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domingo, 26 de maio de 2019

Devaneios cruzadísticos │Fernando Namora

"Nome para uma casa" é o título de uma obra do escritor Fernando Namora, pedido com a resolução do passatempo referente ao mês de Maio de 2019.

Na última entrevista que Fernando Namora concedeu a Quirino Teixeira e a Dórdio Guimarães, e que passou na RTP1, em Abril de 1989, https://arquivos.rtp.pt/conteudos/fernando-namora-retalhos-da-vida-de-um-escritor-parte-ii/, o poeta deixou esta queixa: «...tem havido uma certa injustiça para os meus livros de poesia. Que os outros sejam injustos, pois é lá com eles, enfim é uma questão de critério; agora que também eu colabore naquilo que eu considero ser uma injustiça, é que não; e, talvez pela primeira vez, eu vou realmente abrir aqui um parêntese relativamente à minha poesia. De um modo geral, fala-se dos meus livros de ficção, fala-se bem menos dos meus livros de Crónica ou Crónica romanceada e, menos ainda, dos meus livros de Poesia. Ora, eu suponho que, na minha obra, aquilo que há de mais sentido, de mais significativo, de mais intimista, de mais nítido, seja justamente na minha poesia. Pois, será a poesia de um prosador, mas, de qualquer modo, eu suponho que é mesmo poesia e é, sobretudo, uma poesia sincera, uma poesia dorida, uma poesia muito sentida. E, por conseguinte, livros como "Nome para uma casa" (vide min. 17,20), eu suponho que possam perdurar mais através da erosão, do desgaste do tempo...».

Bem, o AlegriaBreve sente-se assim mais aliviado por contribuir para reparo de uma flagrante injustiça.


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Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita; Baby; Caba; Candy; Corsário; Dupla Algarvia (Anjerod e Mister Miguel); El-Danny; El-Nunes; Fernando Semana; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; O. K.; Paulo Freixinho; Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Seven; Socrispim; Somar; Virgílio Atalaya e Zabeli.

Premiado: Seven, Viana do Castelo
Prémio Porto Editora

Até ao próximo!

sábado, 25 de maio de 2019

Poema para a Catarina

Hei-de levar-te filha a conhecer a neve
tu que sabes do sol e das marés
mas nunca repousaste os teus pequenos pés
na alvura que só longe e em ti houve

Tinha estado na morte e não pudera
aguentar tamanha solidão
mas depois tive a companhia do nevão
e tu hás-de vir filha com a primavera

E o deslumbrante resplendor da alegria
tua felicidade eterna à vida
já não permitirão tua partida
quando raiar fatal o novo dia

As barcas carregadas com as rosas
virão perto daquela pura voz
abandonada pelos meus longínquos avós
em lagoas profundas perigosas

Não me afecta o mínimo cuidado
sinto-me vertical sinto-me forte
embora leve em mim até à morte
a cabeça de um príncipe coitado

Naquelas madrugadas primitivas
eu segredava um secreto pranto
vizinho da alegria enquanto
pelos dois tu ias de mãos vivas

O costume da minha solidão
é ver pela janela as oliveiras
que de todas as árvores foram as primeiras
que tocaram meu jovem coração

Purificado pelo tempo estou
um tempo de feroz esquecimento
vem minha filha vem neste momento
em que eu liberto ao teu encontro vou

Recordo-me do teu cabelo de chuva
quando tu caminhavas ágil e ladina
pelos desfiladeiros da neblina
nessa distante região da uva

Minha paixão viril serena pelos ritos
deseja que na minha companhia
tu sejas imolada à alegria
na surda região alheia aos gritos

Não olhes o meu rosto devastado pela idade
a vida para mim é como se chovesse
mas se viesses seria como se me acontecesse
cantar contigo a perene mocidade

O tempo em que viesses sim seria
um tempo vertebrado um tempo inteiro
e não meras palavras arrancadas ao tinteiro
e alinhadas em fugaz caligrafia

Viesses tu que a tua vinda afastaria
todos os meus cuidados transeuntes
e para sempre alegre viveria
os meus dias infantes já distantes

