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quarta-feira, 17 de abril de 2019

morrer de amor

Eça de Queirós já estava nos seus 52 anos de idade, quando, em 1897, a Revista Moderna publicou o conto "José Matias". Nas palavras sábias do historiador António José Saraiva, estamos perante uma obra-prima. José Matias é um homem que morre por amor. Durante o enterro, a caminho do cemitério dos Prazeres, Eça conta, em flash-back, a história da paixão que levou José Matias àquele fim. A associação do Amor e da Morte, que é frequente em Eça, tem aqui um símbolo inolvidável.

Foi o último texto de Eça de Queirós a ser publicado quando o autor ainda era vivo e traz algumas das características de sua prosa: a naturalidade, a fluência, a precisão e a oralidade. No conto Eça de Queirós apresenta-nos uma extraordinária intriga amorosa que lhe serve de pretexto para uma crítica, feroz mas doce, ao ultra-romantismo.

Acabei de o (re)ler. É, como diz António José Saraiva, uma obra-prima.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

A delícia das coisas imperfeitas


Acabei de (re)ler "Perfeição", um Conto de Eça de Queirós. Um deslumbramento, um prazer imenso como sempre acontece ler um dos mestres da Língua portuguesa.    .

Eça, para escrever este conto, inspirou-se no Canto V da Odisseia, reescrevendo-a. Foi escrito em 1897, perto do final de vida, na fase a que se chama, na expressão feliz do Prof. Miguel Real, " O Último Eça". 

Após 8 anos, retido nos braços da Deusa Calipso, na Ilha de Ogígia, Ulisses quer voltar à sua Ítaca, quer rever a mortal Penélope, que o espera tecendo e destecendo a teia, ele quer estar com o doce Telémaco, o seu filhinho que deixou nos braços da ama quando partiu para Guerra de Tróia.

Ulisses, eternamente preso, sem amor, pelo amor de uma deusa, já não suporta a paz, a doçura daquele paraíso onde tudo é perfeito. Após longos 8 anos, Ulisses, o mais subtil dos humanos, só aspira ao macio repouso, vigiando os seus gados, concebendo sábias leia para os seus povos.

Por isso, um dia, ele fugiu da ilha da deusa Calipso, na jangada que ele próprio construiu. Partiu para os trabalhos, para as tormentas, para as misérias...para a delícia das coisas imperfeitas.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

Devaneios cruzadísticos │Ricardo Reis

O AlegriaBreve convoca-nos, este mês, para comemorar mais um centenário, este deveras singular. Faz 100 anos que o poeta Ricardo Reis, o latinista, o poeta das odes, partiu para o Brasil!

Quem o diz é o seu criador, o poeta Fernando Pessoa, na célebre carta sobre a génese dos heterónimos, de 13 de Janeiro de 1935: «[…] Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil...Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico, vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. […] ».

Fernando Pessoa mandou Ricardo Reis para o Brasil e nunca mais falou dele. Ficou o enigma.

Foram precisos 50 anos para esse mistério ser desvendado. Devemo-lo a José Saramago, com a publicação desse romance extraordinário que é "O Ano da Morte de Ricardo Reis". 

Segundo a narrativa de Saramago, Ricardo Reis regressa do Brasil e desembarca no Cais de Alcântara, em Lisboa, no dia 29 de Dezembro de 1935; vem a Portugal depois da cólica hepática que vitimou Fernando Pessoa no dia 30 de Novembro de 1935 e chamado por um telegrama de Álvaro de Campos; o primeiro local que visita é o Cemitério dos Prazeres, quer estar frente ao jazigo nº4371 onde repousa o poeta Fernando Pessoa na companhia da avó Dionísia; conhece duas mulheres: Marcenda Sampaio, que tem uma paralisia na mão esquerda, e Lídia, criada de hotel, que, mais tarde, e depois de relações carnais com o senhor doutor, irá ficar grávida; vai em "peregrinação" a Fátima mas «não fica para o adeus à Virgem»; percorre a cidade de Lisboa à busca do tempo perdido; encontra-se com Fernando Pessoa por 11 vezes, nos locais mais insólitos da cidade, para diálogos delirantemente estimulantes. 

Ao fim de nove meses (tempo em que o Fernando Pessoa tem autorização para sair do cemitério!) os dois têm o último encontro. Acontece no dia 9 de Setembro de 1936 (no dia a seguir à "Revolta dos Marinheiros"). Ricardo Reis acompanha Fernando Pessoa até ao cemitério, onde descansam ambos para todo o sempre. 

Está encontrado o ano em que Ricardo Reis morreu! As suas últimas palavras foram: «Deixo o mundo aliviado de um enigma».

O convite é, meus amigos, decifrar este problema e encontrar, no final, o primeiro verso (4 palavras nas horizontais) de um poema de Ricardo Reis, heterónimo do poeta português Fernando Pessoa (1888-1935).


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HORIZONTAIS: 1 – Procura; Desfalque. 2 – Sagaz [popular]. 3 – Suceder; Bagatela; Porque [arcaico]. 4 – Esta; Habitação [Guiné-Bissau]; Pátria. 5 – Esconde; Siga. 6 – Interjeição que exprime espanto; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de ouvido. 7 – Usarás; Valente. 8 – Nome da sétima letra do alfabeto grego; Interjeição que exprime enfado [Angola]; Graça [figurado]. 9 – Como; Em grande número; Símbolo de silício. 10 – Fresta. 11 – Provocas [figurado]; A totalidade de pessoas.

VERTICAIS: 1 – Tira; Firme. 2 – Pequena repreensão. 3 – Preposição que designa matéria; Designação oriental de cada uma das celas utilizadas por alguns anacoretas [antiquado]; Símbolo de plutónio. 4 – Estilo musical em que a letra é dita rápida e ritmadamente; Menino [Brasil]; Suavidade [figurado]. 5 – Ladra [regionalismo]; Lugar muito quente [figurado]. 6 – Rude [figurado]; Remes em sentido contrário para retroceder. 7 – Hesita; Derrotei. 8 – Glória [figurado]; Carácter [figurado]; Abreviatura de artigo. 9 – Símbolo de sudoeste; Largas; Alternativa. 10 – Conquistas. 11 – Grave; Alivio.

A sortear: Prémio Porto Editora

Clique  Aqui  para abrir e imprimir o PDF.


Aceito respostas até dia 25 de Abril, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?

segunda-feira, 25 de março de 2019

Devaneios cruzadísticos │Jorge de Sena

"Sinais de Fogo" é o título de uma obra do escritor português Jorge de Sena, pedido com a resolução do passatempo referente ao mês de Março de 2019.

Publicada após a morte do autor, "Sinais de Fogo" é a obra mais conhecida de Jorge de Sena, sendo considerada, com frequência, um romance autobiográfico. Um retrato de Portugal nos anos trinta, em pleno Estado Novo, e com um país vizinho em guerra. Considerado um dos grandes romances da Língua portuguesa da primeira metade do séc. XX, vale a pena conhecer Sinais de Fogo-Grandes Livros (Série RTP)


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Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita; Baby; Caba; Candy; Corsário; Dupla Algarvia (Anjerod e Mister Miguel); El-Danny; El-Nunes; Fernando Semana; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Bentes; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lurdes; My Lord; Neveiva; Olidino; O. K.; Paulo Freixinho; Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Seven; Socrispim; Somar; Virgílio Atalaya e Zabeli.

Premiada: Maria de Lourdes, Amadora.
Prémio Porto Editora

Até ao próximo!