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domingo, 26 de outubro de 2025

Devaneios cruzadísticos │José Cardoso Pires


"O Hóspede de Job" é o título de uma obra do escritor português José Cardoso Pires, pedido com a resolução do passatempo de Palavras-Cruzadas, referente ao mês de Outubro de 2025.

"O Hóspede de Job" é uma fábula sobre a vida no Alentejo nos anos 50, explorando a luta pela sobrevivência e a opressão da época, contrastando a realidade de um país "triste" e acolhedor com a visão de um oficial americano que vê apenas um "país de praia". A obra, escrita entre 1953 e 1954, foi dedicada ao irmão do autor e funciona como um protesto contra a Guerra Fria e o colonialismo militar.


Recebi respostas de: Alabi; Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Caba; Candy; El-Danny; Feranames; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Mafirevi; Magno; Manuel Amaro; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Odemi; Olidino; PAR DE PARES; Paulo Freixinho; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Seven; Socrispim; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.


Obrigado a todos. Até breve!

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

No dia em que nasceu Ramalho Ortigão


Em 24 de Outubro de 1836 nasceu Ramalho Ortigão, escritor e jornalista português, um dos principais nomes da geração de 70, autor de "As Farpas" e de "O Mistério da Estrada de Sintra", com Eça de Queiroz.

Homem de letras português, um dos vultos mais destacados da Geração de 70, José Duarte Ramalho Ortigão nasceu a 24 de outubro de 1836, no Porto , e morreu a 27 de setembro de 1915, em Lisboa. Oriundo de uma família abastada da burguesia portuense e filho de um combatente pela causa liberal, Ramalho conviveu durante a infância com o ambiente rural da casa da avó materna, tendo sido criado, como confessa, "como um pequeno saloio". Na adolescência, enquanto convalescia de uma febre, tomou contacto com as Viagens na minha Terra , obra que o impressionou tanto que foi a partir da sua leitura que compreendeu que "tinha de ser fatalmente um escritor". Frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra e, aos dezanove anos, começou a lecionar francês no Colégio da Lapa, dirigido pelo seu pai, onde teve como aluno Eça de Queirós, futuro amigo e companheiro de lides literárias. Durante a década de 60, colaborou em vários periódicos, como a Gazeta Literária do Porto , a Revista Contemporânea e o Jornal do Porto , de que foi redactor. Foi precisamente neste último que, em 1866, publicou o folheto Literatura de Hoje , com que intervém na Questão Coimbrã . Ramalho, que, quatro anos antes, a propósito da polémica suscitada pela Conversação Preambular de Castilho inserta no poema D. Jaime , de Tomás Ribeiro, se manifestara contra o chamado "Grupo do Elogio Mútuo", não deixa aqui de ser crítico para com o autor das Cartas de Eco a Narciso , mas acusa Antero e Teófilo de desrespeitarem o velho escritor. Como consequência, Antero desafiou e venceu Ramalho em duelo, datando curiosamente desse episódio o início da amizade entre os dois escritores e a aproximação gradual de Ramalho a esse grupo de novos intelectuais, que se traduziria na frequência do Cenáculo e na adesão às correntes ideológicas que marcaram essa geração, como o positivismo de Comte e o socialismo utópico de Proudhon. 

Depois de uma viagem a Paris, por ocasião da Exposição Universal de 1867, Ramalho publicou, no ano seguinte, as suas primeiras notas de viagem, Em Paris . Ainda no mesmo ano, mudou-se para Lisboa, onde assumiu o lugar de oficial de secretaria da Academia das Ciências e reencontrou o seu amigo Eça, já formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Em 1870, publicaram ambos O Mistério da Estrada de Sintra . 

