A minha Lista de blogues

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Sophia e o mar



Quando eu morrer

Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar

De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.


Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O caminho de Sophia


O Caminho da Manhã 

Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada nos teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta e vai pelas pequenas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco de cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor de rosa e cor de prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem ao pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor de rosa e de todos eles corre uma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada, sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. 
Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada. Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível. 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Cesário Verde aos olhos de Sophia

Cesário Verde

Quis dizer o mais claro e o mais corrente
Em fala chã e em lúcida esquadria
Ser e dizer na justa luz do dia
Falar claro falar limpo falar rente
Porém nas roucas ruas da cidade
A nítida pupila se alucina
Cães se miram no vidro de retina
E ele vai naufragando como um barco
Amou vinhas e searas e campinas
Horizontes honestos e lavados
Mas bebeu a cidade a longos tragos
Deambulou por praças por esquinas
Fugiu da peste e da melancolia
Livre se quis e não servo dos fados
Diurno se quis - porém a luzidia
Noite assombrou os olhos dilatados
Reflectindo o tremor da luz nas margens
Entre ruelas vê-se ao fundo o rio
Ele o viu com seus olhos de navio
Atentos à surpresa das imagens

Sophia de Mello Breyner, in "Ilhas"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

"A Estrela" de Sophia

A Estrela

Eu caminhei na noite
Entre silêncio e frio
Só uma estrela secreta me guiava.

Grandes perigos na noite me apareceram
Da minha estrela julguei que eu a julgara
Verdadeira sendo ela só reflexo
De uma cidade a néon enfeitada.

A minha solidão me pareceu coroa
Sinal de perfeição em minha fronte
Mas vi quando no vento me humilhava
Que a coroa que eu levava era de um ferro
Tão pesado que toda me dobrava.

Do frio das montanhas eu pensei
«Minha pureza me cerca e me rodeia»
Porém meu pensamento apodreceu
E a pureza das coisas cintilava
E eu vi que a limpidez não era eu.

E a fraqueza da carne e a miragem do espírito
Em monstruosa voz se transformaram
Disse às pedras do monte que falassem
Mas elas como pedras se calaram
Sozinha me vi delirante e perdida
E uma estrela serena me espantava.

E eu caminhei na noite minha sombra
De desmedidos gestos me cercava
Silêncio e medo
Nos confins desolados caminhavam
Então eu vi chegar ao meu encontro
Aqueles que uma estrela iluminava.

E assim eles disseram: «Vem connosco
Se também vens seguindo aquela estrela»
Então soube que a estrela que eu seguia
Era real e não imaginada.

Grandes noites redondas nos cercaram
Grandes brumas miragens nos mostraram
Grandes silêncios de ecos vagabundos
Em direcções distantes nos chamaram
E a sombra dos três homens sobre a terra
Ao lado dos meus passos caminhava
E eu espantada vi que aquela estrela
Para a cidade dos homens nos guiava.

E a estrela do céu parou em cima
de uma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha a cor que tem a cinza
Longe do verde azul da natureza.

Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água.

Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais triste e mais sozinha
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado.

Nesse lugar pensei: «Quanto deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens e tão perto.

Sophia de Mello Breyner Andresen | "Livro sexto", 1962

domingo, 6 de janeiro de 2019

Sophia e a alfarrobeira


As férias algarvias de Sophia de Mello Breyner relembradas pelo neto, o jornalista Pedro Sousa Tavares, no seguinte texto, hoje publicado no jornal "O Observador".

"Há muito que deixei aquela praia
De grandes areais e grandes vagas
Mas sou eu ainda quem na brisa respira
E é por mim que espera cintilando a maré vaza"

Sophia de Mello Breyner Andresen, "Há Muito"


O levante é sempre uma dádiva com os dias contados. Três, seis ou nove, assim o mediam os antigos, quando as contas ainda batiam certas. Pelo meio - na maior parte do tempo, para não mentir - é a nortada, sua némesis, quem dita as regras, levantando areia e guarda-sóis, tornando geladas as noites e, única virtude que se lhe reconhece, expulsando melgas e mosquitos para outras paragens.

