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quarta-feira, 26 de julho de 2023

Devaneios cruzadísticos │ António Quadros

"ALÉM DA NOITE" é o título (3 palavras) de uma obra do filóssofo e escritor português António Quadros (1923-1993), pedido com a resolução do passatempo de Palavras-Cruzadas, referente ao mês de Julho de 2023.

"A Paixão de Fernando P.", romance inédito de António Quadros, de que vos falei na apresentação do problema no primeiro dia do mês, já pode ser adquirido (e só aqui) na Livraria da Fundação António Quadros (nºs de telefone é 965552247 - 243999310). O meu livro já vem a caminho.


Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; El-Danny; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Sepol; Seven; Socrispim; Solitário; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo "devaneio"!

sexta-feira, 14 de julho de 2023

Dá-me tempo!


Quem és tu oh tempo?

Quem és?

Queres-me, ainda, que sejas breve?

Se me queres, dá-me tempo

faz grande a minha jornada

dá-me o amor, hoje e sempre

como se fosses um único pássaro

a voar na brisa a tocar meu rosto …

A vida é breve, muito breve

deixa-me desfrutar o tempo, que me resta…

O tempo não pára, carrega lembranças,

sonhos e experiências …

Não tem caminho de volta

segue sempre em frente

o tempo do tempo, é o presente, é o agora…

Espreito à janela vejo gente

apressada de malas na mão …

Será que vão viajar? Ou desceram

para outra direcção, outra estação?

Começamos a vida com uma malinha na mão

os anos passam e a bagagem vai aumentando

escolhemos muitas coisas q’recolhemos pelo caminho…

Podemos aliviar o peso, esvaziando a mala

mas o que temos para tirar? Aquilo que plantamos.

A essência da vida não se compra

ela vai subindo degrau a degrau

quero mais tempo, oh tempo,

vivendo o tempo, de dentro para fora..

A vida flui como um rio, transporta-nos

à verdade, à velhice e, esta à sabedoria …

Sem caminho de volta, o tempo segue,

sempre em frente…

O tempo do tempo é o agora

não olhe para o retrovisor da vida

não lembre o que já passou…

Siga olhando para cima, para o lado

para a frente, para a gente.

Tu oh tempo, que me persegues

posso pedir-te mais tempo?

O tempo é o presente, cada dia é

só por si, uma vida…

Fica um pouco mais! Um pouco mais!

Dá-me tempo!



Mariana Asper 
11-06-23


Um poema que nos fala da brevidade das nossas vidas. A autora implora, quase em desespero, por mais tempo. Não deixa de ser curioso que o poema venha, na minha modesta opinião, ao encontro da ideia que se encontra subjacente ao título deste blogue. A vida é breve, um breve instante à escala cósmica. É, todavia, a que nos coube. Curta, sem dúvida. Injusto? Talvez. Uma vida breve. Uma alegria breve.

sábado, 1 de julho de 2023

Devaneios cruzadísticos │ António Quadros

O ano de 1923 foi muito fértil no que toca ao nascimento, há 100 anos, de grandes nomes da Cultura e da Literatura portuguesa. Alguns deles já foram aqui homenageados (Eugénio de Andrade, Natália Correia, Eduardo Lourenço). Outros nomes, assim desejamos, serão aqui evocados até ao final do ano, para que não sejam esquecidos.

Neste mês, o AlegriaBreve evova outro nome grande, no ano em que se celebra o centenário do seu nascimento. António Gabriel de Castro e Quadros Ferro, conhecido como António Quadros, foi um filósofo, historiador, escritor, fundador e director do IADE, professor universitário e tradutor português.

António Quadros nasceu em 14 de Julho de 1923, em Lisboa. Era filho de António Ferro e de Fernanda de Castro, ambos escritores.

Pensador, crítico e professor, também poeta e ficcionista, foi um dos fundadores da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores. Fundou a actual Associação Portuguesa de Escritores e o IADE - Instituto de Arte, Decoração e Design. Foi director das Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian.

António Quadros foi ainda membro-correspondente da Academia das Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Filosofia, membro da INSEA (International Society for Education through Art), órgão consultivo da UNESCO, de que foi delegado em Portugal até 1981, membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social, etc.

Recebeu diversos prémios pela sua actividade literária e colaborou em diversos jornais, como o Diário de Notícias, Diário Popular, Jornal de Letras, bem como nas revistas Ler, Rumo, Persona,Colóquio, Contravento, Litoral, Atlântico, Ensaio, Leonardo.