A solução da solidão compartilhada
onde vejo o meu mais profundo mundo
seria a solução ampla e sem fundo
oposta sem resposta ao meu país do nada

Com a voracidade do olvido
seria só tu vires e lutares
e por mim de olhos enormes e crepusculares
serias ente querido recebido

Volta com os primeiros anjos de Dezembro
num vasto laranjal eu quero amar-te
e então a tua vida há-de ser a minha arte
e o teu vulto a única coisa que relembro

O passado é mentira digo eu
sensível ao esplendor do meio-dia
e sob a árvore plena de alegria
o mínimo cuidado esmoreceu

Ao grande peso de tanto passado
com a insónia da dúvida na testa
basta a tua presença que protesta
e todo eu me sinto renovado

Ruy Belo │ Despeço-me da terra da alegria

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Um segredo

O AlegriaBreve está, este mês, a assinalar o 1º centenário do nascimento do escritor Fernando Namora, que também foi poeta.

Meu pai tinha sandálias de vento
só agora o sei.
Tinha sandálias de vento
e isto nem sequer é uma maneira de dizer
andava por longe os olhos fugidos a expressão em
[nenhures
com as miraculosas instantaneidades que nos fazem
[estar em todos os sítios.

Andava por longe meu pai sonhando errando vadiando
mas toda a sua ausência era
o malogro de o ser
só agora o sei.
Andava por longe ou sentíamo-lo longe
vem dar no mesmo
e no entanto víamo-lo sempre
ali plantado de imobilidade absorta
no cepo de carvalho raiado de negro
a que o caruncho comera o miolo
como as lagartas esvaziam as maçãs
estranhamente quieto murcho resignado
no seu estranho vadiar
os olhos aguados numa tristeza que hoje me dói
como um apelo perdido uma coragem abortada.
Ausência era tão de mágoa urdida tão de fracasso
[tingida
ausência era
altiva e desolada altiva e triste sobretudo triste
tristeza sim tristeza solene e irremediada
só agora o sei.

Às vezes parecia-me uma águia que atravessa os ares
sulco azul
que nada distingue do azul onde foi sulcado
e por isso nem é águia nem ao menos
o que do seu voo resta para que
o sonho se faça real.
Meu pai era um homem com as nostalgias
do que nunca acontecera e isso minava-o víscera a
[víscera
como as tais lagartas esfarelam as maçãs
e então sei-o agora calçava as ágeis sandálias
miraculosamente leves soltas imaginosas
indo de acaso em acaso de astro em astro
eram de vento as suas sandálias fabulosas
levando-o aonde mais ninguém poderia chegar.

Os outros não o sabiam nem eu o sabia
só o víamos sentado no cepo velho
raiado de negro como uma estrela fossilizada
por isso tudo era para ele mais irremediável e triste
sei-o agora tarde de mais
tarde de mais é uma dor de remorso
que me consome víscera a víscera
como as tais lagartas esfarelam as maçãs.
Mas de qualquer maneira existe um segredo
de que ambos partilhamos
ciosamente avaramente indecifradamente
como os astutos conspiradores
que fazem do seu segredo
um mágico tesouro inviolado.

Um segredo simples:
o que sentiste pai
sinto-o eu agora por ambos
sinto-o por ti
sinto-o por mim.

Ainda que por ele devorados.

Fernando Namora │Nome Para Uma Casa

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Domingo bonito, Cacilda

Evocando ainda o poeta Fernando Namora, no 1º centenário do seu nascimento.

Foi hoje um domingo bonito, Cacilda!
A sanfona correu o lugar de lés a lés.
– Quem deu pelas histórias dos velhos?
Ninguém.
Quem ouviu a fome do gado, preso no curral?
Ninguém.
Quem espantou as galinhas, debicando nos cachos?
Ninguém.
Na venda, houve surra, abriram cabeças.
E farnéis na charneca e dança
no sobrado da tua avó.
O brasileiro trouxe aquela caixa que tem música
e modas di lá.
Tudo foi bonito, Cacilda!
Vem banhar-te na alegria
das penas adormecidas.
Deixa o amanhã.

