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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

O Louco de Deus no Fim do Mundo


Cheguei ao fim do livro "O Louco de Deus no Fim do Mundo", do escritor espanhol Javier Cercas. Li este livro de rajada, o que já não acontecia há muito tempo. O Louco de Deus é o Papa Francisco e o Fim do Mundo é a Mongólia, que o Papa visitou entre 31 de Agosto e 4 de Setembro do ano de 2023.

Javier Cercas declara-se ateu e anticlerical. É, segundo as suas palavras, um laicista militante, um racionalista obstinado, um ímpio inveterado.

Todavia, escreveu este livro para contar a viagem que fez até à Mongólia com o velho vigário de Cristo na Terra, disposto a interrogá-lo acerca da ressurreição da carne e da vida eterna. Foi para isso que ele acompanhou o Papa Francisco para lhe perguntar se a mãe, profundamente católica, verá o seu pai depois da morte.

No avião, a caminho da Mongólia, o escritor - um louco sem Deus segundo as suas palavras - teve oportunidade de falar a sós com o Papa, tendo formulado a pergunta que o motivou a entrar nesta peregrinação:
«...a minha mãe tem noventa e dois anos. Eu não sou crente mas ela é. Muito crente. E tem a certeza de que, ao morrer, se reunirá com o meu pai. De modo que eu gostaria de o interrogar sobre isto. Quero saber a verdade que, depois de morrer, a minha mãe vai ver o meu pai. Quero interrogá-lo sobre a ressurreição da carne e a vida eterna. E quero levar à minha mãe a sua resposta».

Este diálogo tem lugar a meio da narrativa e o autor não nos dá a conhecer a resposta do Papa Francisco. Mais à frente, quando um amigo lhe pergunta qual foi a resposta do Papa, ele responde: «Amigo, tens que ler o livro...e tens que o ler até ao fim».

E assim é. As últimas 12 páginas foram lidas, confesso, em grande sobressalto. Ao começar, perguntei-me: "Meu Deus, quando chegar ao fim, que vai ser a minha vida, o que vou fazer amanhã?" Há livros assim.

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