"A Paixão de Fernando P.", romance inédito de António Quadros, escrito na sua casa de Vale de Óbidos, Rio Maior, está a caminho do prelo. O livro será colocado à venda nos dias 12, 13 e 14 de Julho, no congresso «Nos Cem Anos de António Quadros» (Lisboa e Rio Maior) e, posteriormente, na Livraria da Fundação António Quadros.

António Quadros, recorde-se, foi um dos mais importantes estudiosos e divulgadores de Fernando Pessoa.

Convido os meus amigos a solucionar este passatempo de Palavras-Cruzadas e encontrar a final, o título (3 palavras nas horizontais) de uma obra do filósofo e escritor António Quadros (1923-1993).


HORIZONTAIS: 1 – Discreta; Longe. 2 – Fama [figurado]; Pule. 3 – Contracção de De+a; Ateia; Sopro. 4 – Estima; Interjeição usada como saudação [Brasil]; Pão [Moçambique]. 5 – Retiro; Aprovação [figurado]. 6 – Inquieto; Nata. 7 – Esposa; Sem juízo [figurado]. 8 – Passado; Funda; Sujeita. 9 – Passe; Ignorância [figurado]; Interjeição que exprime espanto [Brasil]. 10 – Atitude; Veste. 11 – Íntegros; Perfumes.

VERTICAIS: 1 – Trespasses; Delicados. 2 – Emparceira. 3 – Lado do navio de onde vem o vento; Azar; Terra [figurado]. 4 – Remoinho de água [regionalismo]; Estorvos. 5 – Começo; Opinião política [figurado]. 6 – Justificação; Magoa [antiquado]. 7 – Alça; Ar. 8 – Ala [arquitectura]; Ergo. 9 – Além; Atrai; Uno. 10 – Pomposa. 11 – Espiritual; Realces.

Clique Aqui  para abrir e imprimir o PDF com o passatempo.


Aceito respostas até dia 25 de Julho, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Joaquim Pessoa

"AMOR COMBATE" é o título (2 palavras) de uma obra do poeta português Joaquim Pessoa (1948-2023), pedido com a resolução do passatempo de Palavras Cruzadas, referente ao mês de Junho de 2023.


Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; Donanfer II, El-Danny; Elvira Silva; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; Paulo Freixinho; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Sepol; Seven; Socrispim; Solitário; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo "devaneio"!  

quinta-feira, 1 de junho de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Joaquim Pessoa

Morreu no passado dia 17 de Abril de 2023, aos 75 anos, o poeta Joaquim Pessoa, autor de poemas como "Lisboa, menina e moça" e "Amélia dos olhos doces". Quem não conhece? Motivo sobejamente suficiente para o AlegriaBreve salientar, neste espaço, a sua vida e obra.

Nascido no Barreiro a 22 de Fevereiro de 1948, Joaquim Pessoa destacou-se profissionalmente como poeta, artista plástico, publicitário e como estudioso de arte pré-histórica.

Formado em Marketing e Publicidade, foi director criativo e director-geral de várias agências de publicidade e autor ou coautor de diversos programas de televisão, como "1000 Imagens", "Rua Sésamo" e "45 Anos de Publicidade em Portugal", entre outros.

Joaquim Pessoa foi também director da Sociedade Portuguesa de Autores, entre 1988 e 1994, director literário da Litexa Editora, director do jornal "Poetas & Trovadores", colaborador das revistas "Sílex" e "Vértice".

Juntamente com Ary dos Santos, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Luiz Villas-Boas, entre outros, fundou a cooperativa artística “Toma Lá Disco”.

Foi galardoado com o mais importante prémio português de poesia – o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura.

É considerado uma das vozes mais destacadas da poesia portuguesa do pós 25 de Abril, sendo considerado um renovador nesta área. O amor e a denúncia social são uma constante nas suas obras.

Convido os meus amigos a solucionar este passatempo de Palavras-Cruzadas e encontrar a final, o título (2 palavras nas horizontais) de uma obra do poeta português Joaquim Pessoa (1948-2023).


HORIZONTAIS: 1 – Explicação; Pessoa sem ânimo [figurado, pejorativo]. 2 – Ordenada. 3 – Caricia; Pertences. 4 – Orvalho [regionalismo]; Toque; Indigna. 5 – Devoção; Passas. 6 – Cavaleiro do exército alemão ou austríaco, armado de lança. 7 – Pessoa pouco inteligente [Brasil, coloquial]; Água potável [Angola]. 8 – Sufixo nominal utilizado na terminologia geológica para exprimir a ideia de rocha; Condigo; Muito. 9 – Consigo; Conversa. 10 – Luta [figurado]. 11 – Juízo [figurado]; Alegria [figurado].