Nas noites de nortada, Sophia deixava-se ficar até tarde a cismar no seu "escritório", um mezanino por cima da sala, na casa da Meia Praia, que os netos sempre encararam como o seu santuário privado, ainda que nunca o tivesse reivindicado como tal. Acendia os seus cigarros slim, que invariavelmente esquecia no cinzeiro depois da primeira passa, bebericava o seu chá, que parecia durar para sempre e nunca parar de fumegar e, com a portada de vidro entreaberta, passava horas a ouvir o vento a silvar entre os pinheiros.

Lembro-me disso porque, tendo-lhe herdado os genes noctívagos, ocupava muitas das mesmas horas imediatamente em baixo do mezanino, sentado na mesa de jantar, levando sucessivas abadas no xadrez do meu tio Xavier até às raras e triunfais ocasiões em que, geralmente apanhando-o já meio a dormir, descortinava um erro que me permitia recompor o meu score para um mais digno 1-10 ou 1-11. 

Entre os nossos silêncios de jogadores, e o seu silêncio de poeta, era capaz de jurar que o vento que entrava pela janela lhe falava ao ouvido e que ela, num murmúrio, tão leve que talvez fosse apenas imaginado, lhe respondia. 

- Mãe, vá-se deitar -, suplicava às tantas o meu tio, quando nós próprios claudicávamos ao sono. 

- Vou já, Xavier. 

Muitas vezes nunca ia. Adormecia ali mesmo. Embalada pelo vento. 

Nos dias de levante a Meia Praia transformava-se na melhor praia do mundo. O mar, por norma parado como um lago, enchia-se de vida, proporcionando-nos épicas sessões de carreirinhas e obrigando o nadador-salvador a abandonar o seu posto habitual - uma cadeira à sombra, onde, imagino maldosamente, se recompunha, a sono solto, das aventuras nocturnas da véspera - para impor a ordem possível entre multidões de crianças e adolescentes eufóricos. A temperatura da água subia, dia após dia, até ir bem para lá dos 20 graus, facto que alguém - já não me lembro quem - atestava cientificamente com um daqueles termómetros em forma de peixe que se usavam nas banheiras dos bebés. E o vento de sul envolvia-nos num abraço, transformando a água que nos escorria pela cara num caldo morno com sabor a sal e algas. 

Não era apenas nesses dias que Sophia lá ia. Mas as memórias que guardo dela na Meia Praia estão invariavelmente ligadas ao esplendor dessas manhãs e tardes de levante, que muitas vezes duravam até anoitecer. Talvez por estarem arquivadas na mesma pasta destinada às boas recordações. 

Nunca aparecia antes das duas, três horas. Não por se levantar tarde - coisa que raramente fazia, apesar dos longos serões - mas por preferir evitar as horas de maior calor. Havia sempre alguém a oferecer-se para a ir buscar a casa mas, muitas vezes, dispensava a oferta, preferindo fazer a pé o trajecto de meio quilómetro até ao areal. Por vezes apanhava boleias improváveis. Num ano, já bem na casa dos setenta, arranjou uma empregada que guiava uma scooter e passou as férias a deslocar-se para a Meia Praia sentada de lado atrás da condutora, à amazona, com uma alcofa numa mão e uma sombrinha japonesa na outra. 

Chegava à praia sempre elegante, com longas túnicas ou vestidos de tecidos leves, chapéu de palha na cabeça. Pousava a alcofa, estendia a esteira, também de palha. Já de fato de banho, ainda segurando a sombrinha, que só largava à beira-mar, avançava decidida até à primeira onda, mergulhando de cabeça. Lembro-me de ver, orgulhoso, o olhar embasbacado de duas turistas inglesas que assistiram a um desses rituais. 

Era uma excelente nadadora, de gestos estilizados, como uma atleta olímpica. Lá em casa, cumpria religiosamente as suas sessões de bruços de fim de tarde na piscina ladeada por uma alfarrobeira, em cujos ramos pousava as coisas antes de entrar na água. Vê-la a nadar, de braçada certa e uma respiração cadenciada (que também usava para se acalmar quando alguma coisa a irritava), era um momento tão solene que conseguia a proeza de nos manter a nós, netos, a uma invulgar e respeitosa distância da água. 

