Como se pode ler na placa existente no Largo de São Sebastião, junto à Capela, na Ericeira, os barcos desta vila rumavam outrora até ao Brasil, onde viria a estabelecer-se uma colónia constituída por famílias oriundas da Ericeira. Essa povoação recebeu inicialmente o nome de Colónia Nova Ericeira, testemunho de uma ligação histórica que o tempo não apagou.
Criada oficialmente por decreto de D. João VI, a 25 de Março de 1818, a colónia situava-se no litoral do actual Estado de Santa Catarina, no Sul do Brasil, na antiga Enseada das Garoupas. Para ali partiram cerca de 300 a 400 famílias de jagozes — designação tradicionalmente associada aos naturais da Ericeira, em particular à sua comunidade piscatória —, com o propósito de desenvolver a actividade da pesca e contribuir para a ocupação daquele território pela Coroa Portuguesa.
As circunstâncias políticas da época e a Independência do Brasil, proclamada em 1822, acabariam por ditar o fim administrativo da colónia, em 1824. A povoação prosseguiu, porém, o seu percurso histórico, e o território corresponde hoje ao município brasileiro de Porto Belo, no Estado de Santa Catarina.
É neste contexto histórico que ganha particular significado a iniciativa Missão aMar, um projecto solidário e de intercâmbio cultural promovido pelas Paróquias da Ericeira e da Carvoeira.
Recentemente (especificamente de 24 de Agosto a 5 de Setembro de 2026), uma comitiva constituída maioritariamente por jovens voluntários destas comunidades paroquiais viajou até Porto Belo, a antiga Nova Ericeira, levando consigo não apenas o espírito de solidariedade e de serviço, mas também a memória de uma história partilhada.
Mais do que uma viagem, esta missão representou um reencontro simbólico entre duas comunidades ligadas pelas suas raízes, pelo mar e pela fé. Passados mais de dois séculos desde a fundação da Colónia Nova Ericeira, a Missão aMar veio recordar-nos que os laços entre os povos podem sobreviver à distância, às mudanças políticas e à passagem das gerações.
O Atlântico, que outrora separava os que partiram dos que ficaram, é hoje também uma ponte de amizade, solidariedade e fraternidade entre a Ericeira e Porto Belo.

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