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domingo, 26 de março de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Natália Correia

"O VINHO E A LIRA" é o título de uma obra da poetisa portuguesa Natália Correia (1923-1993), pedido com a resolução do passatempo de palavras cruzadas, referente ao mês de Março de 2023.


Recebi respostas de: Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Baby; Caba; Candy; Corsário; El-Danny;Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Manuel Carrancha; Manuel Ramos; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Olidino; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Salete Saraiva; Seven; Socrispim; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

A todos, obrigado.

Até ao próximo. 

sexta-feira, 24 de março de 2023

Os pescadores de Sesimbra

[...Este homem é de instinto comunista. Se um adoece, os outros ganham-lhe o pão: recebe o seu quinhão inteiro. Se morre, sustentam-lhe a viúva e os filhos, entregando-lhe o ganho que ele tinha em vida. Dão ao hospital e ao asilo uma parte do pescado. Toda a gente tem direito a ir ao mar – toda a gente tem direito à vida. Vai quem aparece, desde que seja marítimo. Acontece que o barco leva hoje quarenta homens e leva vinte amanhã... O produto das artes é dividido em quinhões iguais pela companha. A pesca do anzol é uma espécie de cooperativa, e a barca quase sempre dos pescadores [...

Raul Brandão │Os Pescadores

quarta-feira, 22 de março de 2023

Natália Correia - Auto retrato


"Auto-Retrato", 1956, Óleo sobre tela, 92,5 x 72,5 cm, Museu Carlos Machado, Ponta Delgada [MCM 6930]

Natália Correia viveu quase toda a sua vida em Lisboa, cidade angular de toda a sua existência. Na capital escolheu a sua residência numa zona de confluência de várias camadas sociais. À distância ficava-lhe o Rato (espaço aristocrático), ao cimo o Marquês de Pombal (área burguesa) e, defronte, a Avenida da Liberdade (zona cosmopolita).

Corriam os anos 50, quando a escritora, então em início da sua fulgurante carreira, descobriu, casualmente, um 5.º andar na Rua Rodrigues Sampaio. «Um dia vim aqui visitar uns amigos e a atmosfera da casa atraiu-me logo. Eles mudaram-se e este apartamento esteve muito tempo devoluto, como que à espera que eu casasse e o alugasse».

Situava-se num edifício sólido e elegante, discreto e requintado com, no rés-do-chão, uma das melhores pastelarias-restaurantes da cidade. Natália Correia passou a habitar o último piso após o seu casamento, em 1953, com Alfredo Lage Machado. «Ele foi o grande amor da sua vida», confidencia-nos Helena Cantos (protagonista feminina do filme "Santo Antero"), e amiga íntima durante décadas.

Com invulgar bom gosto, a poetisa decorou-o. Na entrada, dispôs sobre numa credência um busto seu da autoria de Martins Correia. No salão principal instalou a biblioteca composta por milhares de volumes, um auto-retrato [imagem supra], um óleo de Cesariny, uma escultura de Júlio de Sousa e uma máscara de Eça de Queiroz. Em posição de destaque, uma gigantesca mesa-secretária, estilo império, com tampo de mármore escuro e pés dourados, cadeiras Luís XVI, porcelanas chinesas (herdadas da mãe), peças de artesanato e um tabuleiro de xadrez; numa sala anexa, vários quadros contemporâneos, um canapé, um par de 'bergeres' e um bar de estilo renascença.

Durante duas décadas, a casa tornou-se um dos mais pujantes salões literários de Lisboa, onde se reuniam, pelas noites fora, escritores, pintores e políticos.

«Natália Correia e o seu marido cederam a sua elegante residência», descreve um jornal da época, «para a representação da peça de Jean-Paul Sartre, "Huis Clos", inédita entre nós. Foi interpretada por Natália Correia, Maria Ferreira, Castro Freire e Manuel Lima».

O espectáculo, encenado por Carlos Wallenstein (açoriano), teve entre a assistência Isabel da Nóbrega, Urbano Tavares Rodrigues, Sophia de Mello Breyner, Francisco Sousa Tavares, João Gaspar Simões, Fernando Amado e Almada Negreiros.

