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domingo, 29 de dezembro de 2024

Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O’Neill, na obra No Reino da Dinamarca 

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Devaneios cruzadísticos │ Alexandre O´Neill

"A Saca de Orelhas" é o título de uma obra do poeta português Alexandre O´Neill (1924-1986), pedido com a resolução do passatempo de Palavras Cruzadas, referente ao mês de Dezembro de 2024.

Aqui, uma prendinha de Natal. O fado Gaivota, cujos versos Alexandre O'Neill escreveu expressamente para Amália cantar, com música de Alain Oulman, no filme "Fado Corrido" (1964), de Jorge Brum do Canto.



Recebi respostas de: Alabi; Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Caba; Candy; El-Danny; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Odemi; Olidino; Paulo Freixinho; PAR DE PARES; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Sepol; Seven; Socrispim; Solitário; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.

Obrigado a todos. Até breve!

domingo, 1 de dezembro de 2024

Devaneios cruzadísticos │ Alexandre O´Neill

Neste mês de Dezembro, ocorre o 1º centenário do nascimento do poeta Alexandre O´Neill, figura ímpar da poesia portuguesa do século XX. Nasceu a 19 de Dezembro de 1924, em Lisboa, e morreu a 21 de Agosto de 1986, na mesma cidade.


Parque dos Poetas em Oeiras 
Escultura de Francisco Simões

Precursor do surrealismo em Portugal, poeta do realismo e do concretismo, provocador e irónico. O´Neill tocava o absurdo e o lugar comum com trocadilhos geniais. Num jogo lúdico e lúcido de palavras, falava de coisas sérias: do medo, do amor, de Portugal.

O´Neill era um poeta de Lisboa. Boémio assíduo, conversador de tertúlias, vagueava pelas ruas, de caderninho na mão, a tomar nota dos “pequenos absurdos do quotidiano”. Queria ver de perto a “patriazinha iletrada”, apanhar-lhe os ridículos e parodiar os brandos costumes.

Tratava o material recolhido com a mais fina das ironias, em trocadilhos certeiros e mordazes, num discurso povoado de neologismos, calão, gíria e tudo o mais que pudesse tirar os portugueses do sério. Ele que se dizia “um grande poeta menor”, que gostava de sublinhar a inutilidade da poesia, foi neste ofício que se manteve até à morte, em 1986.

Antes de chegar a poeta, O´Neill, que reprovara nos exames e abandonara os estudos, aprendeu a viver de biscates e do que escrevia. Foi escriturário, empregado de seguros, tradutor de romances, de poesia e de manuais científicos, colaborador de jornais e revistas, autor de textos para cinema e teatro, televisão e rádio, letrista de fados e um dos mais importantes criativos publicitários. É dele o genial “Há mar e mar, há ir e voltar”, slogan com direito a figurar no dicionário de provérbios portugueses.

Autodidata, individualista e provocador, via-se essencialmente como um realista, que “apenas registava o aqui e o agora”. Sem misticismos, porque “detestava o que chamava de mistério da poesia”, percorria temas como o amor, o medo e a solidão. Mas Portugal, “país pobrete e nada alegrete”, era recorrente nos versos que fazia. Um adeus português é o mais famoso, como recorda Maria Antónia Oliveira, especialista da obra de Alexandre O´Neill, o poeta “caixadóclos”.

Este mês, convido os meus amigos a solucionar este passatempo de Palavras-Cruzadas e encontrar, no final, o título (4 palavras nas Horizontais) de uma obra do poeta português Alexandre O´Neill (1924-1986).


HORIZONTAIS: 1 – Sonhador [figurado]; Suave. 2 – Pessoa muito bela [figurado]. 3 – Sufixo nominal, de origem latina, que tem sentido diminutivo, por vezes pejorativo; Grémio [figurado]; Você [Cabo Verde]. 4 – Orvalho [regionalismo]; Estima; Andar. 5 – Liga; Bolsa. 6 – Suspensa. 7 – Martirizo; Aspecto. 8 – Sufixo nominal utilizado na terminologia geológica para exprimir a ideia de rocha; Início; Modo [figurado]. 9 – Preposição que designa assunto; Chama; Quando. 10 – Ouvidos. 11 – Marcas [figurado]; Guarda.

VERTICAIS: 1 – Plana; Quintais. 2 – Enfade. 3 – Pertences; Clara; Sufixo nominal, de origem latina, que exprime a ideia de semelhança. 4 – Haver; Antepassado [Timor-Leste]; Estou com muita fome [Brasil]. 5 – Âmbito; Inches. 6 – Excelente. 7 – Apura [figurado]; Mira. 8 – Muitos [figurado]; Graça [figurado] Porcelana antiga de cor amarela e de origem chinesa. 9 – Preposição que designa estado; Predestinas; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de substituição. 10 – Pedaços. 11 – Salvo; Fim [figurado].

Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF com o passatempo.

Produções AlegriaBreve http://alegriabreve47.blogspot.pt/ 

O problema não segue, ainda, o novo Acordo Ortográfico


Aceito respostas até dia 25 de Dezembro, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?