VERTICAIS: 1 – Pura; Mandioca-doce. 2 – Ocasião. 3 – Amparo [figurado]; Rude [figurado]. 4 – Chega; Renque; Resplendor [figurado]. 5 – Valias; Parte. 6 – Escuro. 7 – Fosco; Inchar. 8 – Desenvolvido; Preposição que designa causa; Sujeito. 9 – Suave; Fundas. 10 – Lengalenga. 11 – Queimas; Preferis.

Clique  Aqui para abrir e imprimir o PDF com o passatempo.


Aceito respostas até dia 25 de Junho, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?

sexta-feira, 26 de maio de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Eduardo Lourenço (Revisitado)

"A NAU DE ÍCARO" são as 4 primeiras palavras de um título (11 palavras) de uma obra do professor e filósofo português Eduardo Lourenço (1923-2020), pedido com a resolução do passatempo de Palavras Cruzadas, referente ao mês de Maio de 2023.


Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; Donanfer II, El-Danny; Fumega; Homotaganus; Horácio; Jani; João Alberto Bentes; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Sepol; Seven; Socrispim; Solitário; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo. 

quarta-feira, 24 de maio de 2023

O charadismo em Ferreira de Castro

 


Há 125 anos nasceu o escritor Ferreira de Castro, em Ossela, concelho de Oliveira de Azeméis. Depois de ter terminado os estudos primários, emigrou para o Brasil, para trabalhar como empregado de armazém no seringal Paraíso, na selva amazónica. A experiência permitiu-lhe escrever “ A Selva”, um dos livros portugueses mais traduzidos em todo o mundo. No romance, que foca o drama dos trabalhadores dos seringais na Amazónia, ele relata a sua iniciação no mundo do charadismo.

«….quando era verdade ter descoberto um amigo no Sr. Guerreiro. Ou fosse pela cor da pele, ou ainda por saber francês e ter leitura, o guarda-livros mostrava-se-lhe afeiçoado no tom paternal do tratamento. E mais duma vez, à hora grata do poente, o chamara para debaixo da sapotilheira, e ali, sentados, o iniciara nos labirintos do charadismo. Com o «Luso-brasileiro» nas mãos esguias, passara das «novíssimas», de mais fácil decifração, às sincopadas, não também mui difíceis, e, depois, fora até aos logogrifos e enigmas, onde só metiam dente os mestres envelhecidos sobre os calepinos.
...
Em mira às suas boas graças, Alberto interessara-se e progredia constantemente:
- O charadismo disciplina o cérebro, dá cultura e ajuda a matar o tempo. Que ia eu fazer sem esta distracção? - dogmatizara uma tarde o Sr. Guerreiro...»

Ferreira de Castro │A Selva

segunda-feira, 1 de maio de 2023

O Cavador


"O Cavador", escultura de pedra concebida por António Augusto da Costa Mota (tio, 1862-1930), inaugurada em 1913 no Jardim Guerra Junqueiro (Jardim da Estrela), em Lisboa. Foi a primeira escultura a ser colocada naquele jardim após a implantação da República.

O Cavador

Dezembro, noite, canta o galo...
Rouco na treva canta o galo...
— Oh, dor! oh, dor! —
Aldeão não durmas!... Vai chamá-lo,
Miséria negra, vai chamá-lo!...
— Oh, dor! oh, dor! —
Bate-lhe à porta, é teu vassalo,
Que traga a enxada, é teu vassalo,
Fantasma negro, o cavador!

O vento ulula... Tremem ninhos...
Na noite aziaga tremem ninhos...
— Oh, dor! oh, dor! —
A neve cai, fria d'arminhos...
Na escuridão, fria d'arminhos...
— Oh, dor! oh, dor! —
Passa maldito nos caminhos,
D'enxada ao ombro nos caminhos,
Fantasma negro, o cavador!

Vem roxa a estrela d'alvorada...
Vem morta a estrela d'alvorada —
— Oh, dor! oh, dor! —
Montanhas nuas sob a geada!...
Hirtas, de bronze, sob a geada!...
— Oh, dor! oh, dor! —
Torvo, inclinado sobre a enxada,
Rasga as montanhas com a enxada,
Fantasma negro, o cavador!

Cavou, cavou desde que é dia...
Cavou, cavou... Bateu meio-dia...
— Oh, dor! oh, dor! —
De pé na encosta erma e bravia,
Triste na encosta erma e bravia,
— Oh, dor! oh, dor! —
Largando a enxada, «Ave-Maria!...»
Reza em silêncio... «Ave-Maria!...»
Fantasma negro, o cavador!

Cavou, cavou na serra agreste,
D'alva à noitinha, em serra agreste...
— Oh, dor! oh, dor! —
E um caldo em prémio tu lhe deste,
Meu Deus!... seis filhos tu lhe deste...
— Oh, dor! oh, dor! —
Batem trindades... «Pai Celeste!...
Bendito sejas, Pai Celeste!...»
Reza, fantasma, o cavador!

