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sexta-feira, 1 de maio de 2015

Palavras cruzadas com história - Ricardo Reis

Quem é Ricardo Reis? Como nasceu esta personagem, como como foi o processo de criação deste nome na heteronimia do poeta Fernando Pessoa?

A génese do heterónimo Ricardo Reis é dada pelo próprio poeta da Mensagem na famosa carta que ele dirigiu ao seu amigo Adolfo Casais Monteiro, em 13 de Janeiro de 1935. 

Acompanhemos os passos do criador ao longo da carta, "Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil".

Educado num colégio jesuíta, Ricardo Reis é "como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É, um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria ", disse Pessoa.

Dado ao mundo o mestre Caeiro, Pessoa tratou logo "de descobrir - instinta e subconscientemente -uns discípulos". Escreveu, então, ele, "arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque a essa altura já o via".

Caracterizando ainda melhor, acrescentou Fernando Pessoa, "Esboçara-se-me, contudo, numa penumbra mal urdida, um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo. (Tinha nascido, sem que eu soubesse, o Ricardo Reis)".

Eis Ricardo Reis, pagão, médico, latinista, que se expatriou para o Brasil, em 1919, por ser monárquico. O Ricardo Reis das Odes plácidas, serenas, sem esperança, resignadas...

O desafio deste mês é resolver este passatempo de Palavras-Cruzadas e, no final, descobrir uma citação que consta de um poema de Ricardo Reis (cinco palavras, todas na horizontal).


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HORIZONTAIS: 1 – Grupo de camelos; Preposição que introduz expressões que exprimem direcção. 2 – Dente queixal [region.]; Revelas. 3 – Habita; Espécie de sereia dos rios e dos lagos, na mitologia dos índios do Brasil [pl.]. 4 – Andar, Condiga. 5 – Prova; Nome da décima sétima letra do alfabeto grego que corresponde ao r. 6 – Ente; Boato [fig.]; Regressar. 7 – Terceira nota musical; Considerável. 8 – Interjeição que exprime alegria; Existe. 9 – Besuntei; Estimas. 10 – Completo; Sopro. 11 – Celebrar; Partidas.

VERTICAIS: 1 – Corrupção [fig.]; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de igual. 2 – Paixão; Interjeição que exprime admiração; Singular. 3 – Acontecer; Doutor [abrev.]; Orca [region.]. 4 – Interjeição usada para saudar; Possuir. 5 – Ali; Inquietei. 6 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de ponta; Sufixo nominal que entra na formação de muitos substantivos, especialmente os que designam artes; Cólera. 7 – Glutona; Obra [abrev.]. 8 – Equivalente; Momento presente. 9 – Sulcar; Divisa; Desgraça. 10 – Chefe político, no Oriente; Graceja; Curo. 11 – Aquelas; Fino.

Clique Aqui para imprimir.

Aceito respostas até dia 20 de Maio, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos decifradores. Divirtam-se! Boa sorte! 


sábado, 25 de abril de 2015

Liberdade

(Ilustração: Liberdade/Vieira da Silva/Abril1974)

Liberdade


— Liberdade, que estais no céu... 
Rezava o padre-nosso que sabia, 
A pedir-te, humildemente, 
O pão de cada dia. 
Mas a tua bondade omnipotente 
Nem me ouvia. 

— Liberdade, que estais na terra... 
E a minha voz crescia 
De emoção. 
Mas um silêncio triste sepultava 
A fé que ressumava 
Da oração. 

Até que um dia, corajosamente, 
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado, 
Saborear, enfim, 
O pão da minha fome. 
— Liberdade, que estais em mim, 
Santificado seja o vosso nome. 

Miguel Torga, in Diário XII, Albufeira, 28 de Agosto de 1975

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vagão J

Re(visitei), de rajada, o romance "Vagão J", de Vergílio Ferreira. O ano de publicação que consta é 1946, mas não sei se o livro chegou a estar à venda. Não passou na Censura.

E este é o despacho de 9 de Março de 1947, a proibir a sua publicação. Vem na primeira página de uma reprodução fac-similada, da iniciativa do jornal "Público", que, em boa hora, promoveu a sua publicação, a par de outras obras de outros autores, no ano passado.


A fundamentação do relator é incompreensível, pouco inteligente. Um texto acabrunhante!

Por comodidade, (re)li o romance por uma edição impressa pela Editora Arcádia, em Janeiro de 1974. O prefácio é do próprio autor, um longo prefácio, escrito em Lisboa, em 18 de Outubro de 1971.

O autor explica as razões porque não faz correcção alguma, «...obviamente essa obra é mais do público do que nossa, obviamente essa obra deve, pois dar-se como fixa.». Justifica ainda, «Não se renegam assim esses livros, como se não renega um filho que nos nasceu aleijado...».

Este romance foi escrito quando Vergílio Ferreira navegava ainda em águas do Neo-Realismo. Escreve ele ainda no dito prefácio, «...em que fiz a minha tarimba de escritor...E a escolher um livro
dessa fase para que ela de novo existisse, este seria sem dúvida o mais plausível ou o menos rejeitável.»

Vergílio Ferreira escreveu a seguir, em 1949, o romance "Mudança", que é considerada a obra que marca a sua transição para o Existencialismo.

Saiu e bateu a porta com força. Nunca lhe perdoaram! 

terça-feira, 21 de abril de 2015

Palavras Cruzadas com história - Júlio Dantas

"Outros Tempos" é o nome do livro do escritor português Júlio Dantas, que era pedido com a resolução do problema do passado dia 1 de Abril.

E a solução completa do passatempo é esta:


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Recebi respostas de: Aleme, Anjerod, António Amaro, Arnaldo Sarmento, Bábita Marçal, Baby, Caba, Corsário, El-Nunes, Horácio, Jani, João Alberto Bentes, João Carlos Rodrigues, João Rodrigues, Joaquim Pombo, José Bernardo, Mafirevi, Magno, Manuel Amaro, Manuel Caleiro, Manuel Carrancha, Mister Miguel, Olidino, Osair Kiesling, Paulo Freixinho, Raquel Atalaya, Ricardo Campos, Russo, Salete Saraiva e Virgílio Atalaya.

Um agradecimento especial ao meu amigo Manuel Amaro que me honrou com a sugestão para o passatempo deste mês. 

Grato a todos por participarem. Até breve!