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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Palavras Cruzadas com História

No meu Grupo de Leitura, achámos que era altura de revisitar a obra do Aquilino Ribeiro. É o que vamos fazer através da leitura de um dos seus romances.

Depois de resolvido este problema, encontrarás, na diagonal, o nome do personagem que dá, justamente, o título ao romance que vamos ler. Qual é?


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HORIZONTAIS: 1– Juízo [figurado]; Piada [figurado]. 2– Espécie de sereia dos rios e dos lagos, na mitologia do Brasil; Miadelas. 3– Categoria; Gozas. 4– Interjeição que exprime admiração; Elegante. 5– Acontecer; Sulcas; Atmosfera. 6– Outra coisa [antigo]; Ordem dos Advogados [sigla]. 7– Indivisível; Preferi; Embaraço. 8– Enlevar; Nomenclatura Combinada [sigla]. 9– Deter; Hectopascal [símbolo]. 10– Indignar; Fundi. 11– Encher; Um gosto entre muitos dissabores [figurado]. 

VERTICAIS: 1– Divisa; Lutar pela vida [regionalismo]. 2– Língua falada pelos povos do grupo étnico Ajauas, nomeadamente no Alto Niassa, em Moçambique; Espancara. 3– Circundara; Algumas. 4– Ali; Lavra. 5– Grande quantidade [figurado]. 6– Ocultaras. 7– Acredita. 8– Mergulhado; Entre nós. 9– Natural ou habitante da Síria; Largos. 10– Coerente; Progenitor. 11– Queimara; Antes.

Clique Aqui  para ver e imprimir.

domingo, 6 de outubro de 2013

O rei D. Sebastião, segundo o escultor Simões de Almeida

[…] lá está D. Sebastião no seu nicho da frontaria, rapazito mascarado para um carnaval que há-de vir, se não noutro sítio o puseram, mas aqui, então teremos de reexaminar a importância e os caminhos do sebastianismo, com o nevoeiro ou sem ele, é patente que o Desejado virá de comboio, sujeito a atrasos […]
José Saramago, em “O Ano da Morte de Ricardo Reis” ( p.64)

Saramago, num tom muito irónico, dá-nos aqui uma pequena nota sobre o Sebastianismo, através dos olhos de Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa. 

O ano da Morte de Ricardo Reis” é um romance extraordinário. José Saramago dá vida ao heterónimo Ricardo Reis e fá-lo interagir com Fernando Pessoa, já morto. 

Ricardo Reis chega a Lisboa, vindo do Brasil, após ter ali recebido a notícia da morte do poeta Fernando Pessoa. No último dia do ano de 1935, Ricardo Reis, durante um passeio, à noite, pela Baixa de Lisboa, passa à frente da Estação do Rossio e olha aquele “rapazito mascarado para um carnaval que há-se vir…”.

Sendo Fernando Pessoa um dos mais ilustres, senão o mais ilustre intérprete do mito Sebastiânico do V Império, o nosso Ricardo Reis, pela mão do Saramago, bem podia ir um bocadinho mais longe. 

Como é sabido, a Estação do Rossio foi construída no estilo Neo-Manuelino, não faltando as cordas dos navios e as esferas armilares. Por isso, há quem defenda que a Estação do Rossio tem omnipresente o mito Sebastiânico e a Ideia do V Império. Na opinião de alguns, e embora passando provavelmente despercebido à maioria das pessoas, "as portas da Estação estão desenhadas em forma de ferradura, aludindo ao cavalo Branco de D. Sebastião a galope do qual ele regressará numa manhã de nevoeiro para reinar sobre todos nós e devolver à Pátria a grandeza pretérita".

O mais curioso, ainda, é o pormenor do próprio D. Sebastião que segura um escudo com 7 castelos, mas cujas mãos ocultam dois deles. Será mais uma referência ao V Império?

Esta é a tese defendida por Victor Manuel Adrião na sua obra "Lisboa Insólita e Secreta"

Por mim, fiquei disponível para dar crédito à tese, desde que conhecesse o escultor deste D. Sebastião e se da sua biografia fosse levado a concluir que ele quisesse mesmo deixar ali o seu testemunho, como fazem alguns autores. Fui pesquisar. 

A fazer fé na informação do SIPA – Sistema de Informação para Património Arquitectónico - que consta no site http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=4979 a escultura será da autoria de Simões de Almeida. Aí se diz que em 1887 - obras de perfuração do túnel do Rossio e da construção da estação; a fachada foi feita pelo empreiteiro francês Bartissol; execução das esculturas e dos medalhões por Simões de Almeida.

Este Simões de Almeida será o José Simões de Almeida (tio) - para o distinguir do sobrinho homónimo, José Simões de Almeida (sobrinho) - nasceu em 1844 e morreu em 1926, em Figueiró dos Vinhos. A acreditar neste site, o escultor Simões de Almeida teria, em 1887, 43 anos de idade. Pode ser…

Falta agora saber se este Simões de Almeida comungava ou não do mito do V Império. Vamos ver…talvez volte ao assunto. 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sophia interroga-se: quando eu morrer

Sophia de Mello Breyner nasceu em 1919 e morreu em 2004. Viveu, portanto, 85 anos. Não me parece que o tema da morte esteja muito presente na sua obra. Lembro o poema, este muito conhecido, em que ela diz “Quando eu morrer voltarei para buscar/Os instantes que não vivi junto ao mar". Um poema pequeno, somente 6 versos, depurado e limpo. Não sei o ano da sua escrita, mas julgo tratar-se de um poema de final de carreira. 