Cavou cem montes... que é do trigo?
Gerou seis bocas... que é do trigo?
— Oh, dor! oh, dor! —
Bateu a Fome ao seu postigo...
Bateu a Morte ao seu postigo...
— Oh, dor! oh, dor! —
«Que a paz de Deus seja comigo!...
Que a paz de Deus seja comigo!...»
Disse, expirando, o cavador!

Guerra Junqueiro, in "Os Simples", Junho 91.

Devaneios cruzadísticos │ Eduardo Lourenço (Revisitado)

Comemora-se neste ano de 2023 o 𝐂𝐞𝐧𝐭𝐞𝐧𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐝𝐞 𝐄𝐝𝐮𝐚𝐫𝐝𝐨 𝐋𝐨𝐮𝐫𝐞𝐧𝐜̧𝐨, professor, filósofo e pensador português, motivo mais que suficiente para o AlegriaBreve se juntar, ainda que modestamente, à celebração desta figura ímpar da cultura portuguesa, revisitando a sua vida e obra.

Nascido em S. Pedro de Rio Seco, concelho de Almeida, distrito da Guarda, a 23 de Maio de 1923, lecionou em diversas universidades, de Coimbra a Brasília, passando por Hamburgo, Heidelberg, Montpellier, Grenoble e Nice. Colaborador de longa data da Fundação Calouste Gulbenkian, foi seu administrador não executivo entre 2002 e 2012. De 2016 a 2020 foi Conselheiro de Estado, por nomeação presidencial. Faleceu em Lisboa no dia 1 de Dezembro de 2020.

Autor de mais de 40 títulos, possuiu desde sempre “um olhar inquietante sobre a realidade”, como destacaram os seus pares. 

O Labirinto da Saudade” é, porventura, a sua obra mais citada. Aproximou-se da modernidade na obra de Fernando Pessoa, através dos livros “Pessoa Revisitado” (1973), “Infinito Pessoa” (1975), “Pessoa, Rei da Nossa Baviera” (1986). Abrange muitos outros textos fundamentais, uns publicados, outros inéditos, e ainda outros cortados pela censura. Revelam a atenção e o interesse de Eduardo Lourenço, a partir de 1949, pela obra conhecida, na altura, de Fernando Pessoa.

Recebeu, ao longo da sua vida, numerosas distinções, entre as quais o Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), o Prémio Camões (1996)o Prémio Pessoa (2011) e o Prémio da Academia Francesa (2016). 

Entre outras condecorações, foi agraciado com as Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem da Liberdade. Foi ainda nomeado Officier de la Légion d’Honneur e consagrado Doutor Honoris Causa pelas Universidades do Rio de Janeiro (1995), Universidade de Coimbra (1996), Universidade Nova de Lisboa (1998) e Universidade de Bolonha (2006).

Foi amigo e manteve correspondência com grandes nomes da literatura portuguesa, caso de Jorge de Sena e Vergílio Ferreira.

Homem de enorme cultura, e todavia humilde, um dia confessou: «Sei que adquiri uma vasta sabedoria que não me serve para nada».

Convido os meus amigos a solucionar este passatempo de palavras-cruzadas e encontrar a final, nas horizontais, as 4 primeiras palavras de um título (11 palavras) de uma obra do professor e filósofo português Eduardo Lourenço (1923-2020).


HORIZONTAIS: 1 – Séries [figurado]; Fixa. 2 – Desgosta; Adivinhar. 3 – Tripulação; Está [figurado]; Preposição que designa meio. 4 – Torre; Descanso. 5 – Interjeição que exprime admiração [Moçambique]; Pequena caixa-clara que se percute com duas baquetas [Música]. 6 – Descompostura [figurado]. 7 – Indivíduo que foi vítima da sua própria ambição; Único. 8 – Interjeição indicativa de saudação [Brasil]; Murcha. 9 – Pertences; Imite; Graça [figurado]. 10 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de cauda; Rezas. 11- Molha; Penoso.

VERTICAIS: 1 – Apetite; Pobre. 2 – Ala [Arquitectura]; Vilar. 3 – Imorais; Pátria; Interjeição que exprime espanto [Angola]. 4 – Gume; Lavras. 5 – Preposição que designa privação; Afastada. 6 – Pesar; Intervim. 7 – Máscaras; Causa. 8 – Tímidos [figurado]; Preposição que designa estado. 9 – Mais [antiquado]; Indigna; Catafalco. 10 – Sebe; Fútil [figurado]. 11 – Areeiro; Finório.