A alfarrobeira, que adorava, nunca deixou de ser um pesadelo logístico para todos os mestres-de-obras e técnicos de manutenção que passaram pela casa. As suas raízes levantam o chão de tijolo vermelho e já furaram as paredes da piscina duas ou três vezes. As suas folhas e frutos sujam a água e entopem os filtros. Os apelos para a deitarmos abaixo sucederam-se ao longo dos anos. Mas isso sempre esteve fora de questão: aquela árvore, por estranho que esta afirmação possa parecer, também é ela.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Diálogos poéticos - Sophia e Fernando Pessoa

O Infante D. Pedro é, para muitos historiadores, e não só, uma personalidade fulcral da história portuguesa. Personalidade extraordinária, mas mal tratada: caído em desgraça, a sua memória foi deliberadamente apagada ou distorcida. Só nos séculos XIX e XX a sua figura e actuação política foram reavaliadas e historicamente valorizadas, ainda que continue a ser, por vezes, “julgado à luz de sectarismos incompreensíveis”, que impossibilitam um julgamento justo. 

Muito por acção dos poetas, aqui citamos Sophia e Pessoa, ele vem sendo colocado no lugar da História que merece.  

Infelizmente, não recebeu só «insulto e morte», como diz Sophia, recebeu também esquecimento. 

Pranto pelo Infante D. Pedro das Sete Partidas

Nunca choraremos bastante nem com pranto
Assaz amargo e forte
Aquele que fundou glória e grandeza
E recebeu em paga insulto e morte.

Sophia de Mello Breyner, 17 /12/1961 


Fernando pessoa retrata-o sob o signo da “claridade”: “Claro a pensar, e claro no sentir, / E claro no querer”, isto é, como homem determinado, sábio e lúcido. Pessoa invoca nestes versos a consolidação da ideia imperial de Portugal como momento sagrado de passagem para uma futura instauração do Quinto Império.

D. Pedro, Regente de Portugal

Claro em pensar, e claro no sentir,
E claro no querer;
Indiferente ao que há em conseguir
Que seja só obter;
Dúplice dono, sem me dividir,
De dever e de ser —

Não me podia a Sorte dar guarída
Por não ser eu dos seus.
Assim vivi, assim morri, a vida,
Calmo sob mudos céus,
Fiel à palavra dada e à ideia tida.
Tudo o mais é com Deus!

Fernando Pessoa, in “Mensagem”

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Esta é a madrugada que eu esperava


Esta é a célebre fotografia de Eduardo Gageiro, em que Sophia escreve à janela, com os carrinhos de brincar do filho Miguel no parapeito, um bule de chá ao lado.

Sophia foi uma figura corajosa no combate ao regime do Estado Novo, cujas lutas partilhou com o marido, jornalista Fransciso Sousa Tavares, com quem se casou em 1946.

Não admira, por isso, que tenham saído da sua mão os lemas proféticos associados à Revolução dos Cravos.


25 de Abril

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Devaneios cruzadísticos │Sophia de Mello Breyner

Sophia de Mello Breyner Andresen foi das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999.


Sophia nasceu a 6 de Novembro 1919 no Porto, o que significa que, neste ano de 2019, comemoramos os 100 anos do seu nascimento.

O AlegriaBreve dedica-lhe o primeiro passatempo do ano e, durante o mês de Janeiro, irá publicar muita poesia e outras coisas bonitas de Sophia.

Começou por escrever histórias infantis para os seus filhos, como "A Fada Oriana" ou "O Rapaz de Bronze", tão mágicas que ainda hoje as damos a conhecer aos nossos filhos e eles hão-de contá-as aos seus.

É uma voz que alia o classicismo e a modernidade e é isto que lhe dá uma grande actualidade e a torna uma figura ímpar, não apenas na poesia portuguesa, mas também na poesia europeia. 

