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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Os Relvas. Quatro gerações. Um século.

Os Relvas. Quatro gerações. Um século. 1820-1920. A 1ª Geração começou com José Farinha de Relvas de Campos, José Relvas (1791-1865), que veio da Sertã, dum lugarejo conhecido por Relvas, para a Golegã. Nasceu em 1791. Agricultor, trabalhador e inteligente. Comprou muitos dos bens que os fidalgos arruinados venderam a seguir à Revolução de 1820. Procurou modernizar a agricultura, introduzindo maquinaria mais moderna, como tractores. Construiu um grande edifício no centro da vila da Golegã, onde mais tarde se elevará o edifício da Câmara Municipal da Golegã. Morreu em 1865. 

2ª Geração. "Sucedeu-lhe” o filho Carlos Relvas (1838-1894), que teve 3 filhos: Francisco, que morreu num acidente de viação; Clementina, que morreu louca; e José Relvas, o conhecido republicano. Carlos Relvas casou muito cedo e com 19 anos já tinha aqueles 3 filhos. Com 14 anos o Rei D. Luís fê-lo Cavaleiro da Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi um amante da fotografia e deixou um excelente atelier fotográfico. A história da filha Clementina é dramática. Apaixonou-se, quando jovem, pelo célebre Costa, tipo boçal, campino, latagão. O Pai Carlos, quando soube, tratou-lhe da saúde. Anos mais tarde (50 anos depois), nas obras para a Câmara, apareceu entalado numa parede! Enterrado vivo! A Clementina, quando ele desaparece, veio para Lisboa à procura dele. Enlouqueceu e terminou os seus dias a pedir esmola pelas ruas de Lisboa. Pensava que era pobre quando era rica! Carlos Relvas era tudo, campino, pegador de touros…e, politicamente, era um autêntico cacique. O filho José Relvas estudou em Lisboa, em Letras. Teve como professor Teófilo Braga, Adolfo Rocha e outros…Zangou-se com o pai. Carlos Relvas morreu em 1894. 

3ª Geração. José Relvas (1858-1929) herdou, com a irmã, uma fortuna razoável. Mandou construir uma grande casa em Alpiarça, encarregando, para o efeito, o arquitecto Raul Lino. Este fez uma casa à portuguesa, como ele sabia. Figura de proa na República em 5/10/1910. Teófilo Braga, chefe do 1º Governo Provisório, chamou-o para Ministro das Finanças, onde não esteve muito tempo. Não tinha muito jeito para a Politica. Foi para Madrid, como embaixador, onde fez um bom trabalho. José Relvas voltou à sua casa em Alpiarça, onde se dedicou a coleccionar arte e ao seu filho Carlos. 

4ª Geração. Carlos Relvas. Este tinha grande vocação para a música. Especialista em Lizte. Uma carreira internacional. Com 35 anos, ainda sem casar, os pais pressionavam muito para casar. Tanto que lhe arranjaram uma senhora. No dia em que pediu a senhora em casamento, Carlos resolveu pôr fim à vida. 

O pai, cheio de remorsos, mandou encerrar o quarto e o piano nunca mais tocou uma nota. Vida dilacerante. Columbano fez um quadro que não sai da sala que era o local de trabalho dele. Assim ficou escrito no Testamento. O casal não aguentou e passou a viver separado. Um em cada ponta do palácio. Por testamento, José Relvas deixou o usufruto à viúva e a nua-propriedade de toda a sua fortuna ao povo de Alpiarça. para a futura Fundação que incluirá todo o espólio da colecção de arte. Porém, antes, houve uma disputa nos Tribunais. Quando se abriu o testamento, apareceu o feitor com um rol de dívidas. O Tribunal anulou essas dividas e o espólio reverteu para a Câmara. 

Quatro gerações: José Farinha Relvas (trabalhador, empreendedor, gerador de riqueza com a Regeneração); Carlos Relvas (ilusão da riqueza, decadência do regime monárquico); José Relvas (a nova esperança na República) e Carlos Relvas (a carreira frustrada). 4 gerações, um percurso acidentado, um espelho do tempo vivido depois do triunfo do Liberalismo em Portugal.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Palavras cruzadas com história - Manuel Alegre

Manuel Alegre, nascido em Águeda em 12 de Maio de 1936, é um escritor, poeta e politico português.

A sua vasta obra literária, que inclui o romance, o conto, o ensaio, mas sobretudo a poesia, tem sido amplamente difundida e aclamada.

Pelo conjunto da sua obra recebeu, entre outros, o Prémio Pessoa (1999) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998). Mais recentemente, o Prémio Dom Dinis (2005), pelo livro de poemas "Doze Naus".