Clique  Aqui para abrir e imprimir o PDF com o passatempo.


Aceito respostas até dia 25 de Maio, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?

sexta-feira, 28 de abril de 2023

José Malhoa (1855-1933)


Quadro “Festejando o São Martinho”, segundo José Malhoa. Porém, “Os bêbados” segundo o povo. Pintado em 1907 mostra bem a forma como o pintor via o povo português?  Passam, hoje, 168 anos que nasceu o pintor José Malhoa, nas Caldas da Rainha. Morreu em Figueiró dos Vinhos, em 26 de Outubro de 1933.  

O Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha foi o primeiro Museu em Portugal, construído de raiz. À frente está um busto, do escultor Leopoldo de Almeida. José Malhoa foi um vulto grande assim como Júlio Dantas nos princípios do século XX. Muito apreciados no seu tempo. No entanto, tiveram os seus detractores. Júlio Dantas de forma mais violenta, através do manifesto Anti-Dantas, do mestre José Almada Negreiros. José Malhoa não chegou a tanto. Foi um naturalista. Pintava o que achava que os seus olhos viam. 

Viveu numa época de grandes pintores: Columbano, Silva Porto, Condessa, Carlos Reis, Veloso Salgado, Henrique Poisão, João Vaz, António Ramalho, António Saúde….Mas Malhoa está num lugar à parte! 

O Desenho do Quadro “Os bêbados” foi comprado por Azeredo Perdigão. O Desenho é ainda mais brutal. A figura do ferrador (ainda com a bata do serviço). 


O Quadro “ Fado” está em Lisboa, no Museu do Fado, em Alfama. É um pouco como o pintor via o povo português. Ele era um homem do povo. A mulher do quadro é a Adelaide. A “Adelaide da Facada” (uma cicatriz de uma faca do próprio Amâncio?). A história do dinheiro, como versão que correu. Não, foi o companheiro, o célebre “Amâncio” (guitarrista, proxeneta), que não deixou que a alça descesse (há um desenho com ela em baixo). A veracidade desta versão é atestada num livro de António Montez, Director do Museu nas Caldas da Rainha. 

Amâncio era um rufia, que andava sempre com uma navalha de mola no bolso. Moravam numa casa na Rua do Capelão, que o pintor visitava com frequência. Por insistência do Amâncio, o pintor também lhe fez o retrato, que lho entregou. Todavia, nada se sabe acerca do paradeiro do quadro. Vendeu-o sem demora. O quadro é de 1910 e levou 2 anos a ser pintado.

Outros Retratos célebres: 

O retrato da jovem Laura Sauvignetti, pintado em 1888, que ela, já velha, doou ao Museu; 


O retrato do Príncipe Luís Filipe, pintado em 1908 e ficou incompleto, ele avisou que faltaria à próxima sessão porque ia a Vila Viçosa com o pai. José Malhoa que assinava os seus quadros de forma muito discreta neste caso assinou o seu nome, ao contrário do hábito, com uma grande força (é contra o assassinato do jovem príncipe que, por tão novo e sem responsabilidades na res pública, ainda não tinha contas a prestar). 


O retrato da Rainha D. Leonor, pintado em 1926, houve quem dissesse muito mal. Muito discutido (Rainha ou menina da Rua do Capelão?); na verdade, uma escultura existente em Beja é bem mais real.


Quadro “As Promessas”, pintado em 1933, ano da sua morte, inspirado numa procissão em Figueiró dos Vinhos; 


Quadro “ Meu Desalento”, inacabado, porque entretanto pintor morreu. Este último quadro dá que pensar. Como é que um homem tão admirado se deixou cair assim no desalento. Pois, a sua grande solidão! Vivia na companhia de uma sua irmã. 

A pintura ia já noutro caminho e ele sentia-se um tanto desalentado. Fialho de Almeida disse dele: “a sua pintura é uma odisseia rústica nacional”. José Malhoa pintou o povo como ele o via, um povo atrasado, amarrado por surperstições, misérias…pintou a vida real tal como ela é.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Almada Negreiros

"NOME DE GUERRA" é o título de uma obra do artista multidisciplinar português Almada Negreiros (1893-1970), pedido com a resolução do passatempo de palavras cruzadas, referente ao mês de Abril de 2023.

Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; El-Danny; Elvira Silva; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Sepol; Seven; Socrispim; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo. 

terça-feira, 25 de abril de 2023

In memoriam

É bom a proveitar esta data para lembrar os que morreram no dia 25 de Abril de 1974.

