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domingo, 9 de março de 2014

Palavras-Cruzadas com História

Há um romance que, penso, todo o português conhece, é muito fácil identificar o seu autor e muitos já o leram. Porém, o meu desafio, hoje, não é descobrir o nome do romance, mas antes o seu subtítulo.

Então, meus amigos, a minha proposta é resolver este problema de Palavras-Cruzadas e, no final, descobrir o nome do subtítulo (quatro palavras, sendo duas na horizontal e outras tantas na vertical) de um romance de um escritor português do séc. XIX.
   

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HORIZONTAIS: 1 – Duração; Acontecimentos. 2 – Reze; Abundância [figurado]; Anel. 3 – Seguir; Gostos; Entrega. 4  Bolsa; Pôr ovos. 5 – Rumor [figurado]; Naquele lugar. 6 – Estado atmosférico; Composição poética lírica de assunto elevado, própria para ser cantada. 7 – Raízes; Bondosa; Artigo [abreviatura]. 8 – Avenida [abreviatura]; Dinheiro [coloquial]; Graceja. 9 – Inclinado; Decorar. 10 – Repete; Abundante. 11 – Primavera [pl., figurado]; Queimar.

VERTICAIS: 1 – Multa; Pequeno pátio. 2 – Grita; Religiosa. 3 – Culpada; Regras; Monarca. 4 – Padiola para condução de bagagens; Negro. 5 – Suplico; Presente de Natal. 6 – Partida; Discurso laudatório. 7 – Filtra; Aguça. 8 – Chão; Períodos. 9 – Contracção da preposição em + o artigo definido a; Existência; Descobertos. 10 – Brilhe; Corrigenda. 11 – Ecoara; Arrancar.

Clique Aqui para imprimir 

Aceito respostas até ao dia 16 do corrente mês, através do chat do FB ou no meu endereço electrónico: boavida.joaquim@gmail.com. Em dia posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos decifradores.

sábado, 8 de março de 2014

Chama-lhe Mulher!


Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Penso que há ainda um caminho a percorrer pelas mulheres até alcançarem o respeito e a igualdade a que têm direito. Por isso, justifica-se plenamente esta data comemorativa. Não deixem de lutar!

Para todas as mulheres, deixo aqui um poema muito bonito que dá uma boa definição de mulher. Um poema do poeta moçambicano Rui de Noronha (1909 – 1943), poeta injustamente esquecido.

MULHER 

Chamam-te linda, chamam-te formosa,
Chamam-te bela, chamam-te gentil...
A rosa é linda, é bela, é graciosa,
Porém a tua graça é mais subtil.

A onda que na praia, sinuosa,
A areia enfeita com encantos mil,
Não tem a graça, a curva luminosa
Das linhas do teu corpo, amor e ardil.

Chamam-te linda, encantadora ou bela;
Da tua graça é pálida aguarela
Todo o nome que o mundo à graça der.

Pergunto a Deus o nome que hei-de dar-te,
E Deus responde em mim, por toda parte:
Não chames bela – Chama-lhe Mulher!

Rui de Noronha

sexta-feira, 7 de março de 2014

Pero Vaz de Caminha - O homem e a sua circunstância histórica


É famosa a frase do filósofo espanhol Ortega y Gasset: "O homem é o homem e a sua circunstância". Isto é, não é possível considerar o ser humano sem levar em conta tudo o que o circunda, incluindo naturalmente o contexto histórico em que se insere.

Nesta medida, se há, na História de Portugal, figuras que decorreram da sua circunstância, Pero Vaz de Caminha enfileira prioritariamente esse grupo. 

Com efeito, não fora a carta que escreveu de Porto Seguro, a 1 de Maio do ano de Cristo de 1500 ao rei D. Manuel I, e a sua passagem na vida teria sido condenada ao completo anonimato.

Acabei de ler essa carta, “A Carta de Pero Vaz de Caminha, Estudos de Manuela Mendonça e Margarida Garcez Ventura”, uma edição de “Mar de Letras”, uma editora com sede na Ericeira, publicação que ocorreu no 5º Centenário da viagem de Pedro Álvares Cabral.

Em boa hora a li, pois fiquei com uma ideia mais precisa acerca do que foi esse acontecimento fantástico – o achamento da terra de Vera Cruz.

Trata-se de uma reedição da carta de Pero Vaz de Caminha, comentada. A Professora Doutora Manuel Mendonça faz um estudo exaustivo acerca da família próxima de Caminha, enquanto a Professora Doutora Margarida Garcês Ventura se centra na leitura fidedigna do texto, juntando, aqui e ali, um comentário susceptível de o esclarecer nos seus pontos mais nebulosos.

Aconselha-se a sua leitura, pois dá uma ideia muito impressiva como Pero Vaz de Caminha vê a Terra de Vera Cruz e, como já alguém já disse, estamos perante um “diploma natalício lavrado à beira do berço de uma nacionalidade futura”.

