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sábado, 21 de fevereiro de 2015

Palavras cruzadas com história - Manuel Alegre

"Irmãos humanos tão desamparados" é o primeiro verso do poema "Balada dos Aflitos", do poeta português Manuel Alegre, o verso que era pedido com a resolução do problema do passado dia 1.

O poema "Balada dos Aflitos" reza assim:

Irmãos humanos tão desamparados
a luz que nos guiava já não guia
somos pessoas - dizeis - e não mercados
este por certo não é tempo de poesia
gostaria de vos dar outros recados
com pão e vinho e menos mais valia.

Irmãos meus que passais um mau bocado
e não tendes sequer a fantasia
de sonhar outro tempo e outro lado
como António digo adeus a Alexandria
desconcerto do mundo tão mudado
tão diferente daquilo que se queria.

Talvez Deus esteja a ser crucificado
neste reino onde tudo se avalia
irmãos meus sem valor acrescentado
rogai por nós Senhora da Agonia
irmãos meus a quem tudo é recusado
talvez o poema traga um novo dia.

Rogai por nós Senhora dos Aflitos
em cada dia em terra naufragados
mão invisível nos tem aqui proscritos
em nós mesmos perdidos e cercados
venham por nós os versos nunca escritos
irmãos humanos que não sois mercados.

Manuel Alegre, in “ Nada está escrito” - 2012


E a solução completa do passatempo é esta:


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Recebi respostas de: Aleme, Anjerod, António Amaro, Antoques, Arnaldo Sarmento, Bábita Marçal, Baby, Caba, Carlos Costeira, El-Nunes, Elvira Silva, Horácio, Jani, João Alberto, João Rodrigues, Joaquim Pombo, José Bernardo, Mafirevi, Magno, Manuel Carrancha, Manuel Ramos, Mister Miguel, Olidino, Osair Kiesling, Raquel Atalaya, Ricardo Campos, Russo, Salete Saraiva e Virgílio Atalaya. 

Um agradecimento muito especial à minha amiga Bábita Marçal, que deu a sugestão do homenageado do mês,  assim como escolheu o verso a descobrir.

A todos agradeço. Até breve!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Os Relvas. Quatro gerações. Um século.

Os Relvas. Quatro gerações. Um século. 1820-1920. A 1ª Geração começou com José Farinha de Relvas de Campos, José Relvas (1791-1865), que veio da Sertã, dum lugarejo conhecido por Relvas, para a Golegã. Nasceu em 1791. Agricultor, trabalhador e inteligente. Comprou muitos dos bens que os fidalgos arruinados venderam a seguir à Revolução de 1820. Procurou modernizar a agricultura, introduzindo maquinaria mais moderna, como tractores. Construiu um grande edifício no centro da vila da Golegã, onde mais tarde se elevará o edifício da Câmara Municipal da Golegã. Morreu em 1865. 

2ª Geração. "Sucedeu-lhe” o filho Carlos Relvas (1838-1894), que teve 3 filhos: Francisco, que morreu num acidente de viação; Clementina, que morreu louca; e José Relvas, o conhecido republicano. Carlos Relvas casou muito cedo e com 19 anos já tinha aqueles 3 filhos. Com 14 anos o Rei D. Luís fê-lo Cavaleiro da Senhora da Conceição de Vila Viçosa. Foi um amante da fotografia e deixou um excelente atelier fotográfico. A história da filha Clementina é dramática. Apaixonou-se, quando jovem, pelo célebre Costa, tipo boçal, campino, latagão. O Pai Carlos, quando soube, tratou-lhe da saúde. Anos mais tarde (50 anos depois), nas obras para a Câmara, apareceu entalado numa parede! Enterrado vivo! A Clementina, quando ele desaparece, veio para Lisboa à procura dele. Enlouqueceu e terminou os seus dias a pedir esmola pelas ruas de Lisboa. Pensava que era pobre quando era rica! Carlos Relvas era tudo, campino, pegador de touros…e, politicamente, era um autêntico cacique. O filho José Relvas estudou em Lisboa, em Letras. Teve como professor Teófilo Braga, Adolfo Rocha e outros…Zangou-se com o pai. Carlos Relvas morreu em 1894. 

3ª Geração. José Relvas (1858-1929) herdou, com a irmã, uma fortuna razoável. Mandou construir uma grande casa em Alpiarça, encarregando, para o efeito, o arquitecto Raul Lino. Este fez uma casa à portuguesa, como ele sabia. Figura de proa na República em 5/10/1910. Teófilo Braga, chefe do 1º Governo Provisório, chamou-o para Ministro das Finanças, onde não esteve muito tempo. Não tinha muito jeito para a Politica. Foi para Madrid, como embaixador, onde fez um bom trabalho. José Relvas voltou à sua casa em Alpiarça, onde se dedicou a coleccionar arte e ao seu filho Carlos. 

4ª Geração. Carlos Relvas. Este tinha grande vocação para a música. Especialista em Lizte. Uma carreira internacional. Com 35 anos, ainda sem casar, os pais pressionavam muito para casar. Tanto que lhe arranjaram uma senhora. No dia em que pediu a senhora em casamento, Carlos resolveu pôr fim à vida. 

O pai, cheio de remorsos, mandou encerrar o quarto e o piano nunca mais tocou uma nota. Vida dilacerante. Columbano fez um quadro que não sai da sala que era o local de trabalho dele. Assim ficou escrito no Testamento. O casal não aguentou e passou a viver separado. Um em cada ponta do palácio. Por testamento, José Relvas deixou o usufruto à viúva e a nua-propriedade de toda a sua fortuna ao povo de Alpiarça. para a futura Fundação que incluirá todo o espólio da colecção de arte. Porém, antes, houve uma disputa nos Tribunais. Quando se abriu o testamento, apareceu o feitor com um rol de dívidas. O Tribunal anulou essas dividas e o espólio reverteu para a Câmara. 

Quatro gerações: José Farinha Relvas (trabalhador, empreendedor, gerador de riqueza com a Regeneração); Carlos Relvas (ilusão da riqueza, decadência do regime monárquico); José Relvas (a nova esperança na República) e Carlos Relvas (a carreira frustrada). 4 gerações, um percurso acidentado, um espelho do tempo vivido depois do triunfo do Liberalismo em Portugal.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Palavras cruzadas com história - Manuel Alegre

Manuel Alegre, nascido em Águeda em 12 de Maio de 1936, é um escritor, poeta e politico português.

A sua vasta obra literária, que inclui o romance, o conto, o ensaio, mas sobretudo a poesia, tem sido amplamente difundida e aclamada.

Pelo conjunto da sua obra recebeu, entre outros, o Prémio Pessoa (1999) e o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1998). Mais recentemente, o Prémio Dom Dinis (2005), pelo livro de poemas "Doze Naus".

O seu livro "Senhora das Tempestades" (14.000 exemplares vendidos num mês) inclui o poema com o mesmo nome e é considerado, por muitos, "uma das mais belas odes escritas na Língua Portuguesa".

O desafio deste mês é resolver este passatempo de Palavras-Cruzadas e, no final, descobrir o primeiro verso de um poema deste poeta português - Manuel Alegre (quatro palavras, todas na horizontal).


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HORIZONTAIS: 1 – Frágil; Domina. 2 – Abundante; Amigos íntimos. 3 – Compassivos; Esfera. 4 – Aqueles; Fazer alarde (de), Existes. 5 – Procedi; Sono [linguagem infantil]; Gritos de dor. 6 – Contracção da preposição a + o artigo definido o [pl.]; Fileira. 7 – Empunhei; Pregam; A massa popular [fig.]. 8 – Tanto; Choque; Naquele lugar. 9 – Elemento de formação de palavras que exprimem a ideia de aurora; Leito conjugal; Sufixo nominal que traduz a ideia de semelhança. 10 – Apenas; Interjeição que exprime espanto; Rádio Renascença [sigla]. 11 – Escapa; Levantam. 12 – Ermos.

VERTICAIS: 1 – Pessoa esperta [fig.]; Firam. 2 – Agente; Forte; Lealdade. 3 – Aguardente obtida da destilação do melaço depois de fermentado; Jovial [antiq.]; Únicos. 4 – Lorpa [pop.]; Magistratura [fig.]. 5 – Tempo que a Terra gasta para dar uma volta em torno do Sol; Régulo; Preposição que designa lugar. 6 – Elemento de formação de palavras que exprimem a ideia de asno; Esmago. 7 – Linha; Uni. 8 – Continuar; Desejam; Brisa. 9 – Entrada [fig.]; Tira. 10 – Recusa; Espécie de sereia dos rios e dos lagos, na mitologia dos índios do Brasil; Unidade de irradiação, de símbolo rd, que corresponde à absorção de 0,01 joules por quilograma. 11 – Papos [pop.]; Gemido [Brasil; Pedra de amolar. 12 – Guarneces de asas; Balança.

Clique Aqui para imprimir.

Aceito respostas até dia 20 de Fevereiro, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos decifradores. Divirtam-se!