Foi para decoração das paredes do Restaurante Irmãos Unidos, pertencente à família de Alfredo Pedro Guisado, que Almada Negreiros pintou a primeira versão do seu retrato de Fernando Pessoa (1956). Ao lado do quadro estava, na altura do encerramento (1970), uma placa de mármore com o nome de todos os fundadores da revista ORPHEU.
O quadro, de que existe cópia posterior e «invertida» (de 1964) na Fundação Gulbenkian, foi adquirido pelo banqueiro Brito e oferecido ao município. Com a sua venda, em 1970, as obras de Almada subiram, no valor de mercado, para mais do quádruplo. Alguns jornais admitiram que a licitação desta peça iria determinar o futuro valor dos inúmeros quadros de Almada em certas colecções privadas. Pouco tempo depois, a Brasileira do Chiado venderia igualmente as telas deste pintor que ornavam as suas paredes desde 1925.
O quadro de Almada seguiu para o Museu da Cidade, mudando de morada quando este passou do Palácio da Mitra para o Campo Grande. Ultimamente, foi tirado ao acervo do Museu da Cidade para adornar a chamada «Casa Fernando Pessoa».
Não consta que Fernando Pessoa apreciasse os retratos pintados por Almada Negreiros, tendo sido pouco cordial para com o «colega» logo na primeira exposição deste. Apreciava-lhe a escrita, o que é outra coisa, bem diversa.
Almada, por seu turno, nunca ousou pintar ou desenhar Pessoa enquanto este estava vivo. O primeiro retrato pessoano que fez data... do dia do funeral de Pessoa.
Mário de Sá-Carneiro, que nutria algum desprezo por Almada, escreve aflito de Paris: de modo algum deveriam deixá-lo tentar dirigir a revista «Orpheu».
Marina Tavares Dias, texto publicado no «Diário Popular» em 1987

Sem comentários:
Enviar um comentário