"O Ano da Morte de Ricardo Reis" é o título de uma obra do escritor português José Saramago, pedido com a resolução do passatempo de Palavras-Cruzadas, referente ao mês de Janeiro de 2026.
José Saramago foi muito engenhoso na arquitectura da narrativa, assentando-a em dois pilares.
Primeiro, ele parte de um enigma. Fernando Pessoa escrevera em 13/1/1935 «Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures), no Porto, é médico e está presentemente no Brasil (…) Reis de um vago moreno mate (…) Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É, um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria.». O que aconteceu a Ricardo Reis? Saramago vai decifrar esse enigma.
Segundo, Saramago admirava muito Fernando Pessoa e era um grande leitor da sua poesia que muito apreciava. Porém, alguns poemas de Pessoa deixavam-no nervoso. E um deles era de Ricardo Reis: “Sábio é o que se contenta com o espectáculo do Mundo”. Saramago pergunta: Contemplar é sábio? O que dizes? Não percebe a personagem que é assim uma soma de passividade, silêncio sábio e puro espírito. Anda daí, Pessoa, que te vou mostrar o mundo, a ver se acabas mais sábio ou simplesmente acabas invadido de tristeza e de dor, se não quiseres reagir.
Saramago cria a sua versão alternativa da história, a que poderia ter sido, fazendo uso de informações oficiais e misturando-as com fontes oficiosas. Era o que Saramago achava que se tinha de fazer. E, então, Saramago mostra-lhe o espectáculo do Mundo no ano de 1936, o ano em que se incuba o ovo da serpente, se gera o nazismo, o fascismo, começa a Guerra da Espanha, estão a começar todas essas ditaduras e tragédias que atravessaram o séc. XX.
Então, Saramago põe Ricardo Reis, não existente, existente. E põe o Fernando Pessoa, já morto, vivo. Aqui, Saramago “inventa” uma teoria que lhe dá jeito para a narrativa: nos 9 meses seguintes à morte, ainda não se está morto de todo. E, assim, fá-los dialogar e fá-los percorrer a cidade de Lisboa. Percorre a poesia de Pessoa ortónimo e de outros (João de Deus, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos, etc...) Fala de Pessoa, fala do Mundo, fala de nós.
O ano da morte de Ricardo Reis, segundo José Saramago, aconteceu exactamente no dia 10 de Setembro de 1936. Mais não fosse, ficamos todos aliviados do enigma deixado pelo poeta da Mensagem.
Participaram: Ajano; Alabi; Aleme; António Amaro; Antoques; Arjacasa; Bábita Marçal; Bela-flor; Belisa; Buckhaje; Caba; Candy; Donanfer II, El-Danny; Elvira Silva; Feranames; Filomena Alves; Fumega; Gilda Marques; Homotaganus; Horácio; Jani; João Carlos Rodrigues; Joaquim Pombo; José Bento; José Bernardo; Juse; Magno; Manuel Amaro; Maria de Lourdes; My Lord; Neveiva; Odemi; Olidino; Onix, Onix I; Paulo Freixinho; Reduto Pindorama (Agagê, Joquimas e Samuca); Ricardo Campos; Rui Gazela; Russo; Seven; Socrispim; Solitário; Somar; TRIO SUL-MINAS (Crispim, Loanco e O. K.), Virgílio Atalaya e Zabeli.
Obrigado a todos. Até breve!

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