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sexta-feira, 28 de abril de 2023

José Malhoa (1855-1933)


Quadro “Festejando o São Martinho”, segundo José Malhoa. Porém, “Os bêbados” segundo o povo. Pintado em 1907 mostra bem a forma como o pintor via o povo português?  Passam, hoje, 168 anos que nasceu o pintor José Malhoa, nas Caldas da Rainha. Morreu em Figueiró dos Vinhos, em 26 de Outubro de 1933.  

O Museu José Malhoa nas Caldas da Rainha foi o primeiro Museu em Portugal, construído de raiz. À frente está um busto, do escultor Leopoldo de Almeida. José Malhoa foi um vulto grande assim como Júlio Dantas nos princípios do século XX. Muito apreciados no seu tempo. No entanto, tiveram os seus detractores. Júlio Dantas de forma mais violenta, através do manifesto Anti-Dantas, do mestre José Almada Negreiros. José Malhoa não chegou a tanto. Foi um naturalista. Pintava o que achava que os seus olhos viam. 

Viveu numa época de grandes pintores: Columbano, Silva Porto, Condessa, Carlos Reis, Veloso Salgado, Henrique Poisão, João Vaz, António Ramalho, António Saúde….Mas Malhoa está num lugar à parte! 

O Desenho do Quadro “Os bêbados” foi comprado por Azeredo Perdigão. O Desenho é ainda mais brutal. A figura do ferrador (ainda com a bata do serviço). 


O Quadro “ Fado” está em Lisboa, no Museu do Fado, em Alfama. É um pouco como o pintor via o povo português. Ele era um homem do povo. A mulher do quadro é a Adelaide. A “Adelaide da Facada” (uma cicatriz de uma faca do próprio Amâncio?). A história do dinheiro, como versão que correu. Não, foi o companheiro, o célebre “Amâncio” (guitarrista, proxeneta), que não deixou que a alça descesse (há um desenho com ela em baixo). A veracidade desta versão é atestada num livro de António Montez, Director do Museu nas Caldas da Rainha. 

Amâncio era um rufia, que andava sempre com uma navalha de mola no bolso. Moravam numa casa na Rua do Capelão, que o pintor visitava com frequência. Por insistência do Amâncio, o pintor também lhe fez o retrato, que lho entregou. Todavia, nada se sabe acerca do paradeiro do quadro. Vendeu-o sem demora. O quadro é de 1910 e levou 2 anos a ser pintado.

Outros Retratos célebres: 

O retrato da jovem Laura Sauvignetti, pintado em 1888, que ela, já velha, doou ao Museu; 


O retrato do Príncipe Luís Filipe, pintado em 1908 e ficou incompleto, ele avisou que faltaria à próxima sessão porque ia a Vila Viçosa com o pai. José Malhoa que assinava os seus quadros de forma muito discreta neste caso assinou o seu nome, ao contrário do hábito, com uma grande força (é contra o assassinato do jovem príncipe que, por tão novo e sem responsabilidades na res pública, ainda não tinha contas a prestar). 


O retrato da Rainha D. Leonor, pintado em 1926, houve quem dissesse muito mal. Muito discutido (Rainha ou menina da Rua do Capelão?); na verdade, uma escultura existente em Beja é bem mais real.


Quadro “As Promessas”, pintado em 1933, ano da sua morte, inspirado numa procissão em Figueiró dos Vinhos; 


Quadro “ Meu Desalento”, inacabado, porque entretanto pintor morreu. Este último quadro dá que pensar. Como é que um homem tão admirado se deixou cair assim no desalento. Pois, a sua grande solidão! Vivia na companhia de uma sua irmã. 

A pintura ia já noutro caminho e ele sentia-se um tanto desalentado. Fialho de Almeida disse dele: “a sua pintura é uma odisseia rústica nacional”. José Malhoa pintou o povo como ele o via, um povo atrasado, amarrado por surperstições, misérias…pintou a vida real tal como ela é.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Almada Negreiros

"NOME DE GUERRA" é o título de uma obra do artista multidisciplinar português Almada Negreiros (1893-1970), pedido com a resolução do passatempo de palavras cruzadas, referente ao mês de Abril de 2023.

Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; El-Danny; Elvira Silva; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Sepol; Seven; Socrispim; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo. 

terça-feira, 25 de abril de 2023

In memoriam

É bom a proveitar esta data para lembrar os que morreram no dia 25 de Abril de 1974.

