lhe David Mourão- Ferreira. 

Publicou um único romance, “Um Amor Feliz”, que ele foi escrevendo a longo da vida. A capa do livro é do seu grande amigo Francisco Simões, escultor, a qual causou um grande burburinho nos meios mais conservadores. Conta-se quo o Bispo de Braga, numa homilia, terá dito: “se na capa é assim, o que será lá dentro”. Houve livreiros que foram abrigados a retirar o livro da montra por causa da capa. Houve 14 edições, sempre com desenhos na capa diferentes.

O grande tema da sua obra é a mulher, o corpo da mulher. É o poeta do amor, do amor erotizado. David Mourão-Ferreira foi um homem que gostava de viver a vida.