Numa noite, em 1960, Henry Miller bate à porta de Natália que fica espantada. Ele entra, senta-se e discute com os presentes, entre os quais David Mourão-Ferreira e Delfim Santos, o tema do amor. Ao sair, o romancista norte-americano exclamará: «Aqui sentimo-nos ou no século XVIII ou no ano 2000. Foi preciso vir a Portugal para encontrar uma verdadeira pitonisa».

Entre outros vultos universais que a frequentaram, destacam-se Ionesco, Claude Roi e Michaux.

ANTÓNIO BRÁS (in https://www.modaemoda.pt/)

quarta-feira, 1 de março de 2023

Devaneios cruzadísticos │ Natália Correia

Celebra-se, neste ano de 2023, o centenário do nascimento de Natália Correia, portuguesa, poetisa, ficcionista, autora dramática e ensaísta. Nascida em 1923 e falecida em 1993, natural dos Açores, facto que levou a insularidade a tornar-se uma linha de força presente em todo o seu percurso literário. O AlegriaBreve assinala o evento, dedicando-lhe o passatempo de Palavras-Cruzadas, referente ao mês de Março.

Figura marcante da cultura e da literatura portuguesas contemporâneas, Natália Correia distinguiu-se também pela sua atividade política, tendo exercido, com a mesma irreverência que pauta toda a sua existência, o cargo de deputada.

Escritora que manteve uma posição de independência relativamente a modelos e movimentos literários, embora seja, mesmo aceitando que são poucos os "exemplos que podemos colher na sua poesia de uma aproximação da sua parte a procedimentos estilísticos típicos dos surrealistas", frequentemente associada ao Surrealismo. Por isso, amiga dos Surrealistas, do poeta Mário Casariny, curiosamente também nascido em 1923. Por isso, o AlegriaBreve promete evocar aqui, no próximo mês de Agosto, tal efeméride.

Natália Correia simbolizou, como poucos, as inquietações do século XX português. Precoce e radical no pensamento feminino, incompreendida e amada, lançou um olhar oracular sobre o seu tempo. Em tertúlias, que eram verdadeiras olimpíadas da confraternização lisboeta, o seu traço aglutinador envolvia, juntamente com o fumo dos cigarros, intelectuais e admiradores. A partir de 1971, essas reuniões passaram a ter lugar no famoso bar "Botequim".

Natália Correia foi agraciada com vários prémios, com destaque para o Prémio La Fleur de Laure (1977) e o Grande Prémio de Poesia APE (1990), este pelo livro “Sonetos Românticos”.

Convido os meus amigos a solucionar este passatempo de palavras-cruzadas e encontrar, a final, o título (5 palavras nas horizontais) de uma obra da poetisa portuguesa Natália Correia (1923-1993).



HORIZONTAIS: 1 – Censura; Perspicaz [figurado]. 2 – Namorado [popular]; Ninho [regionalismo]. 3 – Interjeição usada como saudação [Brasil]; Pinga; Então. 4 – Rotineiro; Soluçar. 5 – Alcunhar [figurado]. 6 – Interjeição usada para chamamento; Custas. 7 – Demandas. 8 – Suam [Guiné]; Repetiu. 9 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de um só; Inspiração [figurado]; Acontecer. 10 – Poesia [figurado]; Classe. 11 – Pulo; Tagarelas.

VERTICAIS: 1 – Partida; Ferva. 2 – Baixas; Índigo. 3 – Uno; Fogueiras; Troça. 4 – Calcar; Pesquisas. 5 – Espúrio. 6 – Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de burro; Quociente de inteligência [sigla]. 7 – Casamento. 8 – Máxima; Estimula. 9 – Interjeição que exprime dor; Atado; Mais [antiquado]. 10 – Espécie de calha que dá vazão à água e a outros despejos do navio; Perceba. 11 – Interjeição que exprime satisfação [popular]; Famas.


Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF.


Aceito respostas até dia 25 de Março, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?