Fernando Giesteira tinha 17 anos e era um vivaço. Chegara de Montalegre e em miúdo adorava os bailaricos em Chaves e correr até ao alto da Nevosa. Tinha boa pinta e fora para Lisboa puxado uns anos antes por um familiar. Trabalhava como empregado de mesa na Cova da Onça, boîte frequentada por artistas, malta da bola e Polícia Judiciária. Saíra do trabalho e fora para a rua sem passar pela Pensão Flor, no Areeiro, o quarto onde vivia. Já arranjara um cravo vermelho e prendera-o certamente à camisa a cheirar ao fumo da noite.

José Harteley Barneto era o mais velho. Tinha 38 anos, quatro filhos e uma vida estável. Escriturário no Grémio Nacional dos Industriais de Confeitaria, morava na Flamenga, perto de Loures, e nascera em Vendas Novas. O pai ou a mãe eram ingleses e ele estava entusiasmado e sentia que tudo passara novamente a ser possível, mesmo o impossível.

José Guilherme Arruda tinha 20 anos. Viera há pouco tempo dos Açores, era excelente aluno e matriculara-se no segundo ano de Filosofia. Morava na Avenida Casal Ribeiro, perto do Saldanha, no centro de Lisboa. José Guilherme não tinha como esconder o sorriso, afinal estava a viver a história e a revolução que só conhecia na teoria.

Fernando Luís dos Reis tinha 23 anos. Era o único dos quatro que nascera em Lisboa e também o único militar. O seu batalhão era de Penamacor, mas ele estava de férias. Também por isso saiu à rua e dirigiu-se ao lugar onde talvez mais precisassem dele. Casara-se há pouco tempo e tinha planos de ser pai.

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Almada nasceu há 130 anos

José Sobral de Almada Negreiros nasceu no dia 7 de abril de 1893, em S. Tomé e Príncipe.
Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa - salvar a humanidade.”
- José de Almada Negreiros, in ‘A Invenção do Dia Claro’
Artista multidisciplinar, dedicou-se especialmente às artes e à escrita, tendo sido artista plástico, poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo e coreógrafo. Almada Negreiros ocupa uma posição de destaque na primeira geração de modernistas portugueses. Morreu em Lisboa, no dia 15 de junho de 1970, com 77 anos de idade.
Em outubro de 2018 foi assinado, entre o Camões, I.P e a Universidade de Göttingen, na Alemanha, o protocolo de criação da Cátedra José de Almada Negreiros naquela universidade alemã, com o objetivo de intensificar e melhorar as condições para estudar português no país.
Almada Negreiros na I Conferência Futurista, abril de 1917; Domínio Público

sábado, 1 de abril de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Almada Negreiros

Meus amigos, desta vez, não há texto. Preparei este Vídeo onde procurei apresentar o essencial da vida e obra de Almada Negreiros, artista multidisciplinar português que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas (desenho, pintura, etc...) e à escrita (romance, poesia, ensaio, dramaturgia), ocupando uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses.

Clique Aqui para abrir e visualizar o Vídeo

Esperando que tenham gostado, convido-vos a solucionar este passatempo de palavras-cruzadas e encontrar, a final, o título (3 palavras nas horizontais) do artista multidisciplinar português Almada Negreiros (1893-1970).


HORIZONTAIS: 1 – Desponte; Seca. 2 – Trolha; Anéis. 3 – Sufixo nominal que exprime a ideia de rocha; História. 4 – Família; Instante; Preposição que designa tempo. 5 – Lavra; Falha. 6 – Mama. 7 – Senhora (forma de tratamento) [Cabo Verde]; Aspira. 8 – Toma; Interjeição que exprime enfado [Angola]; Apuro. 9 – Afaga; Entidade Reguladora da Saúde [sigla]. 10 – Matraca; Luta [figurado]. 11 – Tolo [Brasil, coloquial]; Ligas.

VERTICAIS: 1 – Acha; Carne [Moçambique]. 2 – Ingénuo [popular]; trouxer. 3 – Dinheiro [coloquial]; Ala. 4 – Responsável; Diabo [popular]; Quiser. 5 – Interjeição que exprime surpresa; Chega. 6 – Corro. 7 – Segura; Simples. 8 – Indivíduo pertencente a uma casta nobre, na Índia; Junta; O [arcaico]. 9 – Indigna; Medi. 10 – Exaltadas; Interjeição que exprime impaciência. 11 – Torres; Alegria [figurado, plural].

Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF com o passatempo.


Aceito respostas até dia 25 de Abril, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?

domingo, 26 de março de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Natália Correia

"O VINHO E A LIRA" é o título de uma obra da poetisa portuguesa Natália Correia (1923-1993), pedido com a resolução do passatempo de palavras cruzadas, referente ao mês de Março de 2023.


Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; El-Danny;Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Seven; Socrispim; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo. 

sexta-feira, 24 de março de 2023

Os pescadores de Sesimbra

[...Este homem é de instinto comunista. Se um adoece, os outros ganham-lhe o pão: recebe o seu quinhão inteiro. Se morre, sustentam-lhe a viúva e os filhos, entregando-lhe o ganho que ele tinha em vida. Dão ao hospital e ao asilo uma parte do pescado. Toda a gente tem direito a ir ao mar – toda a gente tem direito à vida. Vai quem aparece, desde que seja marítimo. Acontece que o barco leva hoje quarenta homens e leva vinte amanhã... O produto das artes é dividido em quinhões iguais pela companha. A pesca do anzol é uma espécie de cooperativa, e a barca quase sempre dos pescadores [...

Raul Brandão │Os Pescadores

quarta-feira, 22 de março de 2023

Natália Correia - Auto retrato


"Auto-Retrato", 1956, Óleo sobre tela, 92,5 x 72,5 cm, Museu Carlos Machado, Ponta Delgada [MCM 6930]

Natália Correia viveu quase toda a sua vida em Lisboa, cidade angular de toda a sua existência. Na capital escolheu a sua residência numa zona de confluência de várias camadas sociais. À distância ficava-lhe o Rato (espaço aristocrático), ao cimo o Marquês de Pombal (área burguesa) e, defronte, a Avenida da Liberdade (zona cosmopolita).

Corriam os anos 50, quando a escritora, então em início da sua fulgurante carreira, descobriu, casualmente, um 5.º andar na Rua Rodrigues Sampaio. «Um dia vim aqui visitar uns amigos e a atmosfera da casa atraiu-me logo. Eles mudaram-se e este apartamento esteve muito tempo devoluto, como que à espera que eu casasse e o alugasse».

Situava-se num edifício sólido e elegante, discreto e requintado com, no rés-do-chão, uma das melhores pastelarias-restaurantes da cidade. Natália Correia passou a habitar o último piso após o seu casamento, em 1953, com Alfredo Lage Machado. «Ele foi o grande amor da sua vida», confidencia-nos Helena Cantos (protagonista feminina do filme "Santo Antero"), e amiga íntima durante décadas.

Com invulgar bom gosto, a poetisa decorou-o. Na entrada, dispôs sobre numa credência um busto seu da autoria de Martins Correia. No salão principal instalou a biblioteca composta por milhares de volumes, um auto-retrato [imagem supra], um óleo de Cesariny, uma escultura de Júlio de Sousa e uma máscara de Eça de Queiroz. Em posição de destaque, uma gigantesca mesa-secretária, estilo império, com tampo de mármore escuro e pés dourados, cadeiras Luís XVI, porcelanas chinesas (herdadas da mãe), peças de artesanato e um tabuleiro de xadrez; numa sala anexa, vários quadros contemporâneos, um canapé, um par de 'bergeres' e um bar de estilo renascença.

Durante duas décadas, a casa tornou-se um dos mais pujantes salões literários de Lisboa, onde se reuniam, pelas noites fora, escritores, pintores e políticos.

«Natália Correia e o seu marido cederam a sua elegante residência», descreve um jornal da época, «para a representação da peça de Jean-Paul Sartre, "Huis Clos", inédita entre nós. Foi interpretada por Natália Correia, Maria Ferreira, Castro Freire e Manuel Lima».

O espectáculo, encenado por Carlos Wallenstein (açoriano), teve entre a assistência Isabel da Nóbrega, Urbano Tavares Rodrigues, Sophia de Mello Breyner, Francisco Sousa Tavares, João Gaspar Simões, Fernando Amado e Almada Negreiros.

Numa noite, em 1960, Henry Miller bate à porta de Natália que fica espantada. Ele entra, senta-se e discute com os presentes, entre os quais David Mourão-Ferreira e Delfim Santos, o tema do amor. Ao sair, o romancista norte-americano exclamará: «Aqui sentimo-nos ou no século XVIII ou no ano 2000. Foi preciso vir a Portugal para encontrar uma verdadeira pitonisa».

Entre outros vultos universais que a frequentaram, destacam-se Ionesco, Claude Roi e Michaux.

ANTÓNIO BRÁS (in https://www.modaemoda.pt/)

quarta-feira, 1 de março de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Natália Correia

Celebra-se, neste ano de 2023, o centenário do nascimento de Natália Correia, portuguesa, poetisa, ficcionista, autora dramática e ensaísta. Nascida em 1923 e falecida em 1993, natural dos Açores, facto que levou a insularidade a tornar-se uma linha de força presente em todo o seu percurso literário. O AlegriaBreve assinala o evento, dedicando-lhe o passatempo de Palavras-Cruzadas, referente ao mês de Março.