Fernando Namora

terça-feira, 21 de maio de 2019

Vem, Cacilda

O AlegriaBreve está, este mês, a evocar o 1º centenário do nascimento do escritor e poeta Fernando Namora. Ainda do tempo da sua passagem pelo Neo-Realismo, este lindo poema.

Vem, Cacilda, olhar a madrugada que rompe. 
Vem e sentirás mais vasta a tua dor e a tua esperança.
Vem de manso, cautelosa,
antes que os pastores acordem em suas frautas
e perturbem a manhã.
Talvez sintas no rumorejar das aves madrugadoras
aquelas asas sem limites,
para além do campanário, para além dos montes
que teu olhar nunca soube ultrapassar.
Vem, Cacilda! Serás mais um astro branco
que a manhã serena coroou.

Fernando Namora

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Fernando Namora 100 anos

Integrada nas comemorações do centenário do nascimento do escritor Fernando Namora, no dia 18 de maio, pelas 16h00, inaugura no Museu do Neo-Realismo a exposição “e não sei se o mundo nasceu” Fernando Namora 100 anos.

No ano em que se completam cem anos sobre o nascimento de Fernando Namora, o Museu do Neo-Realismo revisita o percurso e a obra do escritor, uma e outro verdadeiramente configuradores da pluralidade interna do movimento cultural e estético. A exposição, o catálogo e as atividades complementares previstas para este ciclo comemorativo estão ligadas por uma ideia central: Fernando Namora teve uma intervenção determinante na génese histórica do neorrealismo e toda a sua obra é um contributo fundamental para a afirmação da pluralidade estética do movimento.

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Pedro Mexia vence Grande Prémio de Crónica e....

Da Pastoral da Cultura, de 9 de Maio de 2019

Pedro Mexia e Georges Rouault

«Pode a esperança conviver em paz com a desesperança? O senso comum diz que não, e não têm conta as vezes que me garantiram que é impossível, intolerável, que não faz sentido haver um pessimismo esperançoso; mas eu encontrei-o em muitas ocasiões, é-me mais verdadeiro ode que qualquer um dos seus contrários, e lembrei-me agora, não sei se me ocorreu antes, do caso de Rouault.»

É com estas palavras que começa o penúltimo texto (27 de abril) que Pedro Mexia assina semanalmente no “Expresso”, artigos que, selecionados, constituem a parte substancial do livro “Lá fora” (ed. Tinta da China, 2018), com o qual venceu hoje o Grande Prémio de Crónica e Dispersos Literários da Associação Portuguesa de Escritores.

O francês Rouault (1871-1958) «desenhou e pintou juízes iníquos, prostitutas, bêbados, palhaços e acrobatas, gente miserável, Cristos flagelados e crucificados. Usava cores intensas, escuras ou tenebrosas, contornos duros, imagens carregadas, chocantes para alguns. E, no entanto, afirmou nunca ter procurado intencionalmente o decadente, o grotesco, o escandaloso, até porque não existem assuntos nobres ou baixos, apenas espíritos nobres e espíritos baixos. Disse que pintou a Humanidade como ela se lhe apresentava, no seu mistério, no seu tormento, nos seu despojamento».

«Devota mas compulsiva, a arte de Rouault dependia daquilo a que um dos seus estudiosos, Bernard Dorival, chamou “um cristianismo visceral, (…) vívido e vivo, espesso, denso, direto, carnal”. Um cristianismo do corpo, infracarnal, atento aos múysculos e aos ossos, à carne humilhada e ofendida, e à finitude. Um cristianismo tumultuoso, que lembra Baudelaire, e não é por acaso que Rouault ilustrou uma edição de “As flores do mal”, escreve Pedro Mexia, que em 2018 participou no Encontro Nacional de Referentes da Pastoral da Cultura, realizado em janeiro.

De Rouault, o consultor para a Cultura da Casa Civil do Presidente da República descobriu um texto em que se define «pintor da alegria»: «Porque não? Feliz por pintar, louco de pintura, mesmo no sofrimento mais profundo». E acrescentava: «A alegria de Cristóvão Colombo ao vislumbrar o Novo Mundo, é assim a minha alegria. Tenho em mim um fundo de dor e de melancolia infinita que a vida desenvolveu e de que a minha arte de pintar, se Deus me conceder, será apenas um desenvolvimento e uma expressão bastante imperfeita».