O seu livro "Senhora das Tempestades" (14.000 exemplares vendidos num mês) inclui o poema com o mesmo nome e é considerado, por muitos, "uma das mais belas odes escritas na Língua Portuguesa".

O desafio deste mês é resolver este passatempo de Palavras-Cruzadas e, no final, descobrir o primeiro verso de um poema deste poeta português - Manuel Alegre (quatro palavras, todas na horizontal).


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HORIZONTAIS: 1 – Frágil; Domina. 2 – Abundante; Amigos íntimos. 3 – Compassivos; Esfera. 4 – Aqueles; Fazer alarde (de), Existes. 5 – Procedi; Sono [linguagem infantil]; Gritos de dor. 6 – Contracção da preposição a + o artigo definido o [pl.]; Fileira. 7 – Empunhei; Pregam; A massa popular [fig.]. 8 – Tanto; Choque; Naquele lugar. 9 – Elemento de formação de palavras que exprimem a ideia de aurora; Leito conjugal; Sufixo nominal que traduz a ideia de semelhança. 10 – Apenas; Interjeição que exprime espanto; Rádio Renascença [sigla]. 11 – Escapa; Levantam. 12 – Ermos.

VERTICAIS: 1 – Pessoa esperta [fig.]; Firam. 2 – Agente; Forte; Lealdade. 3 – Aguardente obtida da destilação do melaço depois de fermentado; Jovial [antiq.]; Únicos. 4 – Lorpa [pop.]; Magistratura [fig.]. 5 – Tempo que a Terra gasta para dar uma volta em torno do Sol; Régulo; Preposição que designa lugar. 6 – Elemento de formação de palavras que exprimem a ideia de asno; Esmago. 7 – Linha; Uni. 8 – Continuar; Desejam; Brisa. 9 – Entrada [fig.]; Tira. 10 – Recusa; Espécie de sereia dos rios e dos lagos, na mitologia dos índios do Brasil; Unidade de irradiação, de símbolo rd, que corresponde à absorção de 0,01 joules por quilograma. 11 – Papos [pop.]; Gemido [Brasil; Pedra de amolar. 12 – Guarneces de asas; Balança.

Clique Aqui para imprimir.

Aceito respostas até dia 20 de Fevereiro, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos decifradores. Divirtam-se!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

D. Duarte I, o rei conselheiro

O Rei D. Duarte I nasceu em Viseu em 1391 e morreu em Santarém em 1438. Era filho de D. João I e, desde cedo, foi preparado para ser rei. Coroado rei no ano de 1433, teve um reinado pequeno (5 anos) e atormentado. Todavia, com grande sentido de Estado, com uma grande seriedade na gestão pública. 

D. Duarte I foi autor de uma obra de natureza filosófica, de que o Leal Conselheiro é um exemplo. Nele o rei aconselha as pessoas que conhece a trilhar o melhor caminho. Filhai-o (palavra bonita) com o ABC da lealdade, diz ele no prefácio. 

Foi também o autor da Lei Mental, um lei que fazia reverter para a Coroa todos bens sempre que não existia um filho varão. Em poucos anos, a Coroa enriqueceu à custa desta lei. Mental porquê? Porque ela já andava na mente do seu pai, o Rei D. João I. Só que este, politico sagaz, sabia que a sua publicação lhe levantaria problemas e, por isso, sempre a adiou. D. João I era politico; D. Duarte I era filósofo.

Toda a sua vida foi o resultado do cumprimento de um dever. Um sentimento forte da responsabilidade - "Cumpri contra o Destino o meu dever".

É isso que decorre do poema que o poeta Fernando Pessoa lhe dedicou na Mensagem. O poema não é bonito (pode não ser), mas define profundamente a personalidade do Rei Duarte I. Define bem a sua alma. “almou meu ser”=deu alma à minha maneira de ser. “

D. DUARTE, REI DE PORTUGAL


Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.

Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.

Fernando Pessoa, in Mensagem

Nunca é inútil que o homem cumpra o seu dever. É a afirmação de que a consciência do dever cumprido é, por si só, suficiente e constitui um prémio inegável.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Diálogos poéticos: Cesário Verde & Nuno Júdice
















De Tarde

Naquele pic-nic de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.

Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.

Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampamos, inda o Sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia

Mas, todo púrpuro a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!

Cesário Verde






















CESÁRIO VERDE 

(variante sem burguesas)

Naquele piquenique de deusas, serviram
ambrósia e sanduíches de cisne, com
molho de via láctea a mistura. Vénus,
de véu na cabeça, desatou-o; e os seus
cabelos derramaram-se pelo copo, para
que Vulcano se engasgasse, ao beber,
e Marte lhe batesse nas costas, fazendo
inchar mais ainda a sua corcunda. Mas
quando a pálida Diana, num crescente
de lua, tirou a saia, e os sátiros saíram
de dentro das pregas, todos olharam
para o lado, e foi a coisa mais bela da
merenda: os seus seios soltos, e os doces
melões, servidos na bandeja do céu.

