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domingo, 21 de junho de 2015

Palavras Cruzadas com história-Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca é o escritor português do século XX, cujo nome era pedido com a resolução do Passatempo do mês de Junho. 

Manuel da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém em 1911 e morreu em Lisboa, em 1993. Fez parte do grupo do Novo Cancioneiro e é considerado por muitos como um dos melhores escritores do neo-realismo português. Nas suas obras, carregadas de intervenção social e política, relata, como poucos, a vida dura do Alentejo e dos alentejanos.

Era membro da Sociedade Portuguesa de Escritores, quando esta atribuiu, em 1965, o Grande Prémio da Novelística a José Luandino Vieira pela sua obra "Luuanda", o que levou ao encerramento desta instituição e à detenção de alguns dos seus membros na prisão de Caxias. Episódio que esteve na origem, também, da suspensão, por 6 meses, do "meu" Jornal do Fundão.

Manuel da Fonseca foi um escritor muito produtivo. É autor de poesia, contos, romances, crónicas, argumentos de filmes, peças de teatro. 

Na prosa, destaque para os romances "Cerromaior" (1943) e "Seara de Vento" (1958) e para o livro de contos "O Fogo e as Cinzas" (1951). Os seus contos e romances decorrem quase sempre no Alentejo, mas poderiam muito bem ser transportados para outros ambientes com contradições sociais.

Na poesia, relevo para "Planície" (1941) e "Poemas Dispersos"(1958), que devemos guardar como autênticos tesouros. Uma poesia com pessoas e pessoas com nomes. Quem não conhece o poema "Mataram a Tuna!", Zé Jacinto com a exuberante irreverência da sua Marcha Almadanim? E quem não conhece o poema "Estradas", a doce Nena dos Montes Velhos? 

Eu acho que aqueles não leram estes dois poemas, pelo menos uma vez na vida, devem ir para a cadeia. Meus amigos, é crime! 

Bem, a solução completa do passatempo deste mês é a seguinte:


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Recebi respostas de: Aleme, Anjerod, António Amaro, Antoques, Arjacasa, Baby, Caba, Corsário, El-Nunes, Elvira Silva, Filomena Alves, Homotaganus, Horácio, Jani, João Alberto Bentes, João Carlos Rodrigues, João Rodrigues, Joaquim Pombo, José Bernardo, Lindamor, Mafirevi, Magno, Manuel Amaro, Manuel Caleiro, Manuel Carrancha, Manuel Ramos Pereira, Mister Miguel, Olidino, Osair Kiesling, Ricardo Campos, Rui Gazela, Russo, Salete Saraiva e Virgílio Atalaya.

Um agradecimento especial para o Manuel Caleiro, meu amigo e companheiro no Grupo de Leitura na Casa Roque Gameiro, na Amadora, que me deu a sugestão para o passatempo deste mês.

A todos os outros que participaram, também o meu obrigado!

quinta-feira, 18 de junho de 2015

No 5º aniversário da morte de José Saramago


«[…] Um dia, em conversa com alguns colegas de orquestra que em tom ligeiro falavam sobre a possibilidade da composição de retratos musicais (...) lembrou-se de dizer que o seu retrato, no caso de existir de facto em música, não o encontrariam em nenhuma composição para violoncelo, mas num brevíssimo estudo de chopin, opus vinte e cinco, número nove, em sol bemol maior (...) Quìseram saber porquê e ele respondeu que não conseguia ver-se a si mesmo em nada mais que tivesse sido escrito numa pauta e que essa lhe parecia ser a melhor das razões. E que em cinquenta e oito segundos chopin havia dito tudo quanto se poderia dizer a respeito de uma pessoa a quem não podia ter conhecido. Durante alguns dias, como amável divertimento, os mais graciosos chamaram-lhe cinquenta e oito segundos, mas a alcunha era por de mais comprida para perdurar, e também porque nenhum diálogo é possível manter com alguém que tinha decidido demorar cinquenta e oito segundos a responder ao que lhe perguntavam. O violoncelista acabaria por ganhar a amigável contenda. (…) o violoncelista sentou-se ao piano após uma breve pausa para que assistência se acomodasse, atacou a composição. Deitado ao lado do atril e já meio adormecido, o cão não pareceu dar importância à tempestade sonora que se havia desencadeado por cima da sua cabeça, quer fosse por a ter ouvido outras vezes, quer fosse porque ela não acrescentava nada ao que conhecia do dono. A morte, porém, que por dever de ofício tantas outras músicas havia escutado, com particular relevância para a marcha fúnebre do mesmo chopin ou para o adagio assai da terceira sinfonia de beethoven, teve pela primeira vez na sua longuíssima vida a percepção do que poderá chegar a ser uma perfeita convizinhança entre o que se diz e o modo por que se está dizendo. Importava-lhe pouco que aquele fosse o retrato musical do violoncelista […]

José Saramago, in "Intermitências da Morte"

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O que é a verdade?

Estava a decorrer um julgamento no tribunal de Fajão e, a certa altura, uma testemunha fez o seu depoimento e rematou:

- «Isto é que é a verdade».

O Juiz, ao ouvir falar em verdade, perguntou ao Delegado e ao Escrivão o que era aquilo, a verdade. Afinal, ninguém ali sabia o que era: só sabiam que era uma coisa que vinha de Coimbra.

Então encarregaram o oficial de diligências de ir a Coimbra buscar a verdade.

Ele foi, levou um grande pote para trazer cheio de verdade, e quando chegou à entrada de Coimbra, ali por alturas do Calhabé, perguntou onde era a Universidade, pois lhe pareceu que na Universidade é que encontraria verdade com fartura.