O universo temático de Sophia é muito abrangente e pode ser assim resumido: A busca da justiça; A tomada de consciência do tempo em que vivemos; A natureza e o mar; A vida em oposição à morte; A memória da infância; Os valores da antiguidade clássica; A crença em valores messiânicos e sebastianistas e, finalmente, o humanismo cristão.

Sophia, além de ter sido uma grande poetisa, foi uma cidadã exemplar, uma vez que nós não podemos distinguir aquilo que foi a sua presença cívica permanente em defesa dos valores da liberdade e a sua criação artística.

A sua obra está traduzida em várias línguas e foi várias vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana. 

Faleceu a 2 de Julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.

O convite é, meus amigos, resolver este problema de palavras cruzadas e, no final, encontrar o título de uma obra (4 palavras nas horizontais) da autoria da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner (1919 - 2004).


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A sortear: Prémio Porto Editora

HORIZONTAIS: 1 – Histórias; Situar. 2 – Endivida; Agarrei. 3 – Símbolo de molibdénio; Cobre; Prefixo que exprime a ideia de igual. 4 – Singular; Prefira; Albino [Brasil]. 5 – Borla [coloquial]; Entras. 6 – Vingança; Período. 7 – Nova; Sem juízo [figurado]. 8 – Sufixo nominal, feminino ou de dois géneros, que tem sentido diminutivo; Interjeição que exprime espanto [Brasil]; Orla. 9 De + o [contracção]; Juízo [figurado]; Grito de alegria. 10 – Grande quantidade [figurado]; Antiga flauta de pastor [poético]. 11 – Acautela; Insignificante.

VERTICAIS: 1 – Ordinário; Desenvolve-se. 2 – Garantia; Fama [figurado]. 3 – Como; Regula; Meu [arcaico]. 4 – Mas; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de boca; Defeito. 5 – Mina; Contingente. 6 – Acaba [Angola]; Sujeito. 7 – Greve; Laço para caçar perdizes. 8 – Costume; Indigno; Saúde. 9 – Símbolo de silício; Critica; O [arcaico]. 10 – Ala; Trema. 11 – Campos; Mulheres [popular].


Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF.


Aceito respostas até dia 25 de Janeiro, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Devaneios cruzadísticos │Alves Redol

"Barranco de Cegos" é o título de uma obra do escritor português Alves Redol, pedido com a resolução do passatempo referente ao mês de Dezembro de 2018.

O romance foi publicado em 1962, mas a história discorre sobre os últimos anos da Monarquia em Portugal. É considerada uma das melhores criações da carreira literária do autor, sendo também considerado um dos romances essenciais do Neo-Realismo português.

Narra a luta de um proprietário ribatejano, Diogo Relvas, contra a invasão das indústrias e dos interesses financeiros, num contexto de progressiva afirmação do capitalismo. O título do romance, "Barranco de Cegos", retirado da epígrafe de S. Mateus ("Deixai-os; cegos são e condutores de cegos; e se um cego guia a outro cego, ambos vêm a cair no barranco") anuncia, no entanto, que esse combate se encontra, à partida, perdido.

O romance narra a caminhada inconsciente e irremediável da família Relvas e da Nação para o abismo de derrota e de morte, simbolizados, no último capítulo, no corpo embalsamado do velho Relvas que persiste em manter-se agarrado à vida. Vale a pena ler.

O AlegriaBreve tem o prazer de comunicar aos seus amigos que participam no passatempo que, a partir do próximo mês, vai ser sempre sorteado um livro por entre os participantes nos "Devaneios cruzadísticos". Tal oferta só é possível graças à gentileza da Porto Editora, a quem deixamos aqui um público agradecimento.


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Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita; Baby; Caba; Corsário; Dupla Algarvia (Anjerod e Mister Miguel); El-Danny; El-Nunes; Fernando Semana; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Bentes; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Lulopes; Mafirevi; Magno; Magriço; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lurdes; My Lord; Olidino; O. K.; Paulo Freixinho; Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Seven; Socrispim; Somar; Virgílio Atalaya e Zabeli.

Até ao próximo!