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sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Devaneios cruzadísticos │ Nuno Júdice

"Por Todos os Séculos" é o titulo da obra do poeta português Nuno Júdice, pedido com a resolução do passatempo de palavras cruzadas, referente ao mês de Agosto de 2022.


Participaram: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; Crispim; Donanfer II, El-Danny; Elvira Silva; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; O. K.; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Seven; Socrispim; Somar; Virgílio Atalaya e Zabeli.
A todos, obrigado.
Até ao próximo.

domingo, 14 de agosto de 2022

Em Agosto com Nuno Júdice

Lição

(a Eugénio de Andrade)


É no verão que se aprende a poesìa,
disseste; e em cada um dos verões que a vida
nos traz, em que se aprende e desaprende
o mais certo, entre o amor e a morte,
que cada um tem de saber. No quintal,
onde já não existe a romãzeira da infância,
ouvindo o vento que sobe da terra, trazendo
um antigo furor de ervas e raízes; ou
no largo aberto para o tempo que foi,
e esse que há-de vir. Abro contigo o livro
branco de todos os lugares e de todos
os nomes: o livro da poesia, aprendida
com o desfolhar dos verões, enquanto
as mães se despedem da vida, e uma baça
adolescência se confunde com a névoa
de agosto. Leio devagar, como se
interpretasse, e um fogo embarcado
nos olhos enfunasse a mais obscura
das imaginações: o verso, aprendido
no leito da memória, no verão
em que se aprende a poesia, disseste.

«Aprendíamos a amar, aprendíamos/a morrer»
Eugénio de Andrade


Nuno Júdice in “Pedro, lembrando Inês”

segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Em Agosto com Nuno Júdice

Exercício

Pego num pedaço de silêncio. Parto-o ao meio,
e vejo saírem de dentro dele as palavras que
ficaram por dizer. Umas, meto-as num frasco
com o álcool da memória, para que se
transformem num licor de remorso; outras,
guardo-as na cabeça para as dizer, um dia,
a quem me perguntou o que significavam.
Mas o silêncio de onde as palavras saíram
volta a espalhar-se sobre elas. Bebo o licor
do remorso; e tiro da cabeça as outras palavras
que lá ficaram, até o ruído desaparecer, e só
o silêncio ficar, inteiro, sem nada por dentro.

Nuno Júdice

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

No mês de Agosto com Nuno Júdice

Até ao Fim

Mas é assim o poema: construído devagar,
palavra a palavra, e mesmo verso a verso,
até ao fim. O que não sei é
como acabá-lo; ou, até, se
o poema quer acabar. Então, peço-te ajuda:
puxo o teu corpo
para o meio dele, deito-o na cama
da estrofe, dispo-o de frases
e de adjectivos até te ver,
tu,
o mais nu dos pronomes. Ficamos
assim. Para trás, palavras e versos,
e tudo o que
não é preciso dizer:
eu e tu, chamando o amor
para que o poema acabe.

Nuno Judice in “Pedro, lembrando Inês”

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Devaneios cruzadísticos │ Nuno Júdice

Estando a decorrer, no ano em curso, comemorações dos 50 anos de Poesia de Nuno Júdice – um dos grandes poetas contemporâneos - é uma boa razão para o AlegriaBreve revisitar a sua vida e obra.

Poeta, ensaísta e ficcionista, Nuno Júdice nasceu na Mexilhoeira Grande, Portimão, Algarve, em 1949. Foi, até 2015, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Júdice desempenhou o cargo de director da revista literária Tabacaria (1996-2009), foi comissário para a área da Literatura da representação portuguesa na 49.ª Feira do Livro de Frankfurt.

Desempenhou, ainda,  funções como conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em França (1997-2004) e director do Instituto Camões em Paris. Organizou a Semana Europeia da Poesia, no âmbito da Lisboa 94 - Capital Europeia da Cultura.

Atualmente, dirige a Revista Colóquio-Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian.

Literariamente, estreou-se em 1972, há 50 anos, portanto,  com o livro de poesia "A Noção de Poema".

Ao longo da carreira literária, Nuno Júdice tem sido distinguido com diversos prémios, entre os quais o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana, em 2013, o Prémio Pen Clube, o Prémio D. Dinis da Casa de Mateus.

Assim, neste mês, convido os meus amigos a solucionar este passatempo de palavras-cruzadas e encontrar, a final, o título (4 palavras nas horizontais) de uma obra do poeta português Nuno Júdice (1949).


HORIZONTAIS: 1 – Silencio [figurado]; Pastagem comum [antiquado, plural]. 2 – Grande quantidade [gíria, plural]. 3 – Engatar; Mina. 4 – Preposição que designa lugar; Simples; Ocorrer. 5 – Avenida [abreviatura]; Inteiros; Símbolo de rádio. 6 – Aprovação; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de maçã. 7 – Acontecer; Dinheiro [figurado]; Aqueles. 8 – Suavidade [figurado]; Mana; Composição poética lírica de assunto elevado, própria para ser cantada [Literatura] 9 – Desgastar; Sacrifício [figurado]. 10 – Eras. 11 – Diz-se de órgão vegetal com as bordas desiguais [Botânica, feminino]; Salvo.

VERTICAIS: 1 – Esconde; Força. 2 – Ralé. 3 – Voo; Sincero. 4 – Abismo; Segura; Raso. 5 – Orçamento Rectificativo [sigla]; Famas; Para aqui. 6 – Preposição que exprime junto de; Que é proibido em função do seu carácter impuro [Religião]. 7 – Prefixo que exprime a ideia de movimento; Reuni; Descobri. 8 – Ofertas; Graça [figurado]; Resplendor [figurado]. 9 – Gastas; Empreenda. 10 – Idade. 11 – Tangera; Trabalho de noite.

Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF.


Aceito respostas até dia 25 de Agosto, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?