Em 1871, não participando directamente nas Conferências do Casino Lisbonense , iniciou com Eça um novo projecto, que pretendia retomar a intenção crítica e de reforma social que norteou as Conferências: As Farpas. O início da redacção de As Farpas é, aliás, tido pelos críticos (entre os quais o próprio Eça, numa carta publicada na revista portuense A Renascença ) como um marco de transição na escrita de Ramalho, que teria passado de "folhetinista diletante" a "panfletário ilustre". Após a partida de Eça para Cuba, como cônsul, em 1872, Ramalho tomou nas mãos a redacção desses folhetins satíricos, cuja publicação até 1888 entremeou com a edição de livros de viagens: Pela Terra Alheia (1878-1880), A Holanda (1883), John Bull (1887) e, inspirados pelas viagens em Portugal, Banhos de Caldas e Águas Minerais (1875) e As Praias de Portugal (1876). Em todas estas obras, embora as imagens da França e da Inglaterra e os progressos das suas civilizações sejam contrapostos à decadência portuguesa, manifesta-se um apego à tradição nacional e a crença na possibilidade de regeneração. A partir de 1888, Ramalho começou a fazer parte das reuniões do grupo dos Vencidos da Vida. Em 1895, tornou-se bibliotecário do Palácio da Ajuda. Nos textos escritos perto do fim da vida e já depois de instaurada a República, que serão postumamente reunidos no volume Últimas Farpas , Ramalho manifestou a sua descrença no novo regime político.

Dotado de um espírito cosmopolita, dândi, mundano, e simultaneamente, arreigado às tradições nacionais, Ramalho procurou sinceramente educar e civilizar a sociedade do seu tempo. A variedade dos seus escritos, o diletantismo do seu discurso, a leveza e propriedade do seu estilo, oscilando entre as notações estéticas, as digressões líricas, os apontamentos humorísticos espelham a fidelidade ao preceito de escrita e de vida enunciado na sua "Autobiografia" (in Costumes e Perfis ): "Maçar o menos possível que seja o meu semelhante, procurando tornar para os que me cercam a existência mais doce, o mundo mais alegre, a sociedade mais justa, tem sido a regra de toda a minha vida particular. O acaso fez de mim um crítico. Foi um desvio de inclinação a que me conservei fiel. O meu fundo é de poeta lírico."

Excerto de "As Farpas":
"Aproxima-te um pouco de nós, e vê. O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os carácteres corrompidos. A práctica da vida tem por única direcção a conveniência. Não há pprincipio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima abaixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretárias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo. Neste salve-se quem puder a burguesia proprietária de casas explora o aluguer. A agiotagem explora o lucro. A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade. O número das escolas só por si é dramático. O professor é um empregado de eleições. A população dos campos, vivendo em casebres ignóbeis, sustentando-se de sardinhas e de vinho, trabalhando para o imposto por meio de uma agricultura decadente, puxa uma vida miserável, sacudida pela penhora; a população ignorante, entorpecida, de toda a vitalidade humana conserva unicamente um egoísmo feroz e uma devoção automática. No entanto a intriga política alastra-se. O país vive numa sonolência enfastiada. Apenas a devoção insciente perturba o silêncio da opinião com padre-nossos maquinais. Não é uma existência, é uma expiação. A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências. Diz-se por toda a parte: o país está perdido! Ninguém se ilude. Diz-se nos conselhos de ministros e nas estalagens. E que se faz? Atesta-se, conversando e jogando o voltarete que de norte a sul, no Estado, na economia, no moral, o país está desorganizado-e pede-se conhaque!"

in Farpas, por Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão, com publicação em Junho de 1871.
Fontes: Ramalho Ortigão . In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

António Ramos Rosa


Hoje celebramos António Ramos Rosa (17 de outubro de 1924 – 23 de setembro de 2013), uma das vozes mais profundas da poesia portuguesa do século XX.

Poeta, tradutor, professor e desenhador, Ramos Rosa dedicou a sua vida à palavra e à cultura. O seu talento foi reconhecido com prémios como o Prémio Pessoa (1988), o Grande Prémio de Poesia APE/CTT (1989 e 2005) e o Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen (2005), e com honrarias como Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

A Biblioteca Municipal de Faro, a sua cidade natal, perpetua hoje o seu nome, lembrando-nos que a sua obra continua viva e a inspirar gerações. Cada verso de António Ramos Rosa é um convite a mergulhar na beleza, na reflexão e na intensidade da experiência humana.