Nuno Júdice, in A Matéria do Poema

domingo, 25 de janeiro de 2015

Manuel da Nóbrega e a cidade de São Paulo



Completam-se hoje 461 anos sobre a fundação da cidade de São Paulo, no Brasil, pelo padre Manuel da Nóbrega. Mas quem foi esta personagem?

Manuel da Nóbrega nasceu em Sanfins do Douro no ano de 1517 e morreu no Rio de Janeiro, no ano de 1570. Foi um sacerdote jesuíta português, chefe da primeira missão jesuíta à América. Era filho de um Juiz de Fora. Viveu 31 anos em Portugal e 21 no Brasil. É considerado o Grande Apóstolo do Brasil. São Francisco Xavier no Oriente, Manuel da Nóbrega no Ocidente. 

Com 14 anos de idade foi estudar para a cidade de Salamanca. Esteve lá até aos 21 anos, num tempo em que ainda não havia Universidade em Coimbra. Quando a Universidade se instalou definitivamente na cidade de Coimbra, em 1536, concorreu para Professor. Reprovou. Depois, concorreu para entrar na Ordem dos Cónegos de Santa Cruz, mas também reprovou. Desanimado, ingressou na Companhia de Jesus, recentemente criada (1540). Há varias teorias para estes chumbos. Fala-se em protecção de outros candidatos, mas há quem diga que ele, não obstante as suas qualidades, que eram muitas, sofria de gaguez! 

Em 1542 fundou a Companhia de Jesus, em Coimbra, onde ingressou. Vivia, como outros, isto foi ao principio, como um mendigo. Como pregador, viajou por Portugal, pela Galiza e o resto da Espanha. Há notícia que passou pela minha Beira Baixa, pela Covilhã, talvez pelo Fundão.

Mais tarde, veio a fazer parte da grande expedição para o Brasil, comandada pelo Tomé de Sousa. Um grande expedição composta por 1500 pessoas, onde iam representadas todas as profissões, incluindo um encadernador. Uma espantosa epopeia. Manuel da Nóbrega veio a fundar a cidade de São Paulo, hoje a maior cidade da América do Sul. Foi no dia 25 de Janeiro de 1554. 

Uma cidade criada, não à volta de um rio, ou de um entroncamento, mas sim ao redor de um colégio. O Colégio de São Paulo. Lutou pela libertação dos escravos. Foi um dos primeiros defensores dos direitos humanos. Ajudou ainda a criar a cidade da Baia de Todos os Santos. Foi muito ajudado, na sua missão, pelo padre José Anchieta, outro grande vulto da nossa História.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Palavras cruzadas com história - escultor Francisco Simões

O Parque dos Poetas em Oeiras foi idealizado pelo escultor Francisco Simões e pelo escritor David Mourão-Ferreira, nos anos 80.

E o escultor Francisco Simões é o autor das 20 estátuas dos poetas do século XX da 1ª Fase do Parque e, ainda, das estátuas da Ilha dos Amores (Canto IX de "Os Lusíadas") que podem ser vistas na 4ª Fase do mesmo Parque.

Da sua obra fazem parte também, entre outras, o grupo de 10 esculturas e painéis em mármore “Mulheres de Lisboa”, na estação do Metropolitano de Lisboa, no Campo Pequeno, o busto da pintora Vieira da Silva, na estação do Rato, e o monumento a Camilo Castelo Branco e ao "Amor de Perdição", no Porto, junto à antiga Cadeia da Relação.

Francisco Simões é um escultor que, como ele diz, sempre teve um grande fascínio pela Literatura, pela Poesia. Quem quiser conhecer melhor a obra do escultor Francisco Simões, clique Aqui para consultar o sítio existente na INTERNET.

Francisco Simões é o nome do escultor português que era pedido com a resolução do problema de Palavras-Cruzadas deste mês. E esta é a solução completa do passatempo:


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Recebi respostas de: Aleme, Anjerod, António Amaro, Antoques, Arnaldo Sarmento, Bábita Marçal, Baby, Caba, Carlos Costeira, El-Nunes, Elvira Silva, Filomena Alves, Horácio, Jani, João Rodrigues, Joaquim Pombo, José Bernardo, Mafirevi, Magno, Manuel Amaro, Manuel Caleiro, Manuel Carrancha, Mister Miguel, Olidino, Osair Kiesling, Paulo Freixinho, Ricardo Campos, Russo, Salete Saraiva e Virgílio Atalaya.
A todos agradeço. Até breve!