Figura marcante da cultura e da literatura portuguesas contemporâneas, Natália Correia distinguiu-se também pela sua atividade política, tendo exercido, com a mesma irreverência que pauta toda a sua existência, o cargo de deputada.

Escritora que manteve uma posição de independência relativamente a modelos e movimentos literários, embora seja, mesmo aceitando que são poucos os "exemplos que podemos colher na sua poesia de uma aproximação da sua parte a procedimentos estilísticos típicos dos surrealistas", frequentemente associada ao Surrealismo. Por isso, amiga dos Surrealistas, do poeta Mário Casariny, curiosamente também nascido em 1923. Por isso, o AlegriaBreve promete evocar aqui, no próximo mês de Agosto, tal efeméride.

Natália Correia simbolizou, como poucos, as inquietações do século XX português. Precoce e radical no pensamento feminino, incompreendida e amada, lançou um olhar oracular sobre o seu tempo. Em tertúlias, que eram verdadeiras olimpíadas da confraternização lisboeta, o seu traço aglutinador envolvia, juntamente com o fumo dos cigarros, intelectuais e admiradores. A partir de 1971, essas reuniões passaram a ter lugar no famoso bar "Botequim".

Natália Correia foi agraciada com vários prémios, com destaque para o Prémio La Fleur de Laure (1977) e o Grande Prémio de Poesia APE (1990), este pelo livro “Sonetos Românticos”.

Convido os meus amigos a solucionar este passatempo de palavras-cruzadas e encontrar, a final, o título (5 palavras nas horizontais) de uma obra da poetisa portuguesa Natália Correia (1923-1993).



HORIZONTAIS: 1 – Censura; Perspicaz [figurado]. 2 – Namorado [popular]; Ninho [regionalismo]. 3 – Interjeição usada como saudação [Brasil]; Pinga; Então. 4 – Rotineiro; Soluçar. 5 – Alcunhar [figurado]. 6 – Interjeição usada para chamamento; Custas. 7 – Demandas. 8 – Suam [Guiné]; Repetiu. 9 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de um só; Inspiração [figurado]; Acontecer. 10 – Poesia [figurado]; Classe. 11 – Pulo; Tagarelas.

VERTICAIS: 1 – Partida; Ferva. 2 – Baixas; Índigo. 3 – Uno; Fogueiras; Troça. 4 – Calcar; Pesquisas. 5 – Espúrio. 6 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de burro; Quociente de inteligência [sigla]. 7 – Casamento. 8 – Máxima; Estimula. 9 – Interjeição que exprime dor; Atado; Mais [antiquado]. 10 – Espécie de calha que dá vazão à água e a outros despejos do navio; Perceba. 11 – Interjeição que exprime satisfação [popular]; Famas.


Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF.


Aceito respostas até dia 25 de Março, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Eugénio de Andrade

"OS SULCOS DA SEDE" é o título de uma obra do poeta português Eugénio de Andrade pedido com a resolução do passatempo de palavras cruzadas, referente ao mês de Fevereiro de 2023.

Tirado do citado livro "OS SULCOS DA SEDE, este poema "AOS JACARANDÁS DE LISBOA", esperando que seja do vosso agrado, tanto como do meu.

São eles que anunciam o verão.
Não sei doutra glória, doutro
paraíso: à sua entrada os jacarandás
estão em flor, um de cada lado.
E um sorriso, tranquila morada,
à minha espera.
O espaço a toda a roda
multiplica os seus espelhos, abre
varandas para o mar.
É como nos sonhos mais pueris:
posso voar quase rente
às nuvens altas – irmão dos pássaros –,
perder-me no ar.


Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; El-Danny; Elvira Silva; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Sepol; Seven; Socrispim; Solitário; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo. 

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

Os gatos de Eugénio de Andrade

Acerca de Gatos

Em Abril chegam os gatos: à frente
o mais antigo, eu tinha
dez anos ou nem isso,
um pequeno tigre que nunca se habituou
às areias do caixote, mas foi quem
primeiro me tomou o coração de assalto.
Veio depois, já em Coimbra, uma gata
que não parava em casa: fornicava
e paria no pinhal, não lhe tive
afeição que durasse, nem ela a merecia,
de tão puta. Só muitos anos
depois entrou em casa, para ser
senhora dela, o pequeno persa
azul. A beleza vira-nos a alma
do avesso e vai-se embora.
Por isso, quem me lambe a ferida
aberta que me deixou a sua morte
é agora uma gatita rafeira e negra
com três ou quatro borradelas de cal
na barriga. É ao sol dos seus olhos
que talvez aqueça as mãos, e partilhe
a leitura do Público ao domingo.

Eugénio de Andrade, in Sal da Língua