Celebrar António Ramos Rosa é celebrar a poesia que atravessa o tempo e nos conecta com a alma da literatura portuguesa

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Devaneios cruzadísticos │José Cardoso Pires


Amanhã, se fosse vivo, faria 100 anos de vida o escritor português José Cardoso Pires, unanimemente considerado um dos maiores escritores portugueses do século XX. Nasceu a 2 de Outubro de 1925, em São João do Peso, no concelho de Vila de Rei, em Castelo Branco.

Autor de dezoito livros, publicados entre 1949 e 1997, não se identifica com nenhum grupo, nem se fixa em nenhum género literário, apesar de ser considerado, sobretudo, como um romancista. A sua relação mais duradoura no campo literário deu-se com o movimento neo-realista português, até ao 25 de Abril de 1974, justificada com a oposição ao regime autoritário português. A inserção da sua obra no neo-realismo é, por essas razões, contraditória. Frequentou também os grupos surrealistas, no início da década de 1940. Considera-se que foi influenciado pela estética de Hemingway, pela narrativa cinematográfica, o que resulta em discursos curtos e diálogos concisos.

O autor e a sua obra foram galardoados várias vezes, entre os quais se destacam o Prémio Camilo Castelo Branco (O Hóspede de Job, 1964), o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (A Balada da Praia dos Cães, romance que viria, em 1987, a dar origem a um filme realizado por José Fonseca e Costa), o Prémio Especial da Associação de Críticos do Brasil (Alexandra Alpha), os Prémios D. Dinis e da Crítica (De Profundis, Valsa Lenta, obra publicada em 1997, após o autor ter recuperado de um acidente vascular cerebral.

Em 1998 sofreu outro acidente vascular cerebral, que viria a ser a causa da sua morte, ocorrida em 28 de Outubro desse ano, em Lisboa. Em Setembro desse mesmo ano, pouco antes do seu falecimento, tinha-lhe sido atribuído o Prémio Vida Literária da Associação Portuguesa de Escritores.

Assim, neste mês, convido os meus amigos a solucionar este passatempo de Palavras-Cruzadas e, no final, encontrar o título de uma obra (4 palavras nas horizontais) do escritor português José Cardoso Pires (1925-1988).


HORIZONTAIS: 1 – Não; Rodilha [regionalismo]. 2 – Peregrino. 3 – Indignas; Solitária. 4 – Divisas; Sujeita; Elemento de formação de palavras que exprime a ideia de gás. 5 – Símbolo de prata; Susto; Preposição que designa origem. 6 – Alento [figurado]; Saudar. 7 – Mais [antiquado]; Registo; Sufixo nominal, de origem latina, que exprime a ideia de semelhança. 8 – Homem dotado de grande paciência e resignação, muito pobre [figurado]; Mas; Nome da décima quarta letra do alfabeto grego, correspondente a x. 9 – Gastas; Bates. 10 – Conquistador. 11 – Reprime [figurado]; Oculta.

VERTICAIS: 1 – Celebra as bodas; Socorro. 2 – Confortos. 3 – Senhoras [Cabo Verde]; Palpite. 4 – Mealheiro [popular]; Estima; Modo [figurado]. 5 – Aquelas; Tremo; Sinistra. 6 – Cachimba [Brasil]; Dólmen [regionalismo]. 7 – Quando; Dispõe por lotes; Bate. 8 – Poema; Origem [figurado]; Resplendor [figurado]. 9 – Cria; Enrubesce. 10 – Tímida. 11 – Aguce; Inventário.

Clique Aqui para abrir e imprimir o PDF com o passatempo.

O problema não segue, ainda, o novo Acordo Ortográfico


Aceito respostas até dia 25 de Outubro, inclusive, por mensagem particular no Facebook ou para o meu endereço electrónico, boavida.joaquim@gmail.com. Em data posterior, apresentarei a solução, assim como os nomes dos participantes. 

Vemo-nos por aqui?