Para o júri, o prémio de 12 mil euros que será entregue em Loulé a 30 de maio, e que já distinguiu D. José Tolentino Mendonça, destaca «um livro de crónicas de um intelectual no mundo de hoje, observando esse mesmo mundo por intermédio da arte (literatura, música, cinema) como coisa íntima e reclusa de si».

terça-feira, 7 de maio de 2019

Fernando Pessoa a brincar com as palavras

O Fernando Pessoa, ainda em Durban, na África do Sul, com a idade de 12 anos, surpreende-nos com esta carta de amor equívoca. A carta, atribuída a H.W.M. surgiu nas páginas de um pseudojornal que Fernando Pessoa elaborou em Abril de 1901. Não é uma criação inteiramente original, já que este tipo de missiva (Cópia de uma Curiosa Carta de Amor de um Cavaleiro para uma Dama) circulava no Reino Unido e nos Estados Unidos da América desde c. 1840, em folhas volantes, apenas com ligeiras variações. O jovem Pessoa terá, então, entrado no jogo da variação do modelo, não deixando, todavia, de nos surpreender. 

Aviso prévio: Após ler, começar de novo na primeira linha e ler cada linha alternadamente até ao final.

Carta de amor equívoca

À -
O grande amor que até agora te comuniquei
é falso, e creio que a minha indiferença por ti
cresce a cada dia. Quanto mais te vejo, mais
apareces a meus olhos como digna de desprezo,
sinto que estou inteiramente disposto e determinado a
odiar-te. Acredita que nunca tive intenção de
conceder-te a minha mão. A nossa última conversa
deixou-me com uma monotonia tediosa, que de forma alguma
me proporcionou a mais exaltante imagem do teu carácter,
o teu temperamento tornar-me-ia extremamente infeliz
e ao unirmo-nos, não sentiria senão o
ódio dos meus pais, juntamente com o interminável des-
agrado de viver contigo. Eu tenho, de facto, um coração
para oferecer, mas não quero que o imagines
ao teu serviço, não podendo dá-lo a ninguém mais
inconsistente e caprichoso que a ti e menos
capaz de honrar a minha escolha e família.
Sim, espero que fiques persuadida de que
falo de forma sincera e far-me-ás um favor ao
ignorar-me. Dou-te licença de evitares o trabalho de
responder a isto, as tuas cartas são sempre cheias de
impertinências, e não tens a mais pequena noção de
génio e bom senso. Adieu! Adieu! Imagina—me
tão adverso a ti que me é impossível alguma vez ser
o teu mais afectuoso amigo e humilde servo.

H.W.M., nome fictício de Fernando Pessoa, 2 de Abril de 1901 Em “Eu Sou uma Antologia-136 autores fictícios”, de Jerónimo Pizarro, pp 25

domingo, 5 de maio de 2019

Para a minha mãezinha que está no céu

Mãe 
Não consigo adormecer
Já experimentei tudo. Até contar carneirinhos
Não consigo adormecer
Nem chorar
(Que maior tragédia poderá acontecer a um homem do que a de já não ser
capaz de chorar?)

Mãe
Sabias que o cordão umbilical pode funcionar
como uma corda num enforcamento?
— tenho aprendido coisas bem singulares neste
convívio com os deuses —
Um dia destes regressarei a Tebas para ser coroado
Reservei hoje mesmo um lugar num avião das Linhas Aéreas Gregas
Gostaria de brindar contigo com uma taça de orvalho
antes de partir

Mãe
Detesto coberturas de açúcar mesmo que levem limão
Isto é tão certo como o é tu não me compreenderes
Estava a sonhar que estava a sonhar e assim por aí adiante até ao infinito. Depois
acordei. E fui descendo vertiginosamente de sonho para sonho
Ainda não parei de acordar. E de sonhar

Mãe
Tenho uma surpresa para ti
um caramanchão para que te possas sentar todas as tardes a catar estrelas
na minha cabeça

Mãe
Abriu um concurso para preencher uma vaga de
ascensorista no Paraíso e eu concorri
Achas que tenho alguma hipótese de ser admitido?
— tenho a boca cheia de formigas —

Mãe
um dia hei-de subir contigo
degrau
a degrau
o arco-íris

Jorge de Sousa Braga, in 'Antologia Poética'

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Devaneios cruzadísticos │Fernando Namora

O AlegriaBreve assinala, este mês, o centenário do nascimento de Fernando Namora, que, nos últimos anos da sua vida (morreu em 1989), foi o escritor português mais lido e mais traduzido. Fernando Namora escreveu mais de 30 livros, traduzidos para um número impressionante de línguas, foi um autor que vendeu mais de 1 milhão de livros. Acresce que foi um homem extremamente solidário e generoso, acreditava que, com força, com coragem e solidariedade, podia mudar alguma coisa na sociedade e no mundo.

Escreveu livros muito diversificados; é conhecido sobretudo como romancista, autor dos 2 volumes de “Retalhos da Vida de Um Médico”, sendo que o primeiro saiu em 1949 e o segundo em 1963. Quem não se lembra da série televisiva, que passou nas nossas casas no início da década de 80? Escreveu também outros géneros; quando ainda era estudante em Coimbra publicou o seu primeiro romance, a que chamou “Terra”, porque se considerava um homem simples, oriundo do mundo rural, do centro do país. E, assim, quem for a Condeixa-a-Nova, perto de Coimbra, pode (recomenda-se) visitar a Casa-Museu Fernando Namora, a casa onde o escritor nasceu.

Fernando Namora é conhecido, sobretudo, pelos seus romances, mas escreveu coisas muito diversificadas, já que gostava de misturar os géneros literários. Por vezes, era criticado por ser demasiado realista, demasiado próximo da vida vivida, demasiado neo-realista. Claro que ele fez parte deste movimento literário, o neo-realismo, mas a sua obra não se esgotou só nesse aspecto. Aliás, ele evoluiu dentro da sua própria obra, como ele refere no começo do livro “Resposta a Matilde”. 

Os livros e os romances de FN são muito acessíveis, são fáceis de ler, como ele próprio confessou. Com efeito, podemos lê-los apenas à superfície, sem nos preocuparmos com outras dimensões profundas que também lá estão. Quem quiser conhecer este autor, sem ler a totalidade da sua obra, pode começar, numa sugestão singela, pelos “Retalhos da Vida de um Médico”, por exemplo, textos como “Prima Cláudia”, “Os Sapatos”, “História de umas Mãos Pequenas” e tantos outros, muito curtos, que não levam mais que 15 minutos de leitura.

O convite é, meus amigos, decifrar este problema e encontrar, no final, o título de um livro (4 palavras nas horizontais) de uma obra do escritor português Fernando Namora (1919-1989).


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HORIZONTAIS: 1 – Acontece; Guerreiro. 2 – Orla; Cisma. 3 – Poder; Continuar; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de ouvido. 4 – Iça; Preposição que designa tempo; Prefixo que exprime a ideia de separação. 5 – Adivinha; Afasta. 6 – Valida; Apre!. 7 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de salvador; Ande. 8 – Bata; Chora [Moçambique]; Humilde. 9 – Alguma pessoa; Para aqui; Firma. 10 – Mexerica; Dia. 11 – Cantigas; Censura. 

VERTICAIS: 1 – Estreito; Tempera. 2 – Riscas; Chefe de tribo, entre os Árabes. 3 – Desonra [figurado]; Pertences; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de agulha. 4 – Voo; Acontece. 5 – Grito de alegria; Conversas. 6 – Gritar [popular]; Entusiasmo. 7 – Dificuldade [figurado]; Símbolo de prata. 8 – Abreviatura de exempli gratia; átrio. 9 – Atilho; Indício; Navio. 10 – Pessoa pouco inteligente [Brasil, coloquial]; Conselhos. 11 – Velhaco [figurado, depreciativo]; Muda.

A sortear: Prémio Porto Editora


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Aceito respostas até dia 25 de Maio, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?