Fernando Giesteira tinha 17 anos e era um vivaço. Chegara de Montalegre e em miúdo adorava os bailaricos em Chaves e correr até ao alto da Nevosa. Tinha boa pinta e fora para Lisboa puxado uns anos antes por um familiar. Trabalhava como empregado de mesa na Cova da Onça, boîte frequentada por artistas, malta da bola e Polícia Judiciária. Saíra do trabalho e fora para a rua sem passar pela Pensão Flor, no Areeiro, o quarto onde vivia. Já arranjara um cravo vermelho e prendera-o certamente à camisa a cheirar ao fumo da noite.

José Harteley Barneto era o mais velho. Tinha 38 anos, quatro filhos e uma vida estável. Escriturário no Grémio Nacional dos Industriais de Confeitaria, morava na Flamenga, perto de Loures, e nascera em Vendas Novas. O pai ou a mãe eram ingleses e ele estava entusiasmado e sentia que tudo passara novamente a ser possível, mesmo o impossível.

José Guilherme Arruda tinha 20 anos. Viera há pouco tempo dos Açores, era excelente aluno e matriculara-se no segundo ano de Filosofia. Morava na Avenida Casal Ribeiro, perto do Saldanha, no centro de Lisboa. José Guilherme não tinha como esconder o sorriso, afinal estava a viver a história e a revolução que só conhecia na teoria.

Fernando Luís dos Reis tinha 23 anos. Era o único dos quatro que nascera em Lisboa e também o único militar. O seu batalhão era de Penamacor, mas ele estava de férias. Também por isso saiu à rua e dirigiu-se ao lugar onde talvez mais precisassem dele. Casara-se há pouco tempo e tinha planos de ser pai.

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Almada nasceu há 130 anos

José Sobral de Almada Negreiros nasceu no dia 7 de abril de 1893, em S. Tomé e Príncipe.
Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa - salvar a humanidade.”
- José de Almada Negreiros, in ‘A Invenção do Dia Claro’
Artista multidisciplinar, dedicou-se especialmente às artes e à escrita, tendo sido artista plástico, poeta, ensaísta, romancista, dramaturgo e coreógrafo. Almada Negreiros ocupa uma posição de destaque na primeira geração de modernistas portugueses. Morreu em Lisboa, no dia 15 de junho de 1970, com 77 anos de idade.
Em outubro de 2018 foi assinado, entre o Camões, I.P e a Universidade de Göttingen, na Alemanha, o protocolo de criação da Cátedra José de Almada Negreiros naquela universidade alemã, com o objetivo de intensificar e melhorar as condições para estudar português no país.
Almada Negreiros na I Conferência Futurista, abril de 1917; Domínio Público

sábado, 1 de abril de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Almada Negreiros

Meus amigos, desta vez, não há texto. Preparei este Vídeo onde procurei apresentar o essencial da vida e obra de Almada Negreiros, artista multidisciplinar português que se dedicou fundamentalmente às artes plásticas (desenho, pintura, etc...) e à escrita (romance, poesia, ensaio, dramaturgia), ocupando uma posição central na primeira geração de modernistas portugueses.

Clique Aqui para abrir e visualizar o Vídeo

Esperando que tenham gostado, convido-vos a solucionar este passatempo de palavras-cruzadas e encontrar, a final, o título (3 palavras nas horizontais) do artista multidisciplinar português Almada Negreiros (1893-1970).


HORIZONTAIS: 1 – Desponte; Seca. 2 – Trolha; Anéis. 3 – Sufixo nominal que exprime a ideia de rocha; História. 4 – Família; Instante; Preposição que designa tempo. 5 – Lavra; Falha. 6 – Mama. 7 – Senhora (forma de tratamento) [Cabo Verde]; Aspira. 8 – Toma; Interjeição que exprime enfado [Angola]; Apuro. 9 – Afaga; Entidade Reguladora da Saúde [sigla]. 10 – Matraca; Luta [figurado]. 11 – Tolo [Brasil, coloquial]; Ligas.

VERTICAIS: 1 – Acha; Carne [Moçambique]. 2 – Ingénuo [popular]; trouxer. 3 – Dinheiro [coloquial]; Ala. 4 – Responsável; Diabo [popular]; Quiser. 5 – Interjeição que exprime surpresa; Chega. 6 – Corro. 7 – Segura; Simples. 8 – Indivíduo pertencente a uma casta nobre, na Índia; Junta; O [arcaico]. 9 – Indigna; Medi. 10 – Exaltadas; Interjeição que exprime impaciência. 11 – Torres; Alegria [figurado, plural].

Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF com o passatempo.


Aceito respostas até dia 25 de Abril, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?