Foi redigida, durante uma semana, em forma de diário de bordo, como que uma carta de acontecimentos públicos, escrita em dias sucessivos, pelo menos depois de 26 de Abril até 1 de Maio. 

Uma das riquezas desta narrativa está justamente em ser um diário, pois que assim ficou registada sem qualquer dúvida que a descoberta do novo mundo e das novas gentes foi progressiva. Isto é, o que Pero Vaz de Caminha descreve ao rei não é uma história montada á posteriori.

A carta consta de 14 fólios de papel, todos escritos na frente e no verso com excepção do último, que termina assim: “Deste Porto Seguro da vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feita, primeiro dia de Maio de 1500”.

É imperdível a sua leitura. Pero Vaz de Caminha, o homem e a sua circunstância histórica!

terça-feira, 4 de março de 2014

Palavras cruzadas com História - Mia Couto

Solução do passatempo de Palavras Cruzadas de 23 de Fevereiro.

“KINDZU” e “FARIDA” são personagens do romance “Terra Sonâmbula”, de Mia Couto e eram estes os nomes pedidos. Eis a solução:


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Recebi respostas, por email e no Facebook, de: Aleme, Anjerod, António Rodrigues Amaro, Arnaldo Sarmento, Bárbara Marçal, Elizabeth Sá, Emanuel Magno, João Alberto Bentes, Manuel Amaro, Manuel Caleiro, Mister Miguel, Olidino, Pedro Varandas e Russo. 

Obrigado a todos e até ao próximo passatempo!

segunda-feira, 3 de março de 2014

Um festim de sangue...


Acabei de ler “A Noite Sangrenta”, de José Brandão. Li, de supetão, as primeiras 100 páginas. As restantes 130, mais serenamente. O livro pretende relatar os trágicos acontecimentos de 19 de Outubro de 1921. Estamos em plena 1ª República e o que aconteceu na noite daquele dia é uma página negra da nossa História. 

António Granjo, Machado dos Santos e Carlos da Maia são as principais figuras ligadas à história do regime saído da Revolução de 5 de Outubro de 1910 que foram apanhadas nas iras de uma turba alucinada.

No Arsenal da Marinha, local principal desta tragédia, passaram-se momentos de arrepiante pavor. Foi para aqui que a célebre Camioneta Fantasma trouxe as principais vítimas. O primeiro a chegar foi António Granjo, o chefe do Governo recentemente eleito. Foi cravejado de balas. “Venham ver de cor é o sangue do porco”. Gritou ululante a corja de facínoras.

Machado dos Santos, o grande símbolo do 5º de Outubro de 1910, foi arrancado, altas horas da noite, do aconchego da família e levado na Camioneta Fantasma. O destino era o Arsenal da Marinha. Todavia, uma avaria súbita no motor da camioneta, junto ao largo do Intendente, impediu a marcha até ao Arsenal. Os facínoras não perderam tempo, “ E se a gente o matasse já aqui?”. E assim fizeram. 

Como foi possível este festim de sangue?

A 19 de Outubro de 1921, quer o chefe do governo, quer o presidente da República eram adversários declarados de Afonso Costa e tinham sido eleitos à custa da derrota do Partido Democrático.

O país estava no rescaldo do Sidonismo e da Monarquia do Norte. Na chefia do Governo, estava António Granjo, do Partido Liberal. Era já o 34º Governo da I República! Na presidência da República estava António José de Almeida. Era o 6º presidente em 11 anos de República!

Por essa altura, a GNR era seguramente a força militarizada que dispunha de melhor armamento e de efectivos em número suficiente para tomar conta da cidade num abrir e fechar de olhos.

Por outro lado, os marinheiros sublevados ocuparam o Arsenal, contando com o apoio dos mais poderosos vasos de guerra concentrados no estuário do Tejo.

Na primeira parte do livro, o autor apresenta uma descrição dos factos. Decorridos dois anos, foi feito o julgamento dos crimes de homicídio praticados durante a noite sangrenta. Os autores materiais dos crimes foram julgados. Ao todo foram acusados 22. A 1 de Junho de 1923, o Tribunal Militar Extraordinário de Santa Clara proferiu a sentença condenatória, sendo 13 condenados com penas de prisão e degredo e 9 absolvidos.

Na segunda, o autor do livro faz um levantamento opinativo de muitas interpretações dos acontecimentos acerca dos trágicos acontecimentos. Para muitos, o Tribunal apenas condenou soldados e marujos (o peixe miúdo), os que não puderam lavar das mãos e das fardas o sangue derramado, deixando de fora os que prepararam o festim de terror e de sangue.

Especular com aos autores morais do crime? Não, não vou por aí. Dependendo da posição ideológica, há muitas interpretações para o sucedido naquela noite sangrenta. É um caminho que eu não quero percorrer. 

Socorro-me de Raul Brandão. Para ele, foi uma “noite infame”, para a qual só encontra as seguintes palavras: “assombro”, “horror”, “indignação”, “vergonha”, “loucura”, “crime”!