Calhou passarem por ali uns estudantes e ao verem aquele serrano de carapuça e tamancos abertos, vestido de burel, a perguntar onde era a Universidade, para lá ir buscar a verdade, logo acudiram dizendo: «Deixe cá isso connosco e, amanhã, às tantas horas esteja aqui, que nós trazemos o pote cheio de verdade».

O homem concordou e entregou-lhes o pote.

Dali os estudantes foram para a sua «República» e, nessa noite, todos «fizeram» para dentro do pote. Depois puseram-lhe um pano na boca e amarraram-no muito bem. No dia seguinte, de manhã, lá estavam no sitio combinado, com o pote da verdade.

«Aqui está o pote cheio de verdade. O senhor leve-o com muito cuidado, e não o abra nem o deixe abrir senão quando chegar a Fajão e, diante do Sr. Juiz e das autoridades da vila, porque a verdade é uma coisa muito fina, evapora-se com muita facilidade».

O oficial de diligências, todo satisfeito, lá foi para Fajão com o pote da verdade.

Chegado a Fajão, dirigiu-se à Praça, em frente da Câmara. Logo constou que tinha chegado a verdade e todos se juntaram: o Juiz, o Delegado, o Escrivão e as demais autoridades. Diante de todos foi destapado o pote, colocado em cima de um poial, e o Juiz foi o primeiro a cheirar.

- «Parece que é merda!...», disse ele.

E o oficial de diligências respondeu:

- «É verdade!»


Seguidamente, todos cheiravam e todos diziam:

«Realmente parece que é merda».

Mas o homem respondia sempre: —«É verdade!»




Contos de Fajão - Recolha de Monsenhor Nunes Pereira

Edição do Museu Antropológico de Coimbra

segunda-feira, 15 de junho de 2015

O mestre Almada morreu há 45 anos


José de Almada Negreiros morreu há 45 anos. Morreu no dia 15 de Junho de 1970, no "Hopital Saint Louis", na Rua Luz Soriano (no Bairro Alto), no mesmo hospital em que falecera o seu amigo Fernando Pessoa. Há quem afirme que no mesmo quarto. Não tenho, ainda, a certeza disso...  

Almada Negreiros (1893-1970) foi um artista multidisciplinar que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas (desenho, pintura, etc...) e à escrita (romance, poesia, ensaio, dramaturgia), sendo um dos vultos destacados da primeira geração de modernistas portugueses.

Não frequentou qualquer escola de ensino artístico. É um autodidacta por excelência!

Participou, com outros modernistas, na remodelação, em 1924-1925, do café "A Brasileira", a Brasileira do Chiado. O mestre Almada executou o primeiro e o terceiro dos painéis decorativos, do lado ocidental.

Um deles é aquele que vemos justamente aqui. Tem o nome de "Auto-Retrato Num Grupo". 

As quatro figuras representadas neste quadro são conhecidas. Da esquerda para direita: Almada Negreiros, a bailarina e actriz espanhola Júlia de Aguilar, a actriz Aurora Gil e o Prof. Dória Nazaré.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Miguel Torga e o consultório

Miguel Torga, há precisamente 23 anos. Dia difícil para o poeta. Quando acabam algumas coisas nas nossas vidas, nós morremos com elas.

«Coimbra, 8 de Junho de 1992 — Desfiz-me do consultório. Mil circunstâncias adversas conjugaram-se encarniçadamente nesse sentido. E adeus meu velho reduto, onde durante tantos anos lutei como homem, médico e poeta. Ofereci o material cirúrgico ao hospital da Misericórdia em que durante anos operei, e o mobiliário à Junta de Freguesia de S. Martinho. E fiquei naquelas salas vazias vazio como elas. Sem passado, sem presente e sem futuro, com a minha própria vida abolida no tempo. A medida que os carregadores iam retirando o espólio, tinha a sensação de que estava a ser descarnado, a tornar-me humanamente espectral. No fim, estonteado, com o chão a fugir-me debaixo dos pés, sem um banco sequer para me sentar, ainda o telefone tocou. Do lado de lá do fio pediam-me que juntasse aos despojos a tabuleta. Respondi que sim, que ia ser arrancada e seguiria. E perguntei, de voz estrangulada, se queriam que mandasse também o meu cadáver.»

Miguel Torga, in Diário XVI

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Palavras Cruzadas com história

O desafio deste mês é resolver este passatempo de Palavras-Cruzadas e, no final, descobrir o nome de um escritor português do séc. XX (três palavras na diagonal).


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HORIZONTAIS: 1 – Atmosfera; Organismo Geneticamente Modificado [sigla]; Engano [pop.]. 2 – Preguiça; Grande quantidade de pessoas. 3 – Que não está escrito; Estanca-rios. 4 – Guarneçam de asas; Tempo. 5 – Interjeição que exprime alívio; Arrancam; O ente consciente. 6 – Atilho; Mágoa; Infame. 7 – Centimetro [simb.]; Descreva; Luto. 8 – Dei; Nojo. 9 – Estria; Preia-mar. 10 – Alinhamento; Murmurara. 11 – Forma reduzida de senhora [pop.]; Toca; Continuar.

VERTICAIS: 1 – Patrão; Chagas. 2 – Rádio [simb.]; Próximo; Iço. 3 – Embaraços; Falar [coloq.]. 4 – Pessoas que se embriagam; Descalça. 5 – Aturadas [coloq.]. 6 – Muitos [fig.]; Tinta; Vede. 7 – Algoz. 8 – Não; Serena (mau tempo). 9 – Sulcou; Funde. 10 – Maior; Pátio; Graceja. 11 – Profecia [fig.]; Legar.

Clique Aqui para imprimir.

Aceito respostas até dia 20 de Junho, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos decifradores. 

Amigos, divirtam-se!