Mas há um poema, do ano de 1947 (para mim, um ano curioso), em que Sophia, então com 28 anos, escreveu sobre a sua morte. O poema, tal como o que está acima referido, começa também pelo advérbio interrogativo QUANDO.

O poema é este.

sábado, 28 de setembro de 2013

Em Ramos Rosa, deus tem a cor do "planeta azul"

o deus azul

Há um deus que fertiliza a polpa azul da sombra
e extenso no silêncio está como o olvido no olvido.
Recolhe-se num movimento para o centro
onde permanece côncavo e completo.
Na sua enamorada eternidade
o corpo é asa, pedra e nuvem.
O mundo por vezes é um instante de amêndoa
em que ele transparece em carícias de regaço.
Movimento de plácida e redonda consciência,
não a imagem mas a visão nua do âmbito pleno,
em que estamos com ele em sequência natural.
A sua vida é o sono da luz e da sombra em aberta órbita
sempre no seu próprio círculo em sucessivas ondas
de sossegada incandescência.
Ele está no mundo, o mundo está nele
sempre como no princípio num fulgor cumprido
na radiosa concavidade azul. 

António Ramos Rosa, em Felicidade do ar (Caminho: Lisboa 1990, p. 25.)

Neste poema, o poeta parece não ter dúvidas quanto à presença de Deus no mundo: Ele está no mundo, o mundo está nele. E ainda: O mundo por vezes é um instante de amêndoa / em que ele transparece em carícias de regaço. Uma certa osmose entre Deus e o mundo: este deus (assim, com minúscula) tem a cor do “planeta azul”. É quase uma visão beatífica: não a imagem mas a visão nua do âmbito pleno / em que estamos com ele em sequência natural. Pois A sua vida é o sono da luz em aberta órbita.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Palavras Cruzadas com História

"Mistérios de Lisboa" é a solução do Passatempo que coloquei aqui há dias. A resolução destas Palavras Cruzadas era a seguinte:


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HORIZONTAIS: 1 – (…) Castelo Branco, escritor português (1825-1890); Estimar. 2 – Dividira com taipa. 3 – Preposição que designa lugar; São Miguel de (…), localidade onde morreu o escritor Camilo Castelo Branco; Nota musical. 4 – Grita; Passa; Descobria. 5 – Leste; Lírio. 6 – Supremo Tribunal Administrativo [sigla]; Preposição que designa ausência. 7 – Engane-se; Restos. 8 – Rezai; Retumbar. 9 – Ril; (…) Plácido, nome da mulher que foi a grande paixão da vida do escritor Camilo Castelo Branco; Altar cristão. 10 – Embaraço; Planta leguminosa; Avenida [abreviatura]. 11 – Vela de moinho; Descaramento [coloquial].

VERTICAIS: 1 – Natas; Atavia. 2 – Segredos. 3 – Meitnério [símbolo químico]; Uniram. 4 – Seguias; Graceja; Neste lugar. 5 - Ligues; Preposição que designa causa; Atmosfera. 6 – Misturas com ópio; Que durou ou durará um ano. 7 - Juntei; Aquelas; Mau cheiro. 8 – Unidade de medida de superfície; Aqueles; Ástato [símbolo químico]. 9 - Ruim; Eugénio (…), nome de um ensaísta e crítico literário português (1930 -   ). 10 - Desgraçaras. 11 – Desgastava; Endoidecia.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Morreu Ramos Rosa, o poeta que buscou a voz inicial


Morreu ontem em Lisboa aos 88 anos, o poeta António Ramos Rosa, um dos mais importantes da literatura portuguesa contemporânea, autor de vasta obra, desde “O Grito Claro” (1958), a sua célebre obra de estreia, até ao recente “Em Torno do Imponderável” (2012). 

Foi um exemplo de entrega total à escrita, sempre muito discreto. Nunca se afastou do seu caminho pessoal. 

Nasceu em Faro, no dia 17 de Outubro de 1924. Trabalhou algum tempo como empregado de escritório – experiência que terá inspirado o seu célebre Poema de Um Funcionário Cansado, incluído no seu livro de estreia – ao mesmo tempo que dava explicações de português, inglês e francês e traduzia autores estrangeiros.

Recebeu o Prémio Pessoa em 1988 e ainda quase todos os mais relevantes prémios literários portugueses, além  de vários prémios nacionais e internacionais, quer como poeta, quer como tradutor.

Poema dum Funcionário Cansado

A noite trocou-me os sonhos e as mãos
dispersou-me os amigos
tenho o coração confundido e a rua é estreita
estreita em cada passo
as casas engolem-nos
sumimo-nos
estou num quarto só num quarto só
com os sonhos trocados
com toda a vida às avessas a arder num quarto só
Sou um funcionário apagado
um funcionário triste
a minha alma não acompanha a minha mão
Débito e Crédito Débito e Crédito
a minha alma não dança com os números
tento escondê-la envergonhado
o chefe apanhou-me com o olho lírico na gaiola do quintal em frente
e debitou-me na minha conta de empregado
Sou um funcionário cansado dum dia exemplar
Por que não me sinto orgulhoso de ter cumprido o meu dever?
Por que me sinto irremediavelmente perdido no meu cansaço
Soletro velhas palavras generosas
Flor rapariga amigo menino
irmão beijo namorada
mãe estrela música
São as palavras cruzadas do meu sonho
palavras soterradas na prisão da minha vida
isto todas as noites do mundo numa só noite comprida
num quarto só.

António Ramos